Flamengo aumenta receita líquida de bilheteria em 41% mesmo com um jogo a menos

Flamengo aumenta receita líquida de bilheteria em 41% mesmo com um jogo a menos
Foto: Adriano Fontes/Flamengo

O Flamengo encerrou o primeiro semestre de 2026 com R$ 67,8 milhões em receitas brutas de bilheteria e um resultado líquido de R$ 41,9 milhões, crescimento de 41,2% sobre o mesmo período do ano anterior. O avanço ocorreu mesmo com a realização de 24 partidas contabilizadas, uma a menos do que em 2025, e foi impulsionado principalmente pelos jogos do Campeonato Brasileiro, pela melhora da rentabilidade das competições e pelas duas decisões da Recopa Sul-Americana.


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Os números mostram que o Flamengo não apenas arrecadou mais nas catracas, como também conseguiu reter uma parcela maior depois de pagar as despesas necessárias para organizar as partidas. A renda bruta cresceu 23,7%, saindo de R$ 54,8 milhões para R$ 67,8 milhões, enquanto os custos diretos subiram somente 3%, de R$ 25,1 milhões para R$ 25,8 milhões. Essa diferença fez a margem líquida avançar de 54% para 62%.

A receita bruta corresponde a todo o dinheiro gerado pela venda de ingressos antes dos descontos. Já o resultado líquido é aquilo que permanece depois de gastos como aluguel, operação do estádio, segurança, controle de acesso, equipes de apoio, taxas, tributos e demais despesas relacionadas à realização dos eventos.

Flamengo arrecada mais e gasta quase o mesmo

A principal evolução está na distância entre o crescimento das receitas e o comportamento das despesas. O clube colocou quase R$ 13 milhões a mais na bilheteria, mas desembolsou apenas R$ 753 mil acima do registrado no primeiro semestre anterior. Como consequência, o resultado líquido aumentou R$ 12,2 milhões, passando de R$ 29,7 milhões para R$ 41,9 milhões.

A média bruta por partida subiu de aproximadamente R$ 2,2 milhões para R$ 2,8 milhões. Depois dos custos, o valor retido por jogo avançou de cerca de R$ 1,2 milhão para R$ 1,75 milhão. A comparação indica que o calendário de 2026 foi financeiramente mais rentável, embora o balanço não permita concluir sozinho se o crescimento veio de ingressos mais caros, maior ocupação, mudança no perfil das partidas ou combinação desses fatores.

A melhora também não significa que todas as competições apresentaram o mesmo desempenho. O Campeonato Carioca perdeu arrecadação, enquanto o Brasileiro assumiu uma participação maior. Recopa, Libertadores e Copa do Brasil ajudaram a elevar a margem, cada uma com características próprias de público, demanda e custos.

Brasileiro lidera arrecadação

O Campeonato Brasileiro foi a principal fonte de bilheteria do semestre. Em oito jogos, o Flamengo arrecadou R$ 37,2 milhões, pagou R$ 12,5 milhões em despesas diretas e ficou com R$ 24,7 milhões. A margem chegou a 66%, acima dos 61% registrados em 2025.

No mesmo intervalo do ano anterior, seis partidas haviam gerado R$ 22 milhões brutos e R$ 13,4 milhões líquidos. A receita aumentou 69%, enquanto o valor retido pelo clube avançou 83,7%. O acréscimo de dois jogos explica parte da evolução, mas não todo o movimento, pois a média bruta por confronto passou de aproximadamente R$ 3,7 milhões para R$ 4,7 milhões.

O desempenho foi favorecido por partidas de grande apelo no Maracanã. O confronto com o Palmeiras, por exemplo, teve ingressos esgotados antecipadamente, recebeu mais de 71 mil pessoas e produziu o maior lucro de bilheteria do Flamengo na temporada até aquele momento.

Recopa apresenta a maior margem

A Recopa Sul-Americana produziu R$ 8,8 milhões em receita bruta e R$ 6,7 milhões líquidos, com margem de 76%, a maior entre as competições disputadas pelo futebol profissional no período. Os custos ficaram em R$ 2,1 milhões.

O balanço contabiliza uma partida sob essa rubrica. O resultado mostra o peso financeiro de um evento decisivo, no qual a procura costuma ser maior e a venda de ingressos pode ser concentrada em faixas de preço superiores. Apesar disso, o documento não apresenta público, ocupação ou preço médio, informações necessárias para relacionar a rentabilidade ao comportamento da torcida.

A Libertadores teve desempenho mais estável. Em três jogos, a arrecadação caiu ligeiramente, de R$ 10,5 milhões para R$ 10,1 milhões, mas o resultado líquido aumentou de R$ 6,1 milhões para R$ 6,3 milhões. A margem passou de 58% para 62%, principalmente porque as despesas diminuíram de R$ 4,4 milhões para R$ 3,8 milhões.

Na Copa do Brasil, uma partida gerou R$ 2,9 milhões brutos e R$ 1,3 milhão líquido. Em 2025, o jogo contabilizado havia produzido R$ 1,1 milhão em renda e somente R$ 342 mil depois dos custos. A margem avançou de 30% para 46%, embora o universo de apenas um confronto por temporada recomende cautela antes de transformar o crescimento em tendência.

Carioca perde espaço no semestre

O Campeonato Carioca seguiu a direção contrária. A receita bruta caiu de R$ 21,2 milhões para R$ 8,6 milhões, enquanto o resultado líquido recuou de R$ 9,8 milhões para R$ 3,8 milhões. O número de partidas diminuiu de 15 para 11, mas a média de arrecadação também foi menor.

A margem permaneceu próxima, passando de 47% para 44%. Isso significa que a queda não foi causada apenas por uma explosão dos custos, mas por uma redução expressiva do dinheiro gerado pelos jogos. O torneio consumiu R$ 4,8 milhões em despesas e deixou menos de R$ 4 milhões para o clube.

A comparação reforça a diferença entre competições de menor apelo e partidas nacionais ou internacionais com demanda elevada. O Flamengo consegue elevar preços e ocupação em grandes eventos com mais facilidade, enquanto o Estadual exige uma operação que nem sempre encontra resposta proporcional nas arquibancadas.

Basquete reduz o resultado consolidado

A tabela inclui ainda R$ 168 mil em receitas atribuídas ao basquete e R$ 1 milhão em custos diretos. O segmento produziu resultado negativo de R$ 859 mil e reduziu o ganho consolidado da bilheteria. Sem essa rubrica, o futebol profissional havia gerado R$ 42,8 milhões líquidos, com margem de 63%.

O balanço não informa a quantidade de partidas de basquete utilizada nesse cálculo nem detalha quais despesas foram incluídas. A ausência impede avaliar o custo médio por evento, o público necessário para atingir o equilíbrio ou o impacto de jogos disputados em diferentes ginásios.

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Quanto o crescimento custou ao torcedor?

Os números financeiros são positivos para o Flamengo, mas não respondem sozinhos à pergunta mais importante para quem frequenta o Maracanã. A demonstração não informa o preço médio efetivamente pago, o total de ingressos vendidos, a ocupação dos setores, a quantidade de gratuidades, os descontos concedidos aos sócios-torcedores nem a proporção de entradas mais caras.

Sem esses dados, não é possível afirmar quanto do crescimento veio da presença de mais pessoas, de reajustes nas tabelas ou de uma combinação entre demanda, calendário e política comercial. A receita média por partida aumentou, mas o balanço não revela como esse avanço foi distribuído entre os diferentes públicos.

Também falta uma abertura das despesas. A redução relativa dos custos representa um ganho de eficiência, porém não permite saber se houve economia em aluguel, segurança, limpeza, logística, taxas ou outros serviços. Uma prestação de contas mais detalhada ajudaria a compreender quais medidas permitiram elevar a margem de 54% para 62%.

O Flamengo demonstrou maior capacidade de transformar seus jogos em resultado financeiro, com destaque para o Campeonato Brasileiro e para a Recopa. A evolução fortalece uma fonte de receita controlada diretamente pelo clube e menos dependente das emissoras ou das vendas de atletas. Esse crescimento, entretanto, precisa ser acompanhado de uma política que preserve o acesso popular, porque a rentabilidade do Maracanã não deve ser construída pelo afastamento da parcela da torcida que sustenta a atmosfera e a identidade rubro-negra.

O desafio dos próximos balanços será mostrar não apenas quanto entrou no caixa, mas como o resultado foi alcançado. Arrecadar R$ 41,9 milhões líquidos com um jogo a menos representa um avanço econômico relevante; explicar preços médios, ocupação, gratuidades e despesas operacionais permitirá saber se o modelo também é sustentável para quem está do outro lado da catraca.

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