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Clubes associativos sob ataque fiscal: Flamengo e Corinthians pagarão mais impostos que SAFs e bets

Clubes associativos sob ataque fiscal: Flamengo e Corinthians pagarão mais impostos que SAFs e bets

O debate que deveria mobilizar dirigentes, imprensa e Congresso ganhou forma silenciosa, quase subterrânea, mas carrega potencial para alterar profundamente o futebol brasileiro a partir de 2027. Flamengo e Corinthians, dois dos maiores clubes do país, associativos, sem fins lucrativos, passaram a liderar uma reação a um desenho tributário que, se mantido, fará essas instituições pagarem mais impostos do que SAFs e até empresas de apostas. A mudança nasce de vetos do governo federal à regulamentação da reforma tributária e escancara um desequilíbrio que vai além das planilhas: ameaça o próprio modelo associativo que sustenta o esporte nacional há mais de um século.


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O alerta surgiu com a divulgação de análises técnicas e reportagens especializadas, em especial a de Rodrigo Mattos, uma das poucas vozes da grande imprensa a tratar o tema com atenção necessária. O que está em jogo não é apenas quanto cada clube recolherá aos cofres públicos, mas quem será empurrado para pagar a conta mais pesada em um sistema que, na prática, estimula a transformação compulsória de clubes em empresas.

Comparação entre modelos: associação x SAF

É aqui que o desequilíbrio se revela com nitidez. Pelo desenho atual da lei, clubes associativos como Flamengo, Corinthians, São Paulo e Palmeiras terão uma carga tributária estimada em até 15,6%, somando os novos tributos IBS e CBS mais 5% de INSS. Já as SAFs permanecerão em torno de 6%, dentro de um regime simplificado e previsível.

A diferença não é marginal. Em um clube que fatura mais de R$ 2 bilhões por ano, como o Flamengo, isso representa algo próximo de R$ 300 milhões em impostos anuais. Mesmo com a possibilidade de créditos tributários, ninguém sabe exatamente quais despesas gerarão esses créditos, quanto será abatido ou se clubes da mesma competição acabarão pagando percentuais distintos. Planejar sob hipóteses virou regra.

O silêncio que incomoda

O ponto mais incômodo talvez não seja apenas a decisão política, mas o silêncio em torno dela. Dirigentes de clubes associativos de grande porte, como Palmeiras e São Paulo, evitam o debate publicamente. A grande imprensa, salvo raras exceções, trata o tema com distanciamento. Enquanto isso, entidades como a Liga Forte União atuam politicamente em Brasília com discurso institucional, mas interesses claros ligados a SAFs e fundos de investimento.

Nesse contexto, o Flamengo passou a ser retratado, em certos momentos, como vilão, acusado de querer que SAFs paguem mais impostos. A realidade é inversa. A atuação nos bastidores buscava equiparação, não privilégio. O clube defendia que associações e SAFs fossem tratadas de maneira semelhante, reconhecendo que modelos sem fins lucrativos não deveriam arcar com carga superior à de empresas criadas para gerar lucro.

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Bets no retrovisor

O cenário se torna ainda mais absurdo quando a comparação inclui as casas de apostas. Hoje, bets pagam cerca de 12% sobre o chamado GGR, a receita das apostas, podendo estruturar seus negócios para reduzir o impacto final. Caso os vetos sejam mantidos, clubes associativos podem acabar pagando mais impostos do que empresas que não investem em esporte olímpico, formação de atletas ou patrimônio cultural.

Isso não é detalhe técnico. É uma escolha política com efeitos diretos no equilíbrio competitivo. Menos dinheiro significa cortes, inclusive em modalidades deficitárias que sobrevivem graças ao futebol profissional.

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O que vem pela frente

Nada está completamente definido. Os vetos ainda podem ser derrubados pelo Congresso ou substituídos por uma nova proposta legislativa. 2026 será um ano de transição. A partir de 2027, porém, a regra passa a valer integralmente. O ex-presidente do Flamengo e hoje Deputado Federal Eduardo Bandeira de Mello defende uma reabertura do debate e alerta para as incertezas do modelo atual.

O que causa espanto é a falta de mobilização ampla. O futebol brasileiro, historicamente plural e associativo, corre o risco de ser moldado por decisões que favorecem estruturas empresariais, enquanto clubes centenários são tratados como se fossem corporações comuns. O silêncio custa caro. E, se nada mudar, a conta chegará primeiro para Flamengo e Corinthians, mas não ficará restrita a eles.

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