Integrante da Urubuzada recebe homenagem na Alerj e simboliza avanço das mulheres nas torcidas organizadas

A integrante da torcida organizada Urubuzada, Isabella Gusmão, foi uma das homenageadas pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) durante cerimônia realizada no plenário do Edifício Lúcio Costa, dentro da programação do Mês das Mulheres. A iniciativa, proposta pela deputada Mônica Francisco Zeidan, reuniu torcedoras de diferentes clubes cariocas com o objetivo de reconhecer a atuação feminina nas arquibancadas e fortalecer o debate sobre respeito, segurança e representatividade no ambiente do futebol.
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Homenagem que ecoa nas arquibancadas
Representando o Flamengo e a Urubuzada, Isabella levou para a solenidade a simbologia de uma trajetória construída desde a infância. Filha de Vitor Gusmão, conhecido como Vitinho, fundador da torcida, ela cresceu entre bandeiras, instrumentos e caravanas. Hoje integra a bateria Abuzada e também atua como musa do bloco carnavalesco ligado ao movimento, consolidando uma presença que mistura tradição familiar e protagonismo próprio.
A homenagem foi interpretada pela organizada como um reconhecimento coletivo. Em nota divulgada após o evento, o grupo ressaltou que “ser mulher em torcida organizada é resistir todos os dias”, ocupando espaços historicamente marcados por barreiras culturais e preconceitos. A distinção concedida pela Alerj, nesse contexto, ultrapassa a dimensão individual e se conecta a um processo mais amplo de afirmação feminina no universo das torcidas.
Uma pauta histórica e política
A cerimônia reuniu 25 torcedoras de clubes como Fluminense, Botafogo, Vasco, Madureira, Bangu e Maricá, além de representantes de entidades ligadas à defesa dos direitos das mulheres e ao acompanhamento da cultura das arquibancadas. Entre as participantes estavam integrantes da Secretaria de Estado da Mulher, do Observatório do Futebol da Uerj e da Associação Nacional das Torcidas Organizadas.
Ao justificar a proposta, Zeidan destacou a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas ao cotidiano das torcedoras. Ela mencionou iniciativas legislativas relacionadas à segurança em eventos esportivos e defendeu novos avanços, como a criação de uma cartilha sobre a experiência feminina nos estádios e a inclusão de dados específicos de violência nos relatórios do Observatório do Feminicídio. A fala reforça a percepção de que o debate sobre torcidas organizadas deixou de ser apenas esportivo e passou a integrar agendas institucionais mais amplas.
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Memória e continuidade de uma luta
A presença feminina nas arquibancadas do Rio de Janeiro carrega marcos históricos. Em 1956, Dulce Rosalina rompeu paradigmas ao assumir a liderança da Torcida Organizada do Vasco, inaugurando uma nova etapa na participação das mulheres no movimento. Sua atuação ajudou a consolidar elementos que hoje fazem parte do imaginário dos estádios, como baterias organizadas e coreografias coletivas.
A homenagem póstuma prestada a Dulce durante a solenidade estabeleceu uma ponte simbólica entre gerações. Ao reconhecer torcedoras contemporâneas como Isabella, o evento evidenciou a continuidade de uma trajetória marcada por resistência e reinvenção. Nas arquibancadas, onde rivalidades e paixões costumam dominar o cenário, o gesto institucional buscou valorizar experiências de pertencimento e construção cultural.
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