Eliminação do Flamengo: críticas a Jardim e Paquetá aumentam

A eliminação do Flamengo na Libertadores, após o confronto com o Estudiantes, deixou questionamentos sobre as escolhas de Leonardo Jardim, o desempenho de Lucas Paquetá e a capacidade da equipe de reagir em momentos decisivos. A atuação rubro-negra foi marcada pela dificuldade de criar oportunidades diante de um adversário que apostou na intensidade física, nas faltas e na compactação defensiva. Com a queda no torneio continental, o clube passou a concentrar suas atenções no Campeonato Brasileiro, competição em que ainda tinha condições de lutar pelo título, mas na qual a pressão por resultados ganhou outra dimensão.
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Um Flamengo com dificuldade para criar
A principal crítica à atuação foi a falta de iniciativa ofensiva. Durante boa parte da partida, o Flamengo encontrou dificuldades para transformar a posse de bola em oportunidades concretas, e o primeiro chute que exigiu trabalho do goleiro Muslera surgiu em uma cobrança de falta de Lucas Paquetá. A equipe não conseguiu impor o jogo associativo que costuma caracterizar seu melhor desempenho, permitindo que o Estudiantes controlasse os espaços e interrompesse frequentemente as tentativas de construção.
A estratégia argentina foi especialmente eficiente porque reduziu o tempo disponível para o Flamengo organizar suas jogadas. No primeiro tempo, considerando os 45 minutos regulamentares e os acréscimos, a bola permaneceu em jogo por apenas 24 minutos e 58 segundos. A intensidade nos duelos e as interrupções dificultaram a circulação da equipe brasileira, que não encontrou respostas consistentes para romper a marcação adversária.
O problema, porém, não se resumiu à postura do Estudiantes. A organização ofensiva rubro-negra também foi questionada, sobretudo pela insistência em utilizar Paquetá como camisa 10. No confronto, o meio-campista não vinha conseguindo produzir boas atuações nessa função, e a escolha voltou a limitar as alternativas de criação. A equipe teve dificuldades para encontrar espaços pelo centro, enquanto as tentativas pelos lados, com Samuel Lino e Carrascal, tampouco ofereceram a fluidez necessária para desorganizar a defesa argentina.
As substituições e a demora para buscar alternativas
A condução de Leonardo Jardim também entrou no centro do debate. Uma das críticas foi a demora para modificar a estrutura ofensiva, mesmo quando as dificuldades de infiltração já estavam evidentes. A possibilidade de explorar mais os corredores laterais, inclusive com a entrada de Ayrton Lucas, foi apontada como uma alternativa para tentar quebrar as linhas adversárias e criar situações diferentes das que o Flamengo repetia ao longo do jogo.
A expulsão de um jogador do Estudiantes ampliou a expectativa de pressão rubro-negra, mas a superioridade numérica não se traduziu imediatamente em maior volume ofensivo. Bruno Henrique só entrou na reta final, substituindo Pulgar. Uma das melhores oportunidades surgiu quando Plata avançou em direção ao gol, mas optou por finalizar em vez de tocar para Bruno Henrique, que acompanhava a jogada pelo meio. A chance reforçou a percepção de que o Flamengo poderia ter produzido mais diante das circunstâncias da partida.
As críticas ao treinador também recuperaram uma dificuldade observada em trabalhos anteriores: enfrentar adversários que se defendem com linhas compactas e reduzem os espaços entre os setores. A avaliação é que esse tipo de marcação já havia imposto obstáculos ao Cruzeiro sob o comando de Jardim. Contra o Estudiantes, o Flamengo voltou a demonstrar problemas semelhantes, sem conseguir ajustar a estratégia com rapidez suficiente para alterar o cenário.
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Paquetá sob pressão após uma noite decisiva
Se as escolhas de Jardim foram contestadas, Paquetá deixou o campo sob cobrança ainda maior. Contratado como a transferência mais cara da história do Flamengo, o meia chegou com a expectativa de assumir protagonismo em jogos de alta pressão. Contra o Estudiantes, além de não conseguir comandar a criação ofensiva, desperdiçou sua cobrança na disputa de pênaltis, em um lance que provocou forte reação entre os torcedores.
A execução de Jorginho também foi analisada, embora o estilo de cobrança com salto faça parte das características do jogador. Muslera conseguiu esperar a definição do cobrador, enquanto Jorginho manteve a direção inicialmente escolhida. A cobrança de Paquetá, por sua vez, foi particularmente frustrante pelo peso do momento e pela expectativa depositada no atleta.
A repercussão não se limitou ao aspecto técnico. A entrevista emocionada do meio-campista depois da eliminação também dividiu opiniões, porque parte da torcida esperava uma demonstração mais explícita de liderança em um momento decisivo. A cobrança está relacionada ao investimento realizado e ao papel que se espera de um jogador contratado para assumir responsabilidades, mas o episódio, isoladamente, não define a capacidade do atleta de reagir ao longo da temporada.
O Brasileiro muda o tamanho da pressão
Apesar da frustração continental, o cenário não significava o fim da temporada para o Flamengo. A equipe ainda tem o Campeonato Brasileiro pela frente e depende dos próprios resultados para seguir na disputa pelo título.
A preparação emocional do elenco tornou-se parte importante desse desafio. O Flamengo precisa absorver o impacto da queda sem permitir que a decepção comprometa a campanha nacional. Uma série de derrotas pode abrir espaço para o Palmeiras dimunuir a vantagem e tornar a disputa pelo título mais difícil, aumentando também a pressão sobre o treinador e o planejamento do departamento de futebol.
Nesse contexto, uma possível mudança no comando técnico dependeria da evolução da equipe e dos resultados seguintes. A avaliação de que Jardim poderia perder o cargo caso o time acumulasse derrotas consecutivas é só uma hipótese.
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Jardim e Boto serão avaliados no fim do ano
A discussão ganhou outro elemento com a notícia de que a diretoria do Flamengo pretende avaliar os trabalhos de Leonardo Jardim e José Boto ao fim da temporada. A informação foi publicada pelo UOL e indica uma análise posterior do desempenho do treinador e do dirigente, em vez de uma decisão imediata após a eliminação.
O sinal sugere que o resultado na Libertadores não necessariamente provocaria uma ruptura instantânea, embora aumente o peso das próximas partidas e das decisões tomadas pelo departamento de futebol. A avaliação de fim de ano permitirá à diretoria considerar o conjunto da temporada, os resultados alcançados, a evolução da equipe e a capacidade de cumprir os objetivos estabelecidos.
A eliminação, portanto, abriu uma frente de cobrança que ultrapassa a disputa por um troféu. As dificuldades táticas, o rendimento de jogadores importantes e a condução das partidas passaram a ser examinados em conjunto com o planejamento esportivo. Para o Flamengo, o desafio imediato é transformar a frustração em reação no Campeonato Brasileiro. Para Jardim, Boto e os atletas, o restante da temporada será determinante para responder às dúvidas que a queda continental deixou em aberto.
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