URU.HUB: Flamengo transforma audiência em negócio com 90 milhões de seguidores; veja os detalhes

URU.HUB: Flamengo transforma audiência em negócio com 90 milhões de seguidores; veja os detalhes

O Flamengo estruturou uma nova frente para transformar o tamanho de sua torcida, a audiência de seus canais e a experiência presencial com o clube em uma plataforma integrada de mídia, entretenimento, dados e negócios. Batizada de URU.HUB, a operação é apresentada pelo próprio Rubro-Negro como “a maior plataforma de sportainment das Américas” e reúne conteúdo multiplataforma, transmissões, programas proprietários, ativações no Maracanã, Gávea e Ninho do Urubu, além de uma base de CRM com seis milhões de cadastros únicos.


Ouça nossas análises e entrevistas sobre a eleição do Flamengo no seu agregador de podcast preferido: Spotify, Deezer, Amazon, iTunes, Youtube Music, Castbox e Anchor.


A ideia vai além de dar um novo nome à FlamengoTV ou reorganizar as contas do clube nas redes sociais. A URU.HUB nasce como uma estrutura comercial capaz de oferecer às marcas um ecossistema no qual conteúdo, audiência, dados e experiências físicas podem fazer parte de uma mesma campanha. No site oficial, o Flamengo define a iniciativa como uma “potência digital de mídia, entretenimento e influência cultural numa escala continental”, enquanto o mídia kit de 2026 detalha a dimensão que sustenta essa ambição.

Mais de 90 milhões de seguidores no ecossistema

O primeiro número que chama atenção é a base acumulada nas redes. O mídia kit contabiliza mais de 90 milhões de seguidores, distribuídos entre aproximadamente 32 milhões no Instagram, 14,4 milhões no X, 13,5 milhões no Facebook, 11,3 milhões no TikTok, 10,5 milhões no Kwai e 8,3 milhões no YouTube. O cálculo considera o conjunto de perfis oficiais incorporados ao ecossistema, incluindo contas relacionadas ao Flamengo, modalidades e canais em outros idiomas.

Essa distinção é importante. Os 90 milhões não representam 90 milhões de pessoas diferentes, porque um mesmo torcedor pode acompanhar o Flamengo em várias plataformas e diferentes contas oficiais. Trata-se de uma soma de seguidores, útil para dimensionar inventário e distribuição digital, mas que não deve ser confundida com torcida, usuários únicos ou alcance real de uma campanha.

Dentro da comparação comercial apresentada pelo clube, a URU.HUB aparece com 90 milhões, à frente da CazéTV, com 80 milhões, da TNT Sports, com 76 milhões, e da GE TV, com 24 milhões. Há também uma diferença metodológica relevante: a URU.HUB agrega diversos perfis de um clube e seis plataformas, enquanto concorrentes de mídia possuem estruturas distintas; portanto, o quadro funciona melhor como demonstração da escala disponível aos anunciantes do que como ranking absolutamente homogêneo entre produtos equivalentes.

Flamengo lidera engajamento no recorte comparativo

O volume não aparece sozinho. Entre 1º de janeiro e 31 de julho de 2026, dados da Rival IQ utilizados pelo Flamengo apontam média de 45,4 mil interações por publicação, contra 42,2 mil da CazéTV, 33,2 mil da TNT Sports, 29,5 mil do Corinthians, 17,5 mil do Palmeiras e 11,2 mil da GE TV. No universo comparado pelo mídia kit, portanto, o Rubro-Negro ocupa também a primeira posição em engajamento médio por post.

Em comparações internacionais, a atualização utilizada no material coloca o Flamengo como o quarto perfil de clube com maior engajamento no Instagram do mundo, o sétimo canal de equipe com maior envolvimento no YouTube e o primeiro em taxa de engajamento no TikTok entre as 50 maiores contas analisadas. O período novamente vai de janeiro até 31 de julho de 2026.

Há uma pequena diferença em relação à página pública da URU.HUB. O site ainda apresenta um levantamento anterior em que o Flamengo aparece em terceiro no Instagram, sexto no YouTube e primeiro no TikTok, com dados da Rival IQ referentes a dezembro de 2024 até maio de 2025. O mídia kit é mais recente e, por isso, oferece o retrato atualizado: houve oscilação de uma posição no Instagram e no YouTube, enquanto a liderança do TikTok foi mantida.

6,5 bilhões de visualizações em um ano

A escala de consumo fica ainda mais evidente quando a análise sai dos seguidores. Ao longo de 2025, os vídeos do Flamengo somaram 6,5 bilhões de visualizações nas plataformas digitais e geraram 1,2 bilhão de interações, considerando curtidas, comentários, compartilhamentos e salvamentos. O clube contabilizou ainda 27,5 milhões de horas assistidas no YouTube, TikTok e plataformas da Meta.

São números que ajudam a explicar por que a URU.HUB foi estruturada como unidade de negócio. Ter milhões de seguidores representa potencial; registrar bilhões de reproduções e mais de um bilhão de ações do público indica consumo efetivo. Para uma marca patrocinadora, a diferença é significativa, porque o valor comercial não está somente em aparecer diante de uma grande base, mas na frequência com que esse público assiste, reage e distribui o conteúdo.

