Ícone do site Ser Flamengo

Enquanto Leila silencia, Flamengo lidera pressão em Brasília por PEC dos clubes associativos

Enquanto Leila silencia, Flamengo lidera pressão em Brasília por PEC dos clubes associativos

A disputa política entre Flamengo e Palmeiras ganhou um novo capítulo nos bastidores de Brasília. Só que, desta vez, o debate não envolve arbitragem, Libra, divisão de receitas ou provocações públicas entre dirigentes. O tema agora é estrutural e pode impactar diretamente o futuro do esporte brasileiro. Em meio à discussão sobre a reforma tributária que entrará em vigor a partir de 2027, o Flamengo assumiu protagonismo na articulação política em defesa dos clubes associativos e Leila Pereira segue em silêncio sobre o tema.


Ouça nossas análises e entrevistas sobre a eleição do Flamengo no seu agregador de podcast preferido: SpotifyDeezerAmazoniTunesYoutube MusicCastbox e Anchor.


A nova legislação prevê aumento relevante da carga tributária para clubes associativos, justamente aqueles que mantêm modalidades olímpicas, esportes de base e estruturas poliesportivas históricas. Ao mesmo tempo, as SAFs continuarão operando sob regime tributário significativamente mais vantajoso. A diferença criou alerta imediato dentro de instituições como Flamengo, Minas, Pinheiros, Corinthians e outros clubes que dependem do futebol para subsidiar dezenas de modalidades esportivas.

Foi nesse cenário que o Flamengo passou a ocupar linha de frente das negociações políticas.

O Flamengo entra em campo em Brasília

No dia 28 de abril, dirigentes rubro-negros participaram de audiência pública no Senado ao lado de parlamentares, confederações esportivas e representantes do esporte olímpico nacional. O encontro discutiu mecanismos para evitar que clubes associativos sejam sufocados financeiramente pela nova estrutura tributária.

O movimento ganhou força após o senador Alan Rick protocolar PEC que busca incluir clubes e entidades esportivas sem fins lucrativos em regime específico de tributação. Paralelamente, o deputado Roberto Duarte apresentou projeto de lei complementar para equiparar parcialmente a tributação dos clubes associativos ao modelo aplicado às SAFs.

Bap esteve presente nas articulações e deixou clara a posição do Flamengo. Segundo o presidente rubro-negro, a discussão não se trata de privilégio, mas de sobrevivência do esporte olímpico brasileiro. Ele destacou que clubes associativos investem milhões em modalidades que não se sustentam financeiramente sozinhas e dependem diretamente da força econômica do futebol.

O discurso possui enorme peso político porque toca justamente no principal diferencial entre SAFs e clubes associativos.

Enquanto empresas do futebol operam focadas exclusivamente no profissional masculino, instituições tradicionais sustentam ecossistemas esportivos muito mais amplos. Ginástica, remo, natação, basquete, vôlei, atletismo e esportes paralímpicos sobrevivem graças à receita gerada pelo futebol.

Se o custo tributário aumentar drasticamente, a conta inevitavelmente chegará nessas modalidades.

A pergunta que começou a incomodar: onde está Leila?

Foi exatamente nesse ponto que Mauro Cezar levantou uma questão desconfortável durante programa do UOL. Se o Palmeiras também é clube associativo e será afetado diretamente pela reforma tributária, por que Leila Pereira não lidera essa pauta junto ao Flamengo? A pergunta ganhou enorme repercussão porque contrasta diretamente com o comportamento recente da presidente palmeirense.

Nos últimos anos, Leila assumiu protagonismo público em praticamente toda disputa política envolvendo o Flamengo. Transformou embates institucionais da Libra em confronto direto entre Palmeiras e Rubro-Negro, concedeu entrevistas inflamadas e ocupou espaço constante na mídia esportiva nacional.

Só que, diante de uma pauta capaz de afetar estruturalmente o próprio Palmeiras, o silêncio passou a chamar atenção. Mauro Cezar foi direto ao afirmar que Flamengo e Palmeiras poderiam até se odiar politicamente, mas deveriam estar unidos numa discussão que ameaça diretamente os clubes associativos brasileiros.

