Na esteira de mais um pênalti polêmico marcado em jogo do Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro, o jornalista Danilo Lavieri afirmou que o lance lembrava um “pênalti à la Arrascaeta”, em referência ao meia do Flamengo. A declaração, feita em debate ao vivo, ganhou repercussão nas redes e reacendeu críticas sobre a postura de parte da imprensa esportiva na cobertura de arbitragem, rivalidades e disputas políticas nos bastidores do futebol.
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O episódio ocorreu após a marcação de uma penalidade envolvendo Vitor Roque na partida contra o Fluminense. Em um primeiro ângulo, a jogada pareceu simulação. Em outro, houve contato no pé do atacante. A discussão técnica, legítima, rapidamente se transformou em algo maior quando o comentarista associou o tipo de lance ao estilo de Arrascaeta, sugerindo uma espécie de artifício para induzir a arbitragem ao erro. Não se tratou apenas de avaliar se foi ou não infração. A crítica passou a ser o rótulo.
O peso de um nome
No futebol, expressões se cristalizam. Quando um tipo de jogada passa a carregar o nome de um atleta específico, cria-se uma narrativa que extrapola o campo. Ao batizar o lance como “pênalti à la Arrascaeta”, o comentário deixa de ser análise pontual e se aproxima de uma imputação de conduta reiterada.
O uruguaio já sofreu e cometeu faltas em situações semelhantes às de outros jogadores do país. Não há levantamento oficial que indique favorecimento sistemático em lances desse perfil. Ainda assim, a frase se espalhou com rapidez, reforçada por outros debatedores em programas distintos, como se houvesse um consenso informal.
Histórico recente e disputas paralelas
O contexto amplia o debate. Nos últimos anos, Palmeiras e Flamengo estiveram em lados opostos em decisões dentro de campo, incluindo finais continentais, e também em discussões estruturais, como a organização da Libra e os modelos de divisão de receitas. Nesse ambiente, cada declaração ganha contornos políticos.
Quando um comentarista menciona repetidamente o Flamengo em debates que não dizem respeito ao clube, críticos enxergam sinal de viés. Defensores alegam que se trata apenas de contextualização. A linha é tênue.
Estratégias e imparcialidade
Outro ponto levantado por torcedores é a existência de grupos informais de jornalistas que compartilham pautas e interpretações semelhantes. A prática de troca de informações entre profissionais é comum e faz parte da rotina da imprensa. O problema surge quando a audiência passa a perceber coordenação deliberada para pressionar arbitragem ou consolidar determinadas narrativas.
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O debate sobre gramado sintético
A polêmica não se restringe aos pênaltis. Em discussão anterior sobre gramados artificiais, Lavieri afirmou que o Palmeiras teria apresentado postura mais técnica no debate. O Flamengo, por sua vez, divulgou nota acompanhada de estudo detalhado defendendo cautela na adoção do piso sintético e a criação de grupo de trabalho na CBF. O documento rubro-negro tinha dezenas de páginas e abordava impacto físico, estatísticas de lesões e padrões internacionais.
A divergência é legítima. O questionamento está na profundidade da análise. Parte do público entende que comentários foram feitos sem leitura integral do material apresentado pelo clube carioca. O jornalista nega parcialidade.
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Entre crítica e responsabilidade
A imprensa esportiva vive de opinião. Comentário não é sentença judicial. Ainda assim, há diferença entre discordar de um lance e atribuir a um jogador a pecha de especialista em enganar árbitros. Em tempos de redes sociais inflamadas, cada palavra ecoa.
O episódio do “pênalti à la Arrascaeta” talvez fosse apenas mais um debate acalorado de fim de rodada. Tornou-se símbolo de algo maior porque toca em feridas abertas: rivalidade recente, disputas por poder econômico e a eterna suspeita sobre quem controla a narrativa do futebol brasileiro.
No centro da discussão está a credibilidade. Quando o torcedor passa a enxergar coordenação onde deveria haver pluralidade, o prejuízo não é de um clube específico. É da própria imprensa.
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