A concentração etária também interessa ao mercado. Entre as mulheres, a faixa de 25 a 34 anos representa 35% da audiência analisada, seguida pelos 18 a 24, com 26%; entre os homens, esses grupos correspondem a 34% e 25%, respectivamente. Geograficamente, o Rio de Janeiro lidera com 20,8%, mas São Paulo possui 11,4%, Minas Gerais 9,3% e Bahia 6,2%, mostrando uma presença que não fica restrita ao estado de origem do clube.

As transmissões viraram inventário próprio

A URU.HUB divide sua produção entre live, VOD e conteúdo vertical. Nas transmissões, a média dos jogos do futebol profissional masculino chega a 633 mil visualizações, 76 mil horas assistidas e 26 mil interações por partida. O futebol feminino registra 120 mil views por jogo, enquanto o Sub-20 masculino alcança 280 mil; a categoria feminina de base aparece com 130 mil, o vôlei com 102 mil e o basquete com 98 mil.

A capacidade de audiência não depende exclusivamente das partidas do time principal. Coletivas de imprensa chegam a uma média de 136 mil visualizações, com 25 mil horas consumidas e 14 mil interações, enquanto os treinos possuem média de 40 mil views. No Sub-20 masculino, são 280 mil reproduções por partida, 45 mil horas assistidas e 14 mil ações do público, mostrando que a estrutura consegue comercializar conteúdo mesmo fora do calendário principal.

As maiores lives desde março de 2025 chegaram a 3,3 milhões, 2,3 milhões e 2,1 milhões de visualizações. A principal acumulou um milhão de horas assistidas e 1,1 milhão de likes, mensagens no chat e reações, demonstrando que determinados acontecimentos rubro-negros já assumem dimensão de grandes eventos digitais próprios.

Zico, João Guilherme e programação própria

No conteúdo sob demanda, o Flamengo passou a organizar uma grade com diferentes linguagens. A Resenha do Galinho, apresentada por Zico, registra média de 109 mil visualizações no YouTube e alcance de 1,9 milhão nas redes por programa. O Flapress, comandado por Dani Boaventura, chega a 135 mil views e cinco milhões de alcance médio.

O MengoCast, com João Guilherme recebendo convidados ligados ao universo rubro-negro, possui média de 87 mil visualizações no YouTube e impressionantes 8,1 milhões de alcance nas redes por edição. Outros produtos exploram humor, bastidores, modalidades olímpicas e análise tática, como o “Isso Aqui é Flamengo”, que possui média de 80 mil reproduções e 4,5 milhões de alcance semanal, além do Exposed, apresentado por Victor Falso Nove, com 35 mil views e 1,1 milhão de alcance.

O casting também ajuda a mostrar a tentativa de combinar memória, informação e linguagem digital. Zico e Raul Plassmann convivem na estrutura com João Guilherme, Dani Boaventura, Emerson Santos, Reikrauss, Victor Falso Nove e Athirson, composição que procura alcançar diferentes gerações e formatos de consumo. A página oficial reforça essa diversidade ao apresentar a programação como espaço para notícias, reportagens, humor, análise tática e entrevistas.

Um único post alcançou 431 milhões de impressões

O conteúdo vertical apresenta algumas das maiores marcas individuais do material comercial. A publicação com maior número de impressões atingiu 431 milhões, enquanto outro conteúdo acumulou 117 mil comentários e o vídeo de maior audiência chegou a 38 milhões de visualizações.

Uma impressão não equivale necessariamente a uma pessoa diferente, e 431 milhões não devem ser interpretados como indivíduos alcançados. Ainda assim, o volume mostra a capacidade de determinadas publicações ultrapassarem a base tradicional da torcida e circularem de forma massiva pelas recomendações algorítmicas das plataformas.

Seis milhões de pessoas identificadas no CRM

Talvez o ativo comercial mais importante da URU.HUB esteja fora das redes sociais. O Flamengo afirma possuir seis milhões de cadastros únicos em sua estrutura de CRM e first-party data, uma base própria que permite pesquisas, Business Intelligence e comunicação direta. Ao contrário do total acumulado de seguidores, aqui o clube fala explicitamente em registros únicos.

A plataforma prevê segmentações por localização geográfica, idade, sexo, interesse, intenção de compra e comportamento. Esse é o ponto no qual a audiência passa a ter maior capacidade de conversão comercial, porque uma empresa deixa de anunciar simplesmente para “torcedores do Flamengo” e pode construir ações destinadas a grupos específicos com características conhecidas.

Para patrocinadores, esses seis milhões podem ser um ativo até mais estratégico que os 90 milhões de seguidores acumulados. Redes sociais pertencem a plataformas externas, seus algoritmos mudam e o alcance pode cair sem qualquer controle do clube; dados próprios permitem relacionamento direto, mensuração e construção de inteligência comercial que permanece sob domínio da instituição.

