Bap revela próximos desafios: aumentar contrato com a Globo e fazer o Cartola FC pagar aos clubes

Bap revela próximos desafios: aumentar contrato com a Globo e fazer o Cartola FC pagar aos clubes
Foto: Tiago Queiroz / Estadão

A discussão sobre os direitos de transmissão do futebol brasileiro ganhou um contorno mais técnico e direto após declarações de Bap, que detalhou pontos específicos do contrato da Libra com a Globo onde há espaço para aumento de receita. Ao invés de uma crítica genérica ao modelo, o dirigente apresentou situações concretas que evidenciam falhas estruturais do acordo, especialmente em cenários de expansão da competição e no aproveitamento comercial de produtos vinculados ao futebol.


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O exemplo mais claro surge com a composição da Série A. A entrada do Remo na divisão principal não é tratada como problema esportivo ou institucional, mas como um caso que expõe uma distorção contratual relevante: o crescimento do produto não gera crescimento de receita.

Remo como exemplo de distorção, não de problema

Ao abordar a subida do Remo, Bap não faz qualquer crítica ao clube. Pelo contrário, utiliza o caso como exemplo prático de um erro de modelagem no contrato. A lógica atual é simples. E problemática.

Com mais um clube na Série A, há aumento do número de jogos, maior volume de conteúdo e, potencialmente, mais oportunidades comerciais. Ainda assim, o valor total do contrato permanece inalterado. O efeito é imediato. A receita individual diminui. Ou seja, o sistema penaliza o crescimento. Não por culpa de quem sobe. Mas pela estrutura do acordo.

A incoerência: contrato reconhece perda, mas ignora ganho

O desequilíbrio se agrava quando comparado ao mecanismo inverso. O contrato prevê redução de receita caso haja diminuição do número de clubes na elite, com impacto que pode chegar a dois dígitos percentuais. Há reconhecimento da perda. Mas não do ganho.

A assimetria cria um modelo em que o risco é considerado, mas o crescimento não é recompensado. Para Bap, essa é uma das falhas mais evidentes e urgentes de correção dentro da Libra.

Renegociar para crescer, não apenas corrigir

Diante desse cenário, a estratégia apresentada pelo dirigente não é de ruptura, mas de gestão ativa do contrato. A ideia central é clara: acordos devem ser renegociados quando deixam de refletir a realidade do produto. O objetivo não é apenas evitar perdas. É aumentar o valor total.

A entrada de novos clubes, o crescimento da competição e a ampliação de conteúdo precisam ser convertidos em receita. Caso contrário, o modelo se torna economicamente incoerente.

Cartola: receita ignorada no ecossistema do futebol

Se o caso do Remo expõe uma falha estrutural, o Cartola FC revela uma oportunidade não explorada. O fantasy game da Globo utiliza imagem, marca e atletas dos clubes como base de seu produto, sem repasse financeiro direto às instituições.

A crítica de BAP é objetiva. Há geração de valor. Mas não há distribuição.

O jogo movimenta audiência, engajamento e monetização indireta, enquanto os clubes permanecem fora desse fluxo financeiro. Para o dirigente, esse é um ponto que precisa entrar na mesa de negociação.

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Mudança de mentalidade: do jogo à plataforma

O debate sobre o Cartola FC amplia a discussão. O futebol deixou de ser apenas transmissão de partidas e passou a integrar um ecossistema de produtos digitais. Fantasy game, streaming, engajamento e dados formam um novo ambiente de consumo.

O contrato atual, no entanto, ainda opera com lógica antiga. Ao apontar esse descompasso, Bap sinaliza que o crescimento do futebol brasileiro passa também por capturar receitas fora dos 90 minutos.

Unidade como caminho inevitável

Apesar do protagonismo do Flamengo na discussão, o dirigente reconhece que a insatisfação não é isolada. Outros clubes enfrentam os mesmos efeitos do modelo atual. O ponto central, portanto, não é individual. É coletivo. Sem alinhamento, não há força para renegociação. Sem renegociação, o modelo permanece.

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A fala de BAP não critica a presença de novos clubes na elite do futebol brasileiro. Ela expõe uma distorção contratual que impede o crescimento financeiro do produto mesmo quando há expansão da competição. O caso do Remo é sintoma. O Cartola FC é oportunidade. Entre um e outro, está um contrato que precisa deixar de reagir à realidade e passar a acompanhá-la.

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