Conheça o projeto FlaMúsica: 1.650 músicas catalogadas e um livro sobre a identidade do Flamengo
Um trabalho iniciado pela paixão de torcedor e transformado em pesquisa histórica estruturada começa a ganhar forma pública. Idealizada por Paulo Tinoco, morador de Macaé e rubro-negro desde a infância, a FlaMúsica se consolidou como um amplo levantamento sobre a presença do Clube de Regatas do Flamengo na música brasileira e, a partir daí, evoluiu para um estudo mais abrangente sobre memória, cultura e construção identitária do clube ao longo do século XX. O projeto agora caminha para a publicação do livro “Flamengo, o fenômeno nacional”.
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A pesquisa nasceu de forma intuitiva, ainda nos anos 1980, quando Tinoco começou a colecionar revistas, gravações e materiais ligados ao clube. O ponto de virada ocorreu ao perceber que trilhas sonoras e canções dedicadas ao Flamengo não eram apenas homenagens pontuais, mas parte de um fenômeno cultural maior. A partir dos anos 2000, o levantamento ganhou método, consultas a instituições e entrevistas com artistas.
Hoje, o acervo reúne 1.650 músicas catalogadas, incluindo regravações e composições dedicadas a jogadores simbólicos, como Zico e Adílio. Mas o escopo ultrapassou a música: o estudo passou a mapear personagens históricos, movimentos culturais e contextos sociais que ajudaram a moldar o gigantismo rubro-negro.
Da arquibancada ao arquivo histórico
Tinoco relata que sua ligação com o Flamengo começou cedo. Em 1977, ainda criança, esteve no Maracanã em uma partida que entrou para a história por marcar o enfrentamento do clube com a TV Globo em relação aos direitos de transmissão. O episódio abriu caminho para um novo modelo de receita para os clubes brasileiros.
Entre 1978 e 1983, período de ouro em campo, a relação afetiva se intensificou. Vieram as conquistas, as viagens ao estádio, o início da coleção. Fitas VHS substituídas por CDs e DVDs, documentos guardados quase por instinto.
Nos anos 2000, o material chamou atenção. Em 2007, durante o processo de reconhecimento da torcida do Flamengo como patrimônio cultural do Rio de Janeiro, a lista de músicas que já ultrapassava 150 títulos foi cedida ao clube. No ano seguinte, serviu de base para o livro Futebol no País da Música, do jornalista Beto Xavier.
Ali ficava claro que havia uma lacuna a ser preenchida.
Pesquisa institucional e ampliação do escopo
A FlaMúsica passou então a dialogar com instituições como o Instituto Moreira Salles, o Museu da Imagem e do Som, a Biblioteca Nacional, o Instituto Cravo Albin e a Escola de Música da UFRJ. A hemeroteca digital ampliou o horizonte, permitindo cruzamento de dados históricos e descoberta de informações pouco conhecidas.
O trabalho revelou personagens hoje quase esquecidos, mas fundamentais na formação do clube, como Gentil Monteiro, Júlio Silva e Paulo Magalhães. Também reforçou a importância de presidentes como José Bastos Padilha, apontado por Tinoco como peça central na consolidação do Flamengo como potência popular nos anos 1930.
Essa década, segundo o pesquisador, é chave para compreender a transformação do clube em fenômeno nacional. Não apenas pelos resultados esportivos, mas pela inserção cultural, pelo diálogo com o teatro, o cinema, a música e pelo posicionamento social num país em transformação.
Memória como resistência ao esquecimento
O projeto também carrega uma dimensão afetiva. Tinoco cita a reflexão do historiador Luiz Antônio Simas sobre memória e esquecimento para explicar a motivação central da FlaMúsica: preservar nomes e trajetórias que sustentaram o crescimento do clube.
A investigação exigiu meses para solucionar dúvidas pontuais, localizar fotografias e confirmar registros. O olhar de colecionador se somou ao método de pesquisador.
A proposta deixou de ser apenas reunir canções. Tornou-se um esforço de documentação cultural sobre o Flamengo enquanto expressão social brasileira.
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O livro: Flamengo, o fenômeno nacional
Com o acúmulo de material, surgiu a necessidade de democratizar o conteúdo. Designer gráfico, Tinoco produziu o protótipo do livro “Flamengo, o fenômeno nacional”, já finalizado em formato de boneco editorial.
A obra promete detalhar a construção identitária do clube, com destaque para a década de 1930, momento em que o Flamengo deixou de ser apenas um time competitivo para se transformar em símbolo popular de alcance nacional.
A próxima etapa é viabilizar a publicação. Segundo o autor, novos detalhes sobre produção e lançamento serão divulgados em breve.
A FlaMúsica, que começou como coleção pessoal, hoje se posiciona como um dos mais amplos levantamentos sobre a presença cultural do Flamengo na história brasileira.
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