Flamengo encerra duas modalidades olímpicas e dispensa Isaquias Queiroz

Flamengo encerra duas modalidades olímpicas e dispensa Isaquias Queiroz
Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

O Flamengo decidiu encerrar, no fim de 2025, sua participação em duas modalidades olímpicas que carregavam significados distintos, mas igualmente simbólicos: a canoagem, representada por Isaquias Queiroz, um dos maiores nomes da história do esporte brasileiro, e o pararemo, única modalidade paralímpica mantida pelo clube até então. A informação veio a público na manhã desta segunda-feira (5), inicialmente pela coluna de Lauro Jardim, e foi confirmada horas depois por meio de nota oficial do próprio clube.


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A decisão partiu da atual gestão, comandada por Luiz Eduardo Baptista, o Bap, e provocou reação imediata nas redes sociais, especialmente pela discrepância entre o peso institucional do Flamengo e o custo apontado para manter o pararemo. Segundo a apuração publicada, o investimento mensal girava em torno de dez mil reais, valor irrisório diante da realidade financeira do clube mais rico do país.

No caso da canoagem, o anúncio ganhou contornos ainda mais delicados. Isaquias Queiroz, campeão olímpico e dono de cinco medalhas em Jogos Olímpicos, vestiu o manto rubro-negro por cerca de sete anos. Sua imagem sempre esteve associada à excelência esportiva e à representatividade internacional. Ao comunicar o fim do vínculo, o Flamengo optou por um tom institucional, exaltando a trajetória do atleta e ressaltando o legado deixado no clube.

Na nota oficial, o clube afirmou que a decisão faz parte de uma “avaliação estratégica” alinhada às premissas do esporte olímpico rubro-negro. O texto destaca que Isaquias e outros atletas da modalidade não residem nem treinam no Rio de Janeiro, o que, segundo a diretoria, inviabilizaria a consolidação de um trabalho estruturado de base e a formação de novos talentos, considerados pilares do projeto esportivo.

Essa justificativa, embora coerente do ponto de vista administrativo, abre espaço para questionamentos. A canoagem, por suas características naturais, não depende necessariamente de centros urbanos específicos, e o Rio de Janeiro, historicamente, sempre foi um polo esportivo com diversidade de ambientes aquáticos. O debate, portanto, extrapola a simples questão logística e esbarra em prioridades institucionais.

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Já o encerramento do pararemo expôs uma contradição mais sensível. Além de ser a única modalidade paralímpica do Flamengo, o custo divulgado não sustenta, isoladamente, uma decisão dessa magnitude. Não se trata de um projeto deficitário de milhões, como ocorre em outros departamentos esportivos.

Na nota, o clube agradeceu aos atletas Michel Pessanha, Jéssica Guerra, Diana Barcelos e Valdenir Júnior, reconhecendo a dedicação e o espírito esportivo de cada um. O reconhecimento, no entanto, não elimina o impacto simbólico de abandonar um espaço que dialoga diretamente com inclusão, diversidade e responsabilidade social.

O contraste se torna ainda mais evidente quando comparado a outros debates recentes dentro do clube, como os custos do futebol feminino ou investimentos em modalidades com retorno esportivo e midiático discutível. Dez mil reais mensais não representam um obstáculo real para uma instituição que bate recordes sucessivos de arrecadação.

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Diante disso, a decisão ainda carece de um debate mais profundo. Não se trata apenas de encerrar modalidades, mas de definir qual é o papel de um clube do tamanho do Flamengo no esporte brasileiro para além do futebol profissional. A ausência de maiores detalhes impede uma avaliação definitiva, mas o movimento acende um alerta sobre o caminho escolhido pela atual gestão no esporte olímpico e paralímpico.

O tempo dirá se a estratégia trará os resultados esperados. Por ora, fica a sensação de que o Flamengo, ao mesmo tempo em que celebra sua grandeza financeira e institucional, opta por reduzir sua presença em áreas que historicamente ajudaram a construir sua imagem como clube poliesportivo e popular.

Nota do Flamengo na íntegra:

O Flamengo se orgulha de ter contado em sua equipe com Isaquias Queiroz, um dos maiores atletas da história do esporte olímpico brasileiro. Campeão olímpico, com cinco medalhas em Jogos, e referência mundial na canoagem, Isaquias vestiu o Manto Sagrado por cerca de 7 anos nesta última passagem, encerrando seu ciclo no clube de forma marcante e deixando um legado de conquistas que nos orgulha. 

Dentro de uma avaliação estratégica alinhada às premissas que norteiam o esporte olímpico do Flamengo, o clube encerra sua participação na modalidade canoagem. A decisão está em consonância com a filosofia rubro-negra de aliar excelência competitiva ao investimento contínuo na formação, no desenvolvimento de atletas e no fortalecimento das modalidades a partir de estruturas permanentes.

Atualmente, tanto Isaquias Queiroz como Gabriel Assunção, Mateus dos Santos e Valdenice do Nascimento não residem nem realizam seus treinamentos no Rio de Janeiro. Esse contexto inviabiliza a consolidação de um trabalho estruturado de base e a formação de novos talentos, pilares fundamentais do projeto esportivo do Flamengo e parte essencial do seu DNA histórico.

O Flamengo agradece a Isaquias Queiroz, a Gabriel Assunção, a Mateus dos Santos, a Valdenice do Nascimento e a Roberto Maehler por todo o profissionalismo, dedicação e pelas conquistas alcançadas durante o período em que defenderam o Manto Sagrado, e deseja pleno sucesso na continuidade de suas trajetórias esportivas.

O Clube de Regatas do Flamengo também encerra sua participação no pararemo. O clube agradece aos atletas Michel Pessanha, Gessyca Guerra, Diana Barcellos e Valdenir Junior por representarem o Manto Sagrado com dedicação, comprometimento e espírito esportivo, contribuindo para a história rubro-negra no paradesporto. O Flamengo reconhece a importância de suas trajetórias e deseja pleno êxito na continuidade de suas carreiras”.

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