TRANSMISSÃO AO VIVO COMPLETA:

A contradição política do momento

Existe uma ironia importante em toda essa história.

Durante o conflito entre Flamengo e Libra, Leila Pereira assumiu posição pública fortíssima, transformando o embate em espécie de cruzada política contra o clube carioca. O tema ocupou entrevistas, coletivas e manchetes durante meses. Agora, quando surge uma pauta muito maior, com impacto permanente sobre o futebol brasileiro e o esporte olímpico nacional, o protagonismo desaparece.

Mauro Cezar destacou que a discussão tributária é infinitamente mais relevante do que o debate sobre parte das receitas de transmissão que mobilizou tanta energia política recentemente. Afinal, enquanto contratos televisivos possuem prazo determinado, a nova estrutura tributária pode alterar permanentemente a sustentabilidade financeira dos clubes associativos.

A observação atinge diretamente o centro da questão. Por que tanta mobilização política para disputas menores e tão pouca atuação pública numa pauta estrutural?

O risco para o esporte olímpico brasileiro

O debate vai muito além do futebol.

O próprio projeto defendido em Brasília prevê contrapartidas ligadas ao investimento em modalidades olímpicas e paralímpicas. A lógica é simples: reduzir a pressão tributária sobre clubes associativos para preservar justamente o modelo que sustenta grande parte do esporte olímpico nacional.

Clubes como Flamengo, Minas e Pinheiros formam atletas, bancam estruturas de treinamento e carregam enorme parte do desenvolvimento esportivo brasileiro. Se essas instituições perderem capacidade financeira, o impacto não ficará restrito ao futebol. Bap chegou a alertar publicamente que modalidades podem deixar de existir caso o futebol não consiga mais subsidiar suas operações.

O alerta não é exagerado.

A história recente do esporte brasileiro mostra diversos clubes reduzindo investimentos ou encerrando modalidades por dificuldades financeiras. Aumento expressivo da carga tributária tende a acelerar ainda mais esse processo.

LEIA MAIS:

CASO PREFIRA OUVIR:

O silêncio da imprensa esportiva

Outro ponto levantado durante o debate foi a postura da própria imprensa esportiva brasileira.

Enquanto a discussão sobre reforma tributária avança silenciosamente em Brasília, grande parte da cobertura segue concentrada em polêmicas episódicas, rivalidades artificiais e narrativas de engajamento rápido. A crítica é pertinente porque o tema possui impacto estrutural gigantesco sobre o esporte brasileiro.

Salários, negociações, direitos econômicos, custos operacionais e sustentabilidade de modalidades olímpicas serão diretamente afetados pela nova tributação. Ainda assim, o espaço dedicado ao assunto continua pequeno se comparado ao volume de cobertura destinado a temas muito menos relevantes.

Talvez porque discussões estruturais exijam aprofundamento técnico, análise legislativa e estudo econômico. Já conflitos políticos superficiais geram cortes rápidos, viralização e engajamento imediato.

O Flamengo amplia protagonismo institucional

Independentemente das divergências que desperta, o Flamengo parece ter entendido algo importante antes de muitos concorrentes: as grandes disputas do futebol brasileiro deixaram de acontecer apenas dentro de campo.

Hoje, o poder institucional passa também por Brasília, pelos tribunais, pelos contratos, pelos modelos tributários e pela capacidade de articulação política. Enquanto parte do futebol brasileiro ainda opera reagindo aos acontecimentos, o Flamengo passou a atuar preventivamente em temas estruturais.

E talvez seja justamente isso que torne o silêncio de Leila Pereira ainda mais estranho. Porque, no fim das contas, a reforma tributária ameaça diretamente o Palmeiras tanto quanto ameaça o Flamengo. A diferença é que, neste momento, apenas um dos dois clubes parece disposto a liderar publicamente essa batalha.

Bap participa de evento sobre reforma tributária, e Flamengo e clubes cobram PEC de imunidade fiscal

Veja outros vídeos sobre as notícias do Flamengo:

+ SigaSer Flamengo no Twitter, no Instagram e no Youtube.

 

Comentários
Sair da versão mobile