Isaquias Queiroz se despede do Flamengo e reacende debate sobre o fim da canoagem

Isaquias Queiroz se despede do Flamengo e reacende debate sobre o fim da canoagem
Imagem: Reprodução/Instagram

O encerramento da canoagem no Flamengo ganhou novos contornos nesta semana a partir da manifestação pública de Isaquias Queiroz. Medalhista olímpico, ídolo da modalidade e personagem central do projeto rubro-negro desde a reativação em 2019, o atleta usou as redes sociais para se despedir do clube e agradecer por uma trajetória que começou ainda em 2011, teve uma interrupção e foi retomada com força nos últimos anos. A fala veio num momento em que a decisão da diretoria, comandada por Luiz Eduardo Baptista, o Bap, segue gerando questionamentos externos, sobretudo pela confusão criada entre canoagem, modalidade encerrada, e o remo, protegido pelo estatuto do clube.


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Isaquias deixou claro o tom da despedida. Falou como atleta e como torcedor. Lembrou que vestiu o manto em duas passagens, ressaltou o orgulho de representar o Flamengo em competições nacionais e internacionais e destacou o acolhimento recebido de dirigentes, funcionários e atletas, especialmente do pessoal do remo, com quem mantinha convivência frequente. O vídeo publicado no Instagram teve repercussão imediata entre rubro-negros e reacendeu o debate sobre o papel social do clube e os critérios adotados para a manutenção ou não de modalidades olímpicas.

É importante separar os fatos. O Flamengo não encerrou o remo. Pelo estatuto, a modalidade não pode ser simplesmente extinta. O que foi encerrado é a canoagem, projeto que havia sido retomado em 2019, ainda na gestão Rodolfo Landim, com a proposta de fortalecer a presença do clube no esporte olímpico e, ao mesmo tempo, criar uma base capaz de revelar novos talentos. Isaquias foi contratado como o principal nome dessa reconstrução, a referência técnica e simbólica do projeto.

Ao longo desse período, o canoísta conquistou resultados expressivos, manteve o Flamengo em evidência no cenário olímpico e ajudou a associar a marca rubro-negra a um dos maiores atletas da história do esporte brasileiro. Por outro lado, a diretoria atual avalia que o projeto não conseguiu cumprir um dos seus objetivos centrais: a formação de novos atletas a partir de uma estrutura permanente. A justificativa oficial passa pela logística. Nenhum dos principais nomes da canoagem treinava no Rio de Janeiro, o que, segundo o clube, inviabilizaria o desenvolvimento de uma base sólida e contínua.

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Esse ponto, aliás, foi citado pelo próprio Isaquias ao final de sua mensagem. Ele sinalizou que pretende explicar com mais profundidade, nos próximos dias, por que os treinos não acontecem no Rio, questão que envolve fatores técnicos, geográficos e estruturais da modalidade. A expectativa é que esse esclarecimento ajude a qualificar um debate que, até aqui, tem oscilado entre a crítica legítima e a desinformação.

Há ainda um dado histórico que ajuda a entender o cenário. Desde a reativação da canoagem em 2019, o Flamengo não revelou novos atletas de projeção nacional ou internacional. Esse fator, embora não conste explicitamente na nota oficial, pesa na avaliação estratégica feita pela diretoria. Não se trata apenas de resultados imediatos, mas da capacidade de o projeto se sustentar no médio e longo prazo dentro da