Clash Royale transformou meme em contrato

Um dos cases apresentados pelo Flamengo ajuda a demonstrar como a URU.HUB pretende funcionar. Na contratação de Emerson Royal, o clube utilizou a associação espontânea entre o sobrenome do lateral e Clash Royale para transformar o anúncio em uma “carta épica”. A publicação viralizou e posteriormente resultou em contrato com previsão de ativações digitais e presenciais.

Foram 26 postagens, 37 milhões de alcance, 75 milhões de impressões, três milhões de likes e reações e 581 mil comentários e compartilhamentos. Nesse caso, o que começou como marketing de oportunidade evoluiu para relação comercial formal, exemplo bastante claro da tentativa de monetizar criatividade sem separar rigidamente comunicação e negócio.

Outro case envolve Disney e Betano. A FlamengoTV utilizou manifestações orgânicas da torcida em uma ativação que extrapolou seus próprios canais e apareceu também em ambientes como GE, TNT e CazéTV. O projeto acumulou mais de quatro horas de transmissão, 1,4 milhão de visualizações, 408 mil horas assistidas, 750 mil likes e reações e 100 mil comentários e compartilhamentos.

A Netflix também aparece entre as marcas trabalhadas no ecossistema. Uma ação relacionada a um documentário combinou divulgação digital, intervenção no muro da Gávea, faixa de capitão, mosaico no Maracanã e distribuição de óculos com apenas uma lente. As dez publicações associadas à campanha alcançaram 12 milhões de pessoas, 17 milhões de impressões, 913 mil likes e reações e 28 mil comentários e compartilhamentos.

Com a Meta, a estratégia chegou ao estádio por meio de um bandeirão digital formado a partir de conteúdo produzido pelo público. A campanha utilizou o Vibes, ferramenta que transforma prompts em vídeos e permite edição, remix e compartilhamento, aproximando inteligência artificial, arquibancada e criação participativa.

O mídia kit também apresenta um case da Shopee baseado em CRM e cupons personalizados, ilustrando como o clube pretende utilizar dados de comportamento para gerar tráfego e aquisição de usuários. Há, contudo, um detalhe que exige cautela: o documento informa 400 cupons disponibilizados, mas apresenta quantidades de “resgates” superiores a esse total em algumas faixas, inclusive 908 para a opção de R$ 50; sem uma explicação metodológica adicional sobre o conceito de resgate, não é adequado interpretar esses números como quantidade simples de vouchers únicos.

Maracanã, Gávea e Ninho entram no pacote comercial

A monetização não termina nas telas. A URU.HUB incorpora Tour, Hospitalidade, Match Day e Brand Experience, transformando Maracanã, Gávea e Ninho do Urubu em ativos integrados às campanhas. As possibilidades incluem visitas às instalações, recebimento de clientes em espaços premium e experiências em dias de jogos, inclusive acesso a áreas vinculadas ao vestiário e ao aquecimento.

O catálogo comercial torna essa estratégia ainda mais explícita. As marcas podem contratar vídeos de 30 segundos, QR Codes, product placement, inserção de logos, chamadas, branded content, séries, vinhetas, posts patrocinados, stories e cortes, além das experiências presenciais. Na área de dados entram e-mail marketing, mensagens por WhatsApp, pesquisas e Business Intelligence.

A mudança central, portanto, é que o Flamengo deixa de vender somente propriedades isoladas e passa a oferecer jornadas. Uma empresa pode aparecer no conteúdo, ativar presencialmente no Maracanã, acessar determinada segmentação de CRM e prolongar a campanha nas redes sociais, tudo dentro de uma mesma estrutura comercial.

LEIA MAIS:

URU.HUB tenta transformar paixão em plataforma

A força da URU.HUB não está apenas em possuir 90 milhões de seguidores ou apresentar bilhões de visualizações. O diferencial pretendido está na combinação entre mídia proprietária, produção contínua, locais físicos de enorme valor simbólico e seis milhões de usuários identificados, formando um conjunto que poucos clubes brasileiros conseguem replicar na mesma escala.

Os números também precisam ser tratados com critérios corretos. Seguidores somados não representam pessoas únicas, impressões não equivalem a indivíduos e comparações com empresas de mídia diferentes exigem cuidado metodológico. Ao mesmo tempo, 6,5 bilhões de video views, 1,2 bilhão de interações e 27,5 milhões de horas consumidas em 2025 demonstram que existe uma audiência efetivamente ativa, não apenas uma grande quantidade de contas cadastradas.

O desafio passa a ser converter essa escala em receita recorrente sem transformar todos os espaços de relacionamento com a torcida em publicidade. A vantagem do Flamengo está justamente na intensidade dessa conexão; explorá-la comercialmente exige preservar o valor que a tornou possível. Se a URU.HUB conseguir equilibrar conteúdo, experiência, dados e marcas, o clube terá criado algo maior do que uma nova divisão de marketing: uma empresa de mídia e relacionamento funcionando dentro de uma associação esportiva, sustentada por uma audiência que já consome Flamengo todos os dias.

Flamengo lança novo site e revela metas para internacionalizar e reorganizar sua marca

+ Siga o Ser Flamengo no Twitter, no Instagram e no Youtube.

Comentários

Descubra mais sobre Ser Flamengo

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Blog Ser Flamengo

Deixe uma resposta