Ex-Flamengo TV rebate Vanessa Riche: Vasco TV nunca teve o triplo de audiência e nem houve consulta

Ex-Flamengo TV rebate Vanessa Riche: Vasco TV nunca teve o triplo de audiência e nem houve consulta

Marcelo Goroditch, responsável pela estruturação da antiga FlaTV durante mais de seis anos, rebateu a declaração de Vanessa Riche de que a Vasco TV teria alcançado o triplo da audiência do canal oficial do Flamengo. A resposta ocorreu durante participação no podcast da Brabo TV, ao lado de Olivinha, após questionamento dos apresentadores Rafael Penido e Tulio Rodrigues sobre a origem dos números e uma suposta procura do departamento rubro-negro pelo projeto cruz-maltino para buscar conhecimento técnico.


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A fala de Vanessa surgiu em janeiro, quando a jornalista afirmou que “a Vasco TV dá o triplo de audiência da Flamengo TV”. Depois da repercussão, explicou que a comparação se referia a uma proporção entre alcance e tamanho das bases, não aos números absolutos dos dois canais. A mudança de enquadramento não resolveu o principal problema: faltaram indicador, período analisado, conteúdo comparado e dados públicos capazes de sustentar uma afirmação tão específica.

Audiência pode significar visualizações acumuladas, média por vídeo, espectadores simultâneos, alcance mensal, tempo assistido ou eficiência por inscrito. Dizer apenas que um canal entrega “o triplo” produz impacto, mas não permite verificar a conta. Sem delimitação técnica, a frase funciona melhor como provocação esportiva do que como informação jornalística.

Goroditch nega busca por conhecimento na Vasco TV

Vanessa também relatou que, após sua entrada no canal vascaíno, profissionais da Flamengo TV teriam procurado a estrutura rival para obter informações ou conhecer seu modelo de operação. Goroditch negou que essa iniciativa tenha partido dele ou da equipe que comandava.

Que eu saiba, não. Oficialmente, não. Eu particularmente nunca liguei para a Vasco TV”, declarou. O ex-diretor acrescentou que conheceu Vanessa pessoalmente somente depois de deixar o Flamengo e afirmou não ter sido informado sobre qualquer contato institucional com a finalidade apresentada pela jornalista. “Se alguém ligou, não me avisou. E também não veria motivos para isso”, completou.

A resposta não impede que algum profissional dos dois clubes tenha conversado informalmente, mas desmonta a ideia de uma consulta oficial conduzida pela direção da FlaTV. Goroditch estava à frente do projeto e, pela posição ocupada, seria uma das pessoas mais prováveis a participar ou autorizar uma aproximação desse tipo.

Segundo ele, quando Vanessa assumiu funções na Vasco TV, por volta de 2021, a plataforma rubro-negra já havia passado por uma transformação importante. “A FlaTV já estava voando desde 2019”, afirmou, indicando que o canal do Flamengo possuía planejamento, produção regular e estratégia digital consolidada antes do período mencionado.

O argumento não significa que uma estrutura não possa aprender com outra, independentemente do tamanho ou da audiência. Trocas entre profissionais são normais e poderiam até contribuir para o desenvolvimento das televisões oficiais. A crítica está em transformar uma possibilidade de cooperação em sinal de dependência técnica sem apresentar registros, nomes ou detalhes que confirmem a versão.

Troca de sinal não era consultoria

Goroditch reconheceu que existiam contatos entre Flamengo TV, Vasco TV, FluTV, Botafogo TV e departamentos de comunicação de outros clubes. Essas conversas, porém, atendiam principalmente a necessidades operacionais relacionadas às transmissões.

Em campeonatos de base, por exemplo, o mandante produzia as imagens e poderia compartilhar o sinal com o adversário. Quando Flamengo e Vasco se enfrentavam com mando rubro-negro, a FlaTV realizava a produção e repassava o conteúdo para a plataforma cruz-maltina. No jogo seguinte, a operação poderia ocorrer no sentido contrário.

Era um contato nessa linha”, explicou Goroditch. Questionado se havia ocorrido alguma busca por orientação técnica, respondeu que não se lembrava. A distinção é fundamental: compartilhar imagens de uma partida não equivale a procurar um rival para conhecer sua estratégia de conteúdo, gestão ou crescimento.

A cooperação entre canais oficiais é uma solução racional, especialmente em competições com menor estrutura de transmissão. Ela reduz custos, evita duplicação de equipes e permite que os torcedores dos dois clubes acompanhem a partida. Apresentar esse procedimento como uma espécie de reconhecimento da superioridade da Vasco TV seria distorcer a natureza da relação.

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O “triplo” que ninguém conseguiu localizar

Ao ser perguntado diretamente se, durante sua gestão, a Vasco TV havia registrado três vezes a audiência da Flamengo TV, Goroditch foi objetivo: “Não, realmente não”. Ele também negou recordar superioridade vascaína em números absolutos, simultâneos ou totais. “Que eu me lembre, não, enquanto eu estive lá”, concluiu.

A memória de um ex-dirigente não substitui relatórios internos ou dados certificados pelas plataformas. Goroditch não apresentou planilhas históricas de todas as transmissões, portanto sua declaração não permite afirmar matematicamente que a Vasco TV jamais superou a concorrente em um vídeo, clássico ou momento isolado.

O peso da resposta está em outro ponto. Vanessa lançou uma afirmação categórica, enquanto o responsável pela operação rubro-negra durante o período citado não reconhece a existência desse desempenho. Nesse cenário, o ônus de demonstrar o “triplo” pertence a quem apresentou a comparação, não a quem foi posteriormente chamado a negar uma conta sem origem conhecida.

Números recentes aprofundam a diferença

Um levantamento recente mostrou a Flamengo TV com 8,22 milhões de inscritos e mais de 1,269 bilhão de visualizações acumuladas, contra aproximadamente 1,6 milhão de seguidores e 209 milhões de acessos totais da Vasco TV. Em uma janela de 14 dias, o canal rubro-negro obteve 20.730.406 views, diante de 1.232.346 do rival, diferença de 16,82 vezes.

Mesmo no critério proporcional apresentado por Vanessa, a vantagem permaneceu com o Flamengo naquele recorte. A plataforma rubro-negra registrou 2,52 visualizações por inscrito, enquanto a vascaína teve 0,77. A média por publicação também ficou distante: 243.887 contra 45.642.

Esses dados atuais não servem para reconstruir automaticamente o comportamento de uma transmissão realizada anos atrás. Canais mudam de estratégia, frequência, algoritmo e programação. Ainda assim, eles mostram que a tese de uma superioridade proporcional permanente da Vasco TV não encontra sustentação no cenário recente.

A comparação também precisa considerar que televisões de clubes podem adotar modelos diferentes. Uma plataforma que publica dezenas de conteúdos curtos tende a ter desempenho distinto daquela que aposta em programas longos, entrevistas ou transmissões. O número de inscritos, isoladamente, não resolve o debate, mas a análise conjunta de alcance, média por vídeo e eficiência da base oferece um quadro mais completo.

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Uma afirmação forte exige uma conta verificável

Vanessa poderia ter apresentado um jogo, período ou relatório em que a Vasco TV alcançou desempenho três vezes superior. Também poderia delimitar se falava de audiência simultânea, proporção de inscritos conectados ou média de visualizações. Sem essas informações, a frase permaneceu ampla demais para ser comprovada e específica o suficiente para gerar repercussão.

Goroditch respondeu com a experiência de quem comandou a Flamengo TV no período mencionado, negou a procura por conhecimento técnico e explicou que os contatos mantidos com o rival eram operacionais. Sua declaração não encerra sozinha a discussão histórica, mas aumenta a necessidade de que a comparação original seja acompanhada por evidências.

O episódio mostra um problema frequente na comunicação esportiva: números são utilizados como argumento de autoridade sem que o público tenha acesso à metodologia. A rivalidade pode aceitar a provocação, porém o jornalismo exige mais. Quando alguém pede para “fazer a conta”, precisa mostrar quais valores foram usados, de onde vieram e qual operação produziu o resultado.

Até que esses elementos apareçam, o “triplo” continuará sendo uma frase sem comprovação. A realidade pública disponível aponta na direção contrária, enquanto o ex-responsável pelo canal rubro-negro afirma não ter presenciado o desempenho anunciado. A história poderia ser resolvida com dados, mas começou com uma provocação e terminou, até agora, com uma negativa direta.

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