Deu ruim! Oposição do Palmeiras cobra saída de José Roberto Lamacchia após leilão do Vasco

Deu ruim! Oposição do Palmeiras cobra saída de José Roberto Lamacchia após leilão do Vasco
Foto: Cesar Greco / Palmeiras

A confirmação da Almirante Participações, empresa de Marcos Lamacchia, como vencedora do leilão para a compra de 90% da SAF do Vasco recolocou no centro do futebol brasileiro uma discussão que já vinha sendo levantada desde junho: até onde vão os limites entre os negócios privados da família Lamacchia e a relação com o Palmeiras, clube presidido por Leila Pereira, madrasta de Marcos e esposa de José Roberto Lamacchia, que também integra o Conselho Deliberativo alviverde. Horas depois do resultado do leilão, o grupo de oposição Ocupa Palestra pediu o desligamento de José Roberto do Conselho e apresentou outras medidas de proteção institucional.


Ouça nossas análises e entrevistas sobre a eleição do Flamengo no seu agregador de podcast preferido: Spotify, Deezer, Amazon, iTunes, Youtube Music, Castbox e Anchor.


O leilão aconteceu na última sexta-feira (25), na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. A Almirante foi a única empresa a apresentar proposta e acabou declarada vencedora, aproximando Marcos Lamacchia do controle da SAF vascaína. O negócio, entretanto, ainda não está concluído: a operação precisa passar pelo Conselho Deliberativo do Vasco e posteriormente pela Assembleia Geral Extraordinária. Paralelamente, a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol, ligada ao sistema de fair play da CBF, acompanha o caso diante dos questionamentos sobre eventual conflito de propriedade.

A discussão começou antes do leilão

A possibilidade de Marcos Lamacchia assumir a SAF do Vasco já havia provocado reação no futebol brasileiro meses antes. Em junho, o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, afirmou que recorreria à Justiça caso a operação fosse concretizada. O dirigente sustentava que a relação familiar envolvendo Marcos, José Roberto e Leila poderia representar um conflito diante das regras que tratam da influência sobre clubes diferentes.

Naquele momento, a negociação ainda estava em andamento e as manifestações provocaram respostas tanto de Leila Pereira quanto do Vasco. A presidente do Palmeiras afirmou que não tinha participação na negociação e disse que não aceitava ser envolvida no processo. Pedrinho, presidente do Vasco, também negou participação de Leila nas tratativas e rebateu as declarações de Bap.

Em julho, a discussão deixou o campo das declarações públicas e chegou aos órgãos reguladores. O Flamengo acionou a ANRESF para pedir análise e eventual veto à negociação. Entre os argumentos apresentados estava o regulamento de sustentabilidade financeira, que trata da possibilidade de uma mesma pessoa ou grupo exercer controle ou influência significativa sobre mais de um clube.

ENTREVISTA COMPLETA:

O que mudou com o leilão

A situação ganhou novo contorno após a vitória da Almirante. O que antes era uma negociação em perspectiva passou a ser uma operação formalmente vencedora em um processo judicial, ainda que sujeita às etapas seguintes de aprovação.

É nesse cenário que aparece a reação do Ocupa Palestra. O grupo de conselheiros da oposição divulgou uma nota pedindo, caso a aquisição do Vasco seja concretizada, o desligamento voluntário de José Roberto Lamacchia do Conselho Deliberativo do Palmeiras. Os opositores também solicitaram a interrupção de eventuais benefícios diretos ou indiretos a clubes rivais e medidas para reforçar a proteção de informações estratégicas e do know-how do Palmeiras.

O grupo fundamenta o primeiro pedido no artigo 33, inciso XIII, do Estatuto Social do Palmeiras. Segundo a interpretação apresentada pelos conselheiros, a condição de avalista ou financiador de um clube rival seria incompatível com o exercício de um mandato no Conselho quando configurada atuação contra os interesses do Palmeiras. Essa é, porém, uma interpretação apresentada pela oposição e não representa, até o momento, uma decisão ou sanção formal do clube contra José Roberto Lamacchia.

A manifestação também chama atenção para a necessidade de separar os negócios particulares dos dirigentes das estruturas institucionais do Palmeiras. O temor apresentado pelos opositores é que informações, recursos, serviços ou outros benefícios relacionados ao ecossistema empresarial da presidente possam, direta ou indiretamente, favorecer um adversário do clube.

O papel de José Roberto Lamacchia

A participação de José Roberto na história ganhou importância porque o próprio empresário declarou, em junho, que era avalista da operação financeira de seu filho. Na ocasião, afirmou que estava avalizando R$ 2 bilhões e sustentou que Marcos era financeiramente independente.

A relação empresarial entre os envolvidos também passou a ser examinada com maior atenção. Reportagem do UOL apontou, a partir de documentos societários, que a empresa que posteriormente se tornou a Almirante Participações teve, em sua origem, participação indireta de Leila Pereira e controle de José Roberto Lamacchia, antes de ser transferida para Marcos. O levantamento ressalta que não encontrou prova de participação direta de Leila nas negociações para a compra do Vasco, mas identificou uma sequência societária envolvendo os integrantes da família.

Esse histórico passou a fazer parte do debate porque a discussão deixou de envolver apenas uma relação familiar e passou a considerar também a trajetória empresarial da companhia que pretende assumir o futebol vascaíno.

LEIA MAIS:

CASO PREFIRA OUVIR:

O que ainda precisa acontecer

Apesar da vitória no leilão, Marcos Lamacchia ainda não assumiu definitivamente o controle da SAF do Vasco. A proposta precisa ser analisada pelos órgãos internos do clube e o processo continua sob acompanhamento regulatório. O Vasco também terá de cumprir as etapas previstas no processo de venda judicial antes da transferência definitiva do controle.

Do lado do Palmeiras, o pedido do Ocupa Palestra também não significa automaticamente a saída de José Roberto Lamacchia do Conselho. Trata-se de uma solicitação feita por integrantes da oposição, que defendem determinadas medidas diante do novo cenário. Caberá aos órgãos competentes do clube avaliar os pedidos e a eventual aplicação das regras estatutárias.

O caso, portanto, entrou em uma nova fase. A discussão que começou com declarações de dirigentes sobre a possibilidade de conflito agora envolve uma empresa formalmente vencedora de um leilão judicial, uma relação familiar com a presidente de outro clube e questionamentos apresentados tanto no ambiente regulatório quanto dentro do próprio Palmeiras. A resposta definitiva sobre a existência de alguma incompatibilidade ainda depende das análises e decisões das instituições responsáveis pelo processo.

Hipocrisia? Vasco perdeu a licitação do Maracanã e agora questiona o processo?

—

+ Siga o Ser Flamengo no Twitter, no Instagram e no Youtube.

Comentários

Descubra mais sobre Ser Flamengo

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Blog Ser Flamengo

Deixe uma resposta