Influenciador esculacha PVC e Danilo Lavieri pela parcialidade e contradições no caso Flamengo x Libra

A disputa entre Flamengo e Libra ultrapassou os tribunais, os bastidores políticos e as assembleias de clubes. O caso se transformou também em um debate sobre jornalismo esportivo, narrativa e responsabilidade na cobertura de temas jurídicos complexos. Nos últimos meses, diversos vídeos, fios no X e análises independentes passaram a revisitar a atuação de parte da imprensa paulista durante o conflito envolvendo os critérios de divisão das receitas de audiência da Libra. Dentro desse movimento, um dos posicionamentos que mais repercutiram foi o do influenciador David Jones, que dedicou longo trecho de uma live para criticar duramente a cobertura feita por nomes como PVC e Danilo Lavieri.
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O vídeo, repercutido em transmissão posterior do Canal Ser Flamengo, reconstrói cronologicamente o caso e acusa parte da mídia esportiva de abandonar o compromisso com a informação para assumir uma postura de alinhamento político e narrativo com Leila Pereira e o Palmeiras. A crítica não ficou restrita a opiniões clubistas. O foco central da análise foi justamente a diferença entre opinião e informação factual. Segundo David Jones, o problema nunca esteve em jornalistas discordarem da postura do Flamengo, mas em propagarem como fato algo que sequer existia documentalmente: a suposta assinatura de Rodolfo Landim concordando com critérios definitivos para a divisão dos 30% da audiência.
A repercussão ganhou ainda mais força porque ocorreu justamente após o acordo firmado entre Flamengo e Libra, que garantiu cerca de R$ 150 milhões extras ao Rubro-Negro até 2029 e reconheceu, na prática, a insuficiência do modelo anterior defendido por parte da imprensa.
A origem da narrativa da “assinatura”
Para entender o tamanho da crítica feita por David Jones, é necessário voltar ao segundo semestre de 2025.
Naquele momento, o Flamengo questionava judicialmente a ausência de definição clara sobre os critérios de divisão dos 30% das receitas de audiência previstos no contrato da Libra. O clube sustentava que o Anexo 1 do estatuto não regulamentava adequadamente os pesos por plataforma, exigência considerada central para validar os repasses. Além disso, argumentava que qualquer definição dependia de unanimidade entre os clubes filiados, conforme previsto no próprio estatuto da associação.
Foi nesse ambiente que começou a circular, em programas esportivos e colunas jornalísticas, a tese de que Rodolfo Landim já havia assinado concordando integralmente com os critérios de divisão. A narrativa ganhou enorme repercussão após Danilo Lavieri apresentar, ao vivo, um documento que seria a suposta prova definitiva da concordância rubro-negra.
O problema apontado por David Jones é que o documento exibido não comprovava aquilo que o jornalista afirmava. Segundo a análise apresentada na live, tratava-se de um recorte incompleto do material ligado à adesão do Flamengo à Libra, sem a regulamentação específica da divisão por plataformas que estava justamente no centro da disputa jurídica.
“Assinou e não leu”: a frase que virou símbolo
A crítica de David Jones também atinge diretamente Paulo Vinícius Coelho.
Durante a cobertura do caso, PVC publicou coluna afirmando que o Flamengo havia assinado o acordo e, portanto, deveria arcar com as consequências de eventual falta de leitura ou interpretação equivocada. A frase “assinou e não leu, o problema é seu” rapidamente se espalhou nas redes sociais e passou a ser utilizada como síntese da narrativa predominante em parte da imprensa paulista.
Só que, conforme relembra David Jones, a própria evolução posterior do caso enfraqueceu profundamente essa tese.
A Justiça acolheu parte relevante das alegações do Flamengo. A Libra precisou renegociar critérios. O Rubro-Negro conseguiu ampliar sua participação financeira no acordo até 2029. E, principalmente, consolidou-se a percepção de que o estatuto realmente possuía lacunas importantes na regulamentação dos critérios de audiência. Mesmo assim, praticamente não houve correção pública proporcional ao peso da acusação inicial.
A imprensa como “assessoria” de Leila Pereira
Talvez o trecho mais contundente da fala de David Jones tenha sido a acusação de que parte da imprensa paulista teria atuado como “assessoria de imprensa da Leila Pereira”.
A crítica surge a partir da repetição de frases e narrativas semelhantes entre dirigentes palmeirenses e comentaristas esportivos durante o auge da crise. Jones cita como exemplo expressões como “que joguem sozinhos”, utilizadas inicialmente em análises jornalísticas e posteriormente incorporadas ao discurso público de Leila.
A observação ganhou força justamente porque, posteriormente, o próprio Palmeiras passou a discutir saída da Libra, cenário muito diferente daquele retratado anteriormente quando o Flamengo era acusado de colocar em risco o bloco comercial.
TRANSMISSÃO AO VIVO COMPLETA:
O acordo que desmontou parte da narrativa
A live de David Jones acontece já num contexto diferente do auge da crise.
Naquele momento, Flamengo e Libra já haviam chegado a um acordo que garantiu cerca de R$ 150 milhões adicionais ao Rubro-Negro até 2029. O detalhe mais importante é que o acordo foi aprovado por unanimidade, inclusive com adesão do Palmeiras.
A contradição apontada por Jones é justamente essa: se o Flamengo estava completamente errado em seus questionamentos, por que os clubes aceitaram posteriormente renegociar os critérios e ampliar os valores destinados ao Rubro-Negro?
A pergunta nunca foi respondida diretamente por parte relevante da cobertura esportiva.
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O trecho final da análise talvez seja o mais importante.
David Jones argumenta que o episódio revelou um problema estrutural do jornalismo esportivo atual: a dificuldade crescente de separar informação, torcida, narrativa política e busca por engajamento. Segundo ele, o Flamengo se tornou alvo preferencial porque representa ameaça econômica, esportiva e midiática à hegemonia histórica do eixo paulista dentro da cobertura nacional.
Independentemente de concordâncias ou divergências, o fato é que o caso Flamengo x Libra deixou marcas profundas na relação entre torcedores e imprensa esportiva. A crise não expôs apenas divergências jurídicas sobre contratos e critérios de audiência. Ela revelou também uma crescente desconfiança pública sobre a forma como determinados temas são cobertos, enquadrados e narrados.
E talvez seja justamente esse o maior problema para parte da imprensa.
Porque contratos podem ser renegociados. Critérios podem ser redefinidos. Clubes podem fazer acordos. Mas credibilidade perdida dificilmente é recuperada apenas fingindo que nada aconteceu.
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