Flamengo anuncia candidatura ao Cannes Lions com campanha Nação na ONU e amplia presença internacional da marca

O Flamengo anunciou, durante a reunião de prestação de contas do primeiro semestre de 2026, realizada na sede da Gávea, nesta quarta (17), que a campanha “Nação na ONU” está entre os trabalhos concorrentes no Cannes Lions, o principal festival internacional de criatividade, publicidade e comunicação. A revelação foi feita pelo diretor de marketing Ricardo Hinrichsen, dentro da apresentação das iniciativas estratégicas da área de comunicação e marca do clube. A candidatura coloca o Rubro-Negro em um ambiente normalmente ocupado por gigantes globais do mercado, reforçando uma estratégia que busca ampliar o alcance institucional da marca para além das quatro linhas.
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A indicação representa mais um capítulo de um movimento iniciado em 2025, quando o clube passou a ocupar espaços pouco comuns para entidades esportivas brasileiras. Em 2026, o Flamengo tornou-se integrante do programa Football for the Goals, iniciativa da Organização das Nações Unidas que reúne instituições do futebol comprometidas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O projeto aproximou a maior torcida do país de uma agenda internacional voltada a temas sociais, ambientais e de governança.
Criada pela Artplan, uma das maiores agências de publicidade do Brasil, a campanha teve como símbolo principal a presença de Zico na sede da ONU, em Nova York. O ídolo rubro-negro participou de ações ligadas ao programa e ajudou a apresentar iniciativas desenvolvidas pelo clube dentro do conceito de responsabilidade social e impacto coletivo. O objetivo não era apenas mostrar o Flamengo como uma potência esportiva, mas também como uma instituição capaz de dialogar com temas globais.
O que é o Cannes Lions
Fundado em 1954, o Cannes Lions é considerado o evento mais prestigiado da indústria mundial de criatividade. Realizado anualmente na cidade de Cannes, na França, o festival reúne agências, anunciantes, empresas de tecnologia, veículos de comunicação e marcas de todos os continentes.
Mais do que uma premiação, o encontro tornou-se um espaço de discussão sobre tendências, inovação, construção de reputação e estratégias de comunicação. Vencer ou figurar entre os concorrentes significa obter reconhecimento em um ambiente altamente competitivo, analisado por especialistas de diversas nacionalidades.
Nos últimos anos, o festival passou a premiar não apenas campanhas comerciais, mas também projetos que envolvem propósito, transformação social, sustentabilidade e impacto cultural. É justamente nesse contexto que a iniciativa rubro-negra se encaixa.
A estratégia por trás da campanha
A ação “Nação na ONU” procurou traduzir para o cenário internacional um conceito que há décadas acompanha o Flamengo: a ideia de que sua torcida ultrapassa limites geográficos, sociais e culturais.
Ao levar a expressão “Nação Rubro-Negra” para um dos principais fóruns multilaterais do planeta, a campanha buscou associar a força simbólica do clube a valores universais defendidos pela ONU. Em vez de apresentar apenas números de torcedores ou conquistas esportivas, a comunicação trabalhou a dimensão humana e cultural da comunidade flamenguista.
A iniciativa também dialoga com uma transformação observada nas maiores marcas esportivas do mundo. Clubes deixaram de atuar exclusivamente como equipes de competição e passaram a disputar espaço no mercado global de entretenimento, influência e posicionamento institucional.
Nesse cenário, projetos de impacto social tornaram-se ativos estratégicos. O Flamengo parece ter compreendido esse movimento e tenta ocupar um território que tradicionalmente era dominado por organizações europeias e ligas internacionais.
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O papel da Artplan
A campanha foi desenvolvida pela Artplan, agência fundada em 1967 por Roberto Medina e que hoje figura entre as maiores empresas de comunicação do país.
Ao longo de sua trajetória, a agência acumulou projetos para grandes marcas nacionais e internacionais, além de campanhas reconhecidas em festivais de publicidade ao redor do mundo. A parceria com o Flamengo tem produzido iniciativas que buscam conectar a paixão da torcida a narrativas de alcance mais amplo.
A escolha por uma abordagem institucional também acompanha uma tendência recente do clube. Sob a atual gestão, a marca Flamengo vem sendo trabalhada não apenas sob a perspectiva esportiva, mas como um ativo capaz de gerar valor econômico, reputacional e comercial.
Um momento de expansão da comunicação rubro-negra
O anúncio da participação em Cannes não ocorreu isoladamente. Durante a mesma apresentação, Ricardo Hinrichsen revelou outras iniciativas que demonstram o processo de modernização da área de marketing e comunicação.
Entre elas está o lançamento do novo portal oficial do Flamengo, previsto para o fim de junho. O projeto, segundo o dirigente, começou ainda em 2025 após um estudo dos principais sites de clubes esportivos do mundo. A promessa é entregar uma plataforma alinhada aos padrões internacionais de experiência digital.
Outra novidade é a retomada do controle do e-commerce pelo próprio clube. Antes terceirizada, a operação passou a ser administrada internamente, permitindo maior autonomia sobre produtos, dados e estratégias de venda.
Também foi criada uma área de CRM baseada em inteligência de dados. Segundo o dirigente, o Flamengo já possui um banco com mais de 10 milhões de CPFs cadastrados, permitindo segmentar campanhas, personalizar ofertas e aprimorar a relação com os torcedores. A estrutura tem sido apontada como uma das responsáveis pelo crescimento das receitas de bilheteria observado nos últimos meses.
Flamengo busca reconhecimento além do futebol
A presença no Cannes Lions tem um significado que vai além de uma eventual premiação. Ela simboliza a tentativa de posicionar o Flamengo em uma arena global onde reputação, criatividade e capacidade de comunicação possuem peso semelhante ao desempenho esportivo.
Nos últimos anos, o clube consolidou liderança financeira no futebol brasileiro, ampliou receitas comerciais, assumiu a gestão do Maracanã e expandiu sua atuação internacional. A candidatura da campanha “Nação na ONU” surge como mais um passo dentro dessa estratégia de fortalecimento institucional.
Se dentro de campo o Flamengo disputa títulos continentais e mundiais, fora dele a diretoria tenta colocar a marca rubro-negra em ambientes normalmente frequentados pelas maiores corporações do planeta. O resultado da premiação ainda será conhecido, mas a simples presença no principal festival de criatividade do mundo já representa um marco pouco comum na história do esporte brasileiro e evidencia uma ambição que ultrapassa as fronteiras tradicionais do futebol.
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