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Bets recuam no Brasileirão: o fim da bolha dos patrocínios e o impacto nos clubes

Bets recuam no Brasileirão: o fim da bolha dos patrocínios e o impacto nos clubes

Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

A presença massiva das casas de apostas no futebol brasileiro entrou em uma nova fase. O Campeonato Brasileiro começou com um cenário bem diferente daquele visto nos últimos anos, quando praticamente todos os clubes da Série A exibiam alguma bet como patrocinadora principal. Em 2026, o número caiu. E a explicação passa menos pelo campo e mais pelos bastidores econômicos, jurídicos e políticos do futebol.


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Dos 20 clubes da elite, apenas 12 iniciaram a temporada com empresas de apostas estampadas no espaço nobre da camisa. A redução de cerca de um terço em relação ao ano anterior não é casual. Ela reflete o fim de contratos relevantes, a saída de empresas do mercado brasileiro e, principalmente, os efeitos diretos da regulamentação das apostas esportivas no país.

Nos últimos ciclos, as bets inflaram o mercado de patrocínios como poucas vezes se viu. Clubes passaram a negociar cifras inéditas, criando um novo padrão de comparação que nem sempre se sustentava economicamente. Quando o governo federal instituiu taxas milionárias para operação legal no Brasil, parte dessas empresas simplesmente saiu de cena. Algumas encerraram atividades, outras migraram para mercados paralelos e várias deixaram de honrar acordos ou renovar contratos.

Esse movimento explica por que clubes como Vasco, Grêmio, Internacional, Bahia e Santos iniciaram o Brasileirão sem um patrocinador master do setor. Bragantino e Mirassol também aparecem fora dessa lista, enquanto o Massa Bruta mantém a marca do próprio grupo controlador e o clube do interior paulista optou por um parceiro fora do universo das apostas.

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Ainda assim, o dinheiro das bets não desapareceu por completo. Ele se concentrou. Os contratos que permaneceram são, em geral, mais robustos, longos e firmados com empresas internacionais já consolidadas. O maior exemplo segue sendo o Flamengo. O acordo com a Betano rende cerca de 268,5 milhões de reais por ano e vai até 2028, consolidando-se como o maior patrocínio do futebol brasileiro. Palmeiras, São Paulo e Corinthians também mantêm parcerias expressivas, o que mostra que o setor não encolheu por falta de interesse, mas por um ajuste forçado de mercado.

O que mudou foi o ambiente. A bolha estourou. Valores inflacionados, que serviam como referência para renegociações em cascata, deixaram de ser sustentáveis. Clubes que buscavam repetir cifras do Flamengo ou do Palmeiras encontraram um mercado mais cauteloso, menos disposto a apostas agressivas fora da lógica financeira.

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O futuro aponta para uma reconfiguração. As bets devem continuar presentes no Brasileirão, porém em número menor e com contratos mais seletivos. O patrocínio fácil, rápido e inflacionado tende a dar lugar a acordos mais estáveis, com exigências maiores de compliance e exposição. Para os clubes, o desafio será diversificar receitas sem depender de um setor que mostrou ser volátil.

O futebol brasileiro, mais uma vez, se vê diante de um ajuste de realidade. As apostas mudaram o jogo fora de campo, mas agora o mercado começa a cobrar maturidade de quem surfou a onda sem olhar para o horizonte.

Bolha das bets estoura e muda o mercado de patrocínios no futebol brasileiro em 2026

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