Flamengo rebate Landim na justiça e diz que ex-presidente tenta tumultuar processo

O Flamengo endureceu o tom contra Rodolfo Landim em uma manifestação apresentada à Justiça e afirmou que o ex-presidente tenta “tumultuar o bom andamento do processo” e se “imiscuir em questões internas” do clube. A resposta foi apresentada no início de setembro, no processo movido por Landim contra o impedimento que o afastou dos órgãos políticos da associação. O caso envolve a reforma estatutária que estabeleceu regras mais claras para situações de conflito de interesses e pode ter impacto direto sobre a participação do ex-dirigente na próxima eleição presidencial.
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A manifestação do Flamengo ocorreu enquanto o futebol profissional estava concentrado na disputa da Libertadores, mas o ambiente político da Gávea seguia marcado pelo confronto entre o atual grupo dirigente e o ex-presidente. O clube contestou os argumentos apresentados por Landim em uma petição protocolada anteriormente e sustentou que sua condição de ex-presidente, sócio benemérito e integrante permanente dos Conselhos Deliberativo e de Administração não lhe concede liberdade para atuar em desacordo com o estatuto.
O que o Flamengo contestou
Na manifestação, o clube classificou como vazios os argumentos apresentados por Landim e afirmou que eles teriam como objetivo desviar a discussão central do processo. O Flamengo também considerou descabido o pedido do ex-presidente para que determinados documentos fossem apresentados judicialmente.
A disputa começou depois que uma alteração estatutária passou a estabelecer de maneira mais explícita restrições para associados que mantenham vínculos relevantes com outras agremiações esportivas. A intenção da regra é evitar que pessoas com participação política dentro do Flamengo tenham, simultaneamente, interesses empresariais ou administrativos relacionados a outro clube.
A norma não impede o associado de frequentar a sede ou utilizar as estruturas rubro-negras. A restrição está relacionada ao exercício de direitos políticos, como participar dos conselhos, votar e ser votado.
Foi nesse contexto que Landim foi comunicado de que não poderia continuar exercendo suas funções políticas no clube. O Flamengo entende que o ex-presidente se enquadra na regra por ser sócio da LG2 Consultoria e Gestão Esportiva, empresa que participou da estruturação e gere a SAF do Confiança, de Sergipe.
Landim contesta o impedimento
Landim foi à Justiça em julho para tentar derrubar o ato que o afastou do Conselho Deliberativo. Entre os pedidos estava uma tutela de urgência para que pudesse voltar a participar das atividades políticas do Flamengo antes do julgamento definitivo da ação.
O pedido foi rejeitado em primeira instância. Na decisão, a Justiça analisou os documentos apresentados no processo e reconheceu, segundo a manifestação discutida no caso, a existência do vínculo societário apontado pelo Flamengo.
O ex-presidente sustenta, porém, que sua atuação no Confiança ocorreu como consultor e que nunca ocupou cargo de gestão na agremiação. Para Landim, a reforma estatutária teria sido utilizada com finalidade política e poderia inviabilizar uma eventual candidatura à presidência do Flamengo.
A resposta do clube procura justamente afastar essa interpretação. Para a atual administração, a questão não está relacionada à condição de Landim como ex-presidente ou adversário político, mas à aplicação de uma regra aprovada pelo próprio Flamengo.
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A comparação com Marcos Motta
Um dos principais argumentos apresentados por Landim envolve Marcos Motta, integrante da atual gestão e sócio de um escritório de advocacia que presta serviços a clubes e entidades esportivas. O ex-presidente questiona por que Motta não teria sofrido impedimento semelhante.
A comparação, entretanto, é contestada pela interpretação apresentada no processo. A diferença apontada está na natureza dos vínculos. Landim possui participação societária em uma empresa relacionada à estruturação e gestão da SAF do Confiança, enquanto Marcos Motta não ocupa cargo de comando em outro clube.
Isso não significa que a situação de Motta esteja definitivamente afastada do debate. Há questionamentos internos sobre a possibilidade de suas atividades profissionais configurarem algum tipo de conflito de interesses, e o próprio caso vem sendo analisado dentro do Flamengo. A diferença, neste momento, é que não há nos elementos apresentados a mesma relação societária atribuída a Landim.
O episódio mostra, portanto, que a nova regra estatutária poderá produzir discussões além do caso do ex-presidente. A aplicação do conceito de conflito de interesses a dirigentes, conselheiros e profissionais ligados ao clube tende a exigir critérios objetivos para evitar interpretações diferentes conforme o grupo político envolvido.
O acesso a informações sensíveis
O Flamengo também trabalha com uma justificativa que vai além da participação formal em conselhos. Pessoas que ocupam posições políticas dentro de uma associação esportiva têm acesso a informações estratégicas, financeiras e administrativas que podem não estar disponíveis ao público.
Esse é um dos fundamentos que sustentam a preocupação com conflitos de interesses. Um dirigente que tenha simultaneamente uma relação relevante com outra agremiação pode, em tese, ter contato com informações capazes de interessar a terceiros. O debate não pressupõe que exista necessariamente uso indevido desses dados, mas discute se determinadas relações são compatíveis com a atuação política dentro do clube.
A questão ganhou dimensão no Flamengo justamente porque Landim não é um associado comum. Presidente entre 2019 e 2024, ele permanece como uma figura de influência na política rubro-negra e integra permanentemente estruturas importantes da associação. Por isso, sua exclusão dos órgãos políticos tem consequência direta sobre a formação do cenário eleitoral.
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O processo ainda não terminou
A decisão de primeira instância não encerrou a disputa. Landim recorreu e busca garantir seus direitos políticos e associativos, incluindo participação em assembleias, votações e deliberações dos poderes do Flamengo. Também pretende que a Justiça reconheça a inexistência do impedimento previsto no estatuto.
Enquanto o recurso não for julgado, permanece o entendimento que o impede de participar das reuniões dos conselhos e de exercer os direitos políticos afetados pela nova regra. A consequência mais relevante está justamente na possibilidade de uma candidatura presidencial. Caso o impedimento seja mantido, Landim terá sua participação na próxima eleição diretamente comprometida.
A resposta apresentada pelo Flamengo acrescenta um componente político importante ao processo. Ao afirmar que o ex-presidente não possui “carta branca” para atuar em desacordo com o estatuto e ao acusá-lo de tentar tumultuar a discussão, o clube deixa claro que pretende defender judicialmente a validade da reforma aprovada.
A disputa, portanto, não se resume à permanência de Landim nos conselhos. O processo coloca em discussão quais vínculos empresariais ou profissionais são compatíveis com o exercício de funções políticas no Flamengo e como essas regras deverão ser aplicadas a todos os associados. Com a próxima eleição já no horizonte, a decisão da Justiça poderá definir não apenas o futuro político de Landim, mas também estabelecer um precedente para a maneira como o clube tratará conflitos de interesses daqui em diante.
Landim processa o Flamengo e tenta anular regra que barra vínculos com SAFs
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