Seis meses depois de uma das publicações mais controversas envolvendo o debate sobre a Libra e os direitos de transmissão do futebol brasileiro, a coluna assinada por Danilo Lavieri segue no ar sem qualquer correção, errata ou atualização. O conteúdo, publicado em outubro de 2025, apontava que o então ex-presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, teria concordado e assinado critérios de divisão de receitas por audiência, informação que, à luz dos documentos e das reuniões posteriores, é contestada por diferentes agentes envolvidos no processo.
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A data simbólica foi alcançada no último dia 6 de abril. Meio ano após a publicação original, o material continua disponível ao público, mantendo versões que são questionadas por dirigentes e por quem acompanha de perto a construção do modelo de divisão de receitas da Libra. A permanência do conteúdo sem revisão reacende o debate sobre responsabilidade editorial, apuração e os limites entre interpretação e informação factual.
O ponto de origem da controvérsia
A publicação inicial se apoiava na divulgação de um documento com assinatura eletrônica atribuída a Landim, que, segundo a coluna, validaria critérios específicos de rateio dos 30% das receitas ligados à audiência. O problema central não está apenas na interpretação, mas no que o documento efetivamente representava.
De acordo com a análise posterior de bastidores e dos próprios registros das reuniões, o documento citado dizia respeito à formalização da entrada do Flamengo na Libra e à assinatura do estatuto da entidade, e não à definição final dos critérios de distribuição por audiência. Esse ponto é crucial.
A diferença entre aderir institucionalmente a uma liga e aprovar regras detalhadas de divisão de receitas não é apenas técnica. Ela muda completamente o sentido da informação.
O documento e o corte que mudou a narrativa
Um dos elementos mais questionados da matéria é a forma como o documento foi apresentado. Trechos relevantes teriam sido omitidos, especialmente uma tabela que indicava que os critérios de divisão por plataforma ainda estavam em aberto, sem definição consolidada.
Esse detalhe, longe de ser secundário, desmonta a premissa de que haveria uma aprovação formal dos critérios. A ausência dessa parte no material divulgado gerou uma leitura incompleta do conteúdo original.
Como aponta o próprio debate posterior, “ele corta essa tabela […] porque essa tabela desmonta toda a matéria”
A crítica não se limita à interpretação. Ela recai sobre a edição do material apresentado ao público.
A cronologia das reuniões e o vazio de decisão
Outro ponto que fragiliza a versão original está na linha do tempo das reuniões da Libra. Em setembro de 2024, houve a formalização da criação da liga e a adesão dos clubes. Em dezembro, foi assinado o contrato com a Globo. No entanto, os critérios de divisão dos 30% por audiência permaneceram indefinidos.
A própria convocação de reuniões em 2025 para discutir esses parâmetros evidencia que não havia decisão consolidada. Em maio, uma assembleia foi convocada especificamente para tratar do tema. A reunião foi interrompida sem deliberação e retomada posteriormente, sem consenso.
Se houvesse definição anterior, a discussão simplesmente não faria sentido.
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As contradições internas
A análise do conteúdo publicado revela inconsistências dentro da própria narrativa apresentada. Em diferentes trechos, a coluna sustenta que havia unanimidade em decisões que, ao mesmo tempo, teriam sido rediscutidas posteriormente.
Esse tipo de contradição levanta questionamentos sobre o rigor da apuração. Não se trata apenas de divergência de interpretação, mas de incompatibilidade lógica entre os fatos apresentados.
Outro ponto levantado é a atribuição à nova gestão do Flamengo de uma tentativa de mudança de critérios que, segundo os registros, ainda não existiam formalmente. A crítica central é direta: não se pode alterar algo que não foi previamente definido.
O papel da empresa intermediária e a antecipação de pagamentos
A controvérsia também envolve a atuação da Matos Projects, empresa ligada à gestão da Libra. Em julho de 2025, antes de qualquer aprovação unânime, a empresa teria orientado a Globo a realizar pagamentos com base em um cenário específico.
A decisão teria sido tomada sem deliberação formal dos clubes, o que reforça a tese de que os critérios ainda estavam em construção. A existência de múltiplos cenários apresentados ao longo das reuniões confirma esse ambiente de indefinição.
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Seis meses depois, o debate permanece
A ausência de qualquer correção na matéria original se torna o principal ponto de crítica. Em um ambiente onde a informação circula rapidamente e influencia percepções, a manutenção de um conteúdo contestado levanta preocupações sobre o impacto a longo prazo.
A crítica vai além do episódio isolado. Ela toca em um problema estrutural do jornalismo esportivo contemporâneo, onde a velocidade da publicação muitas vezes supera o cuidado com a verificação completa.
Como sintetiza a análise feita posteriormente, trata-se de um caso em que “a desinformação segue no ar […] sem qualquer tipo de retificação”
Entre narrativa e responsabilidade
O episódio revela mais do que uma disputa entre versões. Ele expõe a complexidade de um modelo de negócio ainda em construção e a dificuldade de traduzi-lo de forma precisa ao público.
No centro desse cenário está o Flamengo, um dos principais atores do processo, que defende a necessidade de critérios claros antes da implementação de qualquer modelo de divisão.
Seis meses depois, o debate não se encerrou.
Ele apenas mudou de lugar.
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