Deu ruim! Oposição do Palmeiras cobra saída de José Roberto Lamacchia após leilão do Vasco

A confirmação da Almirante Participações, empresa de Marcos Lamacchia, como vencedora do leilão para a compra de 90% da SAF do Vasco recolocou no centro do futebol brasileiro uma discussão que já vinha sendo levantada desde junho: até onde vão os limites entre os negócios privados da família Lamacchia e a relação com o Palmeiras, clube presidido por Leila Pereira, madrasta de Marcos e esposa de José Roberto Lamacchia, que também integra o Conselho Deliberativo alviverde. Horas depois do resultado do leilão, o grupo de oposição Ocupa Palestra pediu o desligamento de José Roberto do Conselho e apresentou outras medidas de proteção institucional.
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O leilão aconteceu na última sexta-feira (25), na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. A Almirante foi a única empresa a apresentar proposta e acabou declarada vencedora, aproximando Marcos Lamacchia do controle da SAF vascaína. O negócio, entretanto, ainda não está concluído: a operação precisa passar pelo Conselho Deliberativo do Vasco e posteriormente pela Assembleia Geral Extraordinária. Paralelamente, a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol, ligada ao sistema de fair play da CBF, acompanha o caso diante dos questionamentos sobre eventual conflito de propriedade.
A discussão começou antes do leilão
A possibilidade de Marcos Lamacchia assumir a SAF do Vasco já havia provocado reação no futebol brasileiro meses antes. Em junho, o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, afirmou que recorreria à Justiça caso a operação fosse concretizada. O dirigente sustentava que a relação familiar envolvendo Marcos, José Roberto e Leila poderia representar um conflito diante das regras que tratam da influência sobre clubes diferentes.
Naquele momento, a negociação ainda estava em andamento e as manifestações provocaram respostas tanto de Leila Pereira quanto do Vasco. A presidente do Palmeiras afirmou que não tinha participação na negociação e disse que não aceitava ser envolvida no processo. Pedrinho, presidente do Vasco, também negou participação de Leila nas tratativas e rebateu as declarações de Bap.
Em julho, a discussão deixou o campo das declarações públicas e chegou aos órgãos reguladores. O Flamengo acionou a ANRESF para pedir análise e eventual veto à negociação. Entre os argumentos apresentados estava o regulamento de sustentabilidade financeira, que trata da possibilidade de uma mesma pessoa ou grupo exercer controle ou influência significativa sobre mais de um clube.
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O que mudou com o leilão
A situação ganhou novo contorno após a vitória da Almirante. O que antes era uma negociação em perspectiva passou a ser uma operação formalmente vencedora em um processo judicial, ainda que sujeita às etapas seguintes de aprovação.
É nesse cenário que aparece a reação do Ocupa Palestra. O grupo de conselheiros da oposição divulgou uma nota pedindo, caso a aquisição do Vasco seja concretizada, o desligamento voluntário de José Roberto Lamacchia do Conselho Deliberativo do Palmeiras. Os opositores também solicitaram a interrupção de eventuais benefícios diretos ou indiretos a clubes rivais e medidas para reforçar a proteção de informações estratégicas e do know-how do Palmeiras.
O grupo fundamenta o primeiro pedido no artigo 33, inciso XIII, do Estatuto Social do Palmeiras. Segundo a interpretação apresentada pelos conselheiros, a condição de avalista ou financiador de um clube rival seria incompatível com o exercício de um mandato no Conselho quando configurada atuação contra os interesses do Palmeiras. Essa é, porém, uma interpretação apresentada pela oposição e não representa, até o momento, uma decisão ou sanção formal do clube contra José Roberto Lamacchia.
A manifestação também chama atenção para a necessidade de separar os negócios particulares dos dirigentes das estruturas institucionais do Palmeiras. O temor apresentado pelos opositores é que informações, recursos, serviços ou outros benefícios relacionados ao ecossistema empresarial da presidente possam, direta ou indiretamente, favorecer um adversário do clube.
O papel de José Roberto Lamacchia
A participação de José Roberto na história ganhou importância porque o próprio empresário declarou, em junho, que era avalista da operação financeira de seu filho. Na ocasião, afirmou que estava avalizando R$ 2 bilhões e sustentou que Marcos era financeiramente independente.
A relação empresarial entre os envolvidos também passou a ser examinada com maior atenção. Reportagem do UOL apontou, a partir de documentos societários, que a empresa que posteriormente se tornou a Almirante Participações teve, em sua origem, participação indireta de Leila Pereira e controle de José Roberto Lamacchia, antes de ser transferida para Marcos. O levantamento ressalta que não encontrou prova de participação direta de Leila nas negociações para a compra do Vasco, mas identificou uma sequência societária envolvendo os integrantes da família.
Esse histórico passou a fazer parte do debate porque a discussão deixou de envolver apenas uma relação familiar e passou a considerar também a trajetória empresarial da companhia que pretende assumir o futebol vascaíno.
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O que ainda precisa acontecer
Apesar da vitória no leilão, Marcos Lamacchia ainda não assumiu definitivamente o controle da SAF do Vasco. A proposta precisa ser analisada pelos órgãos internos do clube e o processo continua sob acompanhamento regulatório. O Vasco também terá de cumprir as etapas previstas no processo de venda judicial antes da transferência definitiva do controle.
Do lado do Palmeiras, o pedido do Ocupa Palestra também não significa automaticamente a saída de José Roberto Lamacchia do Conselho. Trata-se de uma solicitação feita por integrantes da oposição, que defendem determinadas medidas diante do novo cenário. Caberá aos órgãos competentes do clube avaliar os pedidos e a eventual aplicação das regras estatutárias.
O caso, portanto, entrou em uma nova fase. A discussão que começou com declarações de dirigentes sobre a possibilidade de conflito agora envolve uma empresa formalmente vencedora de um leilão judicial, uma relação familiar com a presidente de outro clube e questionamentos apresentados tanto no ambiente regulatório quanto dentro do próprio Palmeiras. A resposta definitiva sobre a existência de alguma incompatibilidade ainda depende das análises e decisões das instituições responsáveis pelo processo.
Hipocrisia? Vasco perdeu a licitação do Maracanã e agora questiona o processo?
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