Adidas pode comprar a Puma? O rumor, os números das empresas e o impacto no futebol e no Flamengo

Adidas pode comprar a Puma? O rumor, os números das empresas e o impacto no futebol e no Flamengo

O rumor sobre uma possível compra da Puma pela Adidas voltou a circular no mercado esportivo internacional nos últimos meses, reacendendo debates que vão além do noticiário financeiro e alcançam diretamente clubes, atletas e patrocinadores. A discussão envolve duas gigantes históricas do esporte, rivais desde a origem familiar na Alemanha, e levanta dúvidas legítimas sobre impactos comerciais, concorrenciais e simbólicos, inclusive para o futebol brasileiro.


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A especulação ganhou força em setembro do ano passado, quando Roy Adams, cofundador da empresa norte-americana de investimentos Metronuclear, afirmou em entrevista a um jornal alemão que, caso a Puma não conseguisse reverter seu cenário financeiro, uma fusão com a Adidas poderia ser a melhor alternativa. A fala, ainda que condicional e vinda de um agente externo, foi suficiente para provocar reação imediata no mercado: as ações da Puma subiram 4,2% no dia 16 de setembro, acumulando valorização nas semanas seguintes. O movimento expôs a sensibilidade dos investidores a qualquer sinal de consolidação em um setor altamente competitivo.

Desde então, porém, o tema permanece no campo das hipóteses. Não houve confirmação oficial de negociações, propostas formais ou conversas entre as empresas. Quando questionadas, tanto Adidas quanto Puma optaram pelo silêncio. Internamente, uma operação desse porte exigiria aval de conselhos administrativos, acionistas e autoridades regulatórias, especialmente na União Europeia, onde fusões com potencial de monopólio enfrentam análises rigorosas e processos prolongados.

Ainda assim, o contexto financeiro da Puma ajuda a explicar por que o rumor não morreu. A empresa atravessa um período delicado, com resultados abaixo do esperado, revisão de projeções, queda nas margens e um amplo programa de corte de custos. Houve troca de CEO, reestruturação interna e demissões, sinais clássicos de uma companhia em modo defensivo. A situação se agravou no fim de 2025, quando a Puma registrou queda significativa de receita, anunciou o corte de cerca de 900 empregos e projetou retomada de crescimento apenas a partir de 2027.

Outro fator relevante é a posição da Artemis, holding da família Pinault, que detém aproximadamente 29% das ações da Puma. A possibilidade de venda dessa participação, estimada em cerca de 800 milhões de euros, é vista como um elemento que pode abrir espaço para rearranjos acionários, ainda que isso não signifique, necessariamente, uma aquisição completa. Um dos cenários discutidos no mercado seria justamente a compra dessa fatia por um concorrente, permitindo influência estratégica sem os entraves regulatórios de uma fusão total.

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Do outro lado, a Adidas vive um momento bem diferente. A empresa apresentou crescimento robusto no fim de 2025, com alta expressiva no lucro operacional, fortalecimento da marca e expansão consistente em diversos mercados. Após experiências traumáticas com aquisições no passado, como a compra da Reebok em 2005, a Adidas tem sinalizado preferência clara por crescimento orgânico e consolidação de seus próprios ativos, evitando movimentos que possam diluir identidade ou repetir erros estratégicos.

A história recente do setor serve como alerta. Quando a Adidas comprou a Reebok, assumiu contratos valiosos, reposicionou a marca para nichos específicos e, ao longo do tempo, esvaziou sua presença no esporte de alto rendimento. O resultado foi uma perda de relevância e a venda da Reebok, em 2021, por um valor bem inferior ao investido. Situação semelhante ocorreu com a Umbro, adquirida pela Nike em 2007. Em poucos anos, a marca inglesa perdeu espaço, identidade e protagonismo no futebol, sendo revendida por menos da metade do preço pago.

Esses precedentes ajudam a entender o receio em torno de uma eventual fusão entre Adidas e Puma. Analistas apontam riscos claros de canibalização de marcas, sobreposição de produtos, conflitos estratégicos e perda de identidade, especialmente em segmentos onde ambas competem diretamente. A rivalidade histórica entre as duas, que remonta à divisão familiar entre os irmãos Dassler, adiciona uma camada simbólica a um movimento que, no papel, já seria complexo.

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Para clubes patrocinados, como os brasileiros, o impacto poderia variar conforme o modelo adotado. Em caso de aquisição parcial, os efeitos seriam limitados. Já em uma compra total, experiências anteriores indicam que contratos menos estratégicos tendem a ser rebaixados ou absorvidos pela marca dominante. No contexto do Flamengo, parceiro da Adidas, uma eventual consolidação poderia reforçar ainda mais a posição rubro-negra dentro do portfólio da empresa, mas também alterar o equilíbrio do mercado nacional.

No início de 2026, o cenário aponta para uma divergência clara entre as duas companhias. A Puma segue vulnerável, em reestruturação profunda, enquanto a Adidas entra em um ciclo de crescimento sólido e foco interno. A combinação de barreiras regulatórias, riscos estratégicos e a própria postura da Adidas torna a aquisição um movimento de alto risco e baixa probabilidade no curto prazo. Por ora, o rumor permanece como sintoma de um mercado atento, pressionado e em constante transformação, mais do que como um negócio prestes a se concretizar.

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Por Tulio Rodrigues (@PoetaTulio)

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Tulio Rodrigues

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