Flamengo cria código de conduta para entrevistas após declarações de Cebolinha
A derrota para o Lanús, na prorrogação, no Maracanã, que custou ao Flamengo a Recopa Sul-Americana, não terminou no apito final. Minutos depois, na zona mista, Everton Cebolinha afirmou que deixará o clube ao fim do contrato, em 31 de dezembro. A declaração, dada ainda sob o impacto da segunda taça perdida em menos de um mês, agravou o ambiente interno e levou a diretoria a advertir o atacante e criar um código de conduta para entrevistas. A informação é do jornalista Mauro Cezar Pereira.
Ouça nossas análises e entrevistas sobre a eleição do Flamengo no seu agregador de podcast preferido: Spotify, Deezer, Amazon, iTunes, Youtube Music, Castbox e Anchor.
A fala viralizou rapidamente. O contexto era o pior possível: um estádio frustrado, um elenco pressionado e uma comissão técnica já questionada por parte da torcida. Ao anunciar que não permanecerá, o camisa 11 deslocou o foco da análise esportiva para o debate sobre comprometimento e planejamento. Internamente, a informação de que ele não renovaria já era conhecida. Torná-la pública naquele instante foi o que incomodou.
A declaração e o timing
Não se trata de proibir jogador de falar. O repórter pergunta o que quiser, o atleta responde como achar adequado. O ponto é o momento. Após uma decisão perdida, qualquer frase ganha peso dobrado. Ao dizer que sairá, Cebolinha passou a mensagem de que seu ciclo está encerrado enquanto a temporada ainda pede resposta.
Em 2024, episódio semelhante ocorreu quando Gabigol anunciou despedida em meio à comemoração do título da Copa do Brasil. Lá, a festa foi ofuscada. Agora, a crise ganhou combustível. A diferença é que, desta vez, não havia troféu para suavizar o impacto.
O investimento e o retorno
Contratado em junho de 2022 por cerca de 15 milhões de euros, operação que ultrapassou R$ 80 milhões à época, Cebolinha chegou como reforço de peso. O desempenho, porém, oscilou entre lampejos e longos períodos de ausência. Nos últimos 22 meses, acumulou quase 300 dias fora por lesões. A ruptura do tendão de Aquiles, em agosto de 2024, o afastou por mais de 170 dias.
O departamento médico tornou-se argumento central para a diretoria não acelerar uma renovação. O atacante é visto como investimento alto para entrega irregular. Mesmo quando viveu seu melhor momento, sob o comando de Tite, antes da lesão grave, não conseguiu manter sequência prolongada.
Há mercado para ele. Também é provável que saia sem gerar nova compensação financeira relevante. A discussão que emerge é outra: o que, de fato, o clube recebeu em campo proporcionalmente ao aporte feito?
TRANSMISSÃO AO VIVO COMPLETA:
Código de conduta ou mordaça?
A resposta institucional foi a criação de um protocolo para entrevistas. A ideia, segundo dirigentes, é evitar declarações que prejudiquem o clube ou ampliem crises. Jogadores deverão alinhar previamente temas sensíveis com a assessoria de imprensa.
Surge o debate sobre liberdade de expressão. Existe diferença entre censura e orientação. Clubes europeus adotam media training há anos. O problema não é preparar o atleta. É quando a preparação vira controle excessivo. No caso atual, a medida parece mais reação a um erro de timing do que tentativa de silenciar vozes.
Desconexão com o momento
A fala de Cebolinha não foi um episódio isolado. Outros jogadores e membros da comissão minimizaram críticas recentes com base em conquistas passadas. O discurso de que “já vivemos isso antes” ou de que “fizemos um grande jogo” após atuações contestáveis alimenta a percepção de descolamento da realidade.
O torcedor cobra intensidade e foco imediato. Quando escuta justificativas que relativizam desempenho, a irritação cresce. Em ambiente de alta exigência, comunicação é parte do rendimento. Palavras podem incendiar ou acalmar.
VEJA MAIS:
CASO PREFIRA OUVIR:
O que fica para a temporada
O Flamengo inicia o restante do calendário sob tensão. Perdeu duas decisões em 26 dias e precisa reorganizar discurso e desempenho. A diretoria tenta proteger a instituição de ruídos adicionais. O elenco, por sua vez, precisa transformar cobrança em reação prática.
Cebolinha seguirá até dezembro, ao que tudo indica. A questão agora não é apenas contratual. É simbólica. Em um clube acostumado a protagonismo, qualquer sinal de desligamento antecipado ecoa mais alto do que deveria.
Veja outros vídeos sobre as notícias do Flamengo:
—
+ Siga o Ser Flamengo no Twitter, no Instagram e no Youtube.
Descubra mais sobre Ser Flamengo
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.