Andreas entende seu lugar na história do Flamengo e reage com ressentimento ao ex-clube e torcida

Andreas entende seu lugar na história do Flamengo e reage com ressentimento ao ex-clube e torcida

O nome de Andreas Pereira voltou ao centro do debate rubro-negro após o fim da Libertadores não por um lance em campo, mas por palavras cuidadosamente escolhidas fora dele. O meia belga-brasileiro, hoje no Palmeiras, decidiu responder publicamente às provocações que surgiram após a sequência de vices para o Flamengo, retomando uma ferida aberta desde a final da Libertadores de 2021. A entrevista, concedida ao Estadão, expôs mais do que mágoa pessoal: revelou a dificuldade de Andreas em compreender a dimensão simbólica do clube que defendeu e o lugar que ocupa na história rubro-negra.


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Andreas afirmou que o Flamengo estaria “mais preocupado” com ele do que em festejar conquistas recentes, como Libertadores e Campeonato Brasileiro. A declaração, feita em período de férias, quando o foco deveria estar na temporada seguinte, soou menos como análise racional e mais como resposta emocional.

A linha do tempo é conhecida, mas precisa ser retomada para compreender o peso dessa reação. Andreas chega ao Flamengo em agosto de 2021, cercado de expectativa, currículo europeu e status de solução técnica para um elenco estrelado. Atua bem em parte da campanha continental, mas entra para a história pelo lance que decide a final da Libertadores. Um erro individual, raro em jogos desse tamanho, que custa um título e marca de forma definitiva sua passagem pelo clube.

O que se seguiu foi um tratamento incomum no futebol brasileiro. Longe de ser isolado ou descartado, Andreas foi amparado por setores da torcida organizada, recebeu manifestações públicas de apoio e iniciou a temporada de 2022 com a chance clara de reconstrução. Ainda assim, seu desempenho nos meses seguintes foi irregular. Comparar os seis meses finais de 2021 com o primeiro semestre de 2022 revela uma queda perceptível de rendimento, sobretudo em jogos de maior pressão, quando o peso da arquibancada se tornou evidente.

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Essa dificuldade contrasta com outros exemplos recentes do próprio Flamengo. Jogadores como Léo Pereira, Rodinei, Willian Arão e Diego Ribas atravessaram fases de rejeição intensa, cometeram erros graves, sofreram cobranças duras e, ainda assim, conseguiram dar a volta por cima com desempenho, regularidade e títulos. O critério nunca foi afeição pessoal, mas resposta esportiva. Andreas teve a oportunidade e não conseguiu consolidar essa virada.

A entrevista recente escancara outro ponto sensível: a confusão entre crítica institucional, zoação esportiva e ataque pessoal. Ao apagar fotos com a camisa rubro-negra e reagir a provocações típicas do futebol, Andreas demonstra interpretar o Flamengo como uma entidade única e hostil, quando, na prática, trata-se de um ecossistema amplo, plural, que envolve dirigentes, jogadores, torcedores e comunicação. Ao não separar essas esferas, o jogador escolhe o caminho mais simples: personalizar o conflito e transformar ironia em desrespeito.

Há também um componente midiático evidente. O entorno de Andreas sempre operou com eficiência na construção de uma imagem positiva, mesmo nos momentos mais delicados. Entrevistas, declarações calculadas e presença constante em veículos de grande alcance ajudaram a suavizar o impacto esportivo de sua passagem pelo clube. Ainda assim, o peso histórico do erro permanece, não por perseguição, mas porque o futebol é memória coletiva, sobretudo em instituições do tamanho do Flamengo.

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Nesse sentido, a reação de Andreas acaba sendo reveladora. Ao afirmar que não guarda rancor, enquanto apaga registros de sua passagem e responde publicamente a provocações, o jogador confirma exatamente o oposto. O incômodo não está no Flamengo atual, tampouco nos títulos recentes, mas no lugar que ele próprio ocupa na narrativa rubro-negra.

A história do Flamengo é marcada por vitórias, derrotas, personagens contraditórios e reconstruções constantes. Andreas Pereira não é protagonista desse roteiro, tampouco antagonista central. É parte de um capítulo específico, lembrado não por perseguição, mas pela magnitude do contexto em que ocorreu. Ao reagir como se o clube lhe devesse absolvição eterna, Andreas demonstra não compreender que, no Flamengo, ninguém é maior do que a história, e que a história segue, com ou sem ressentimentos individuais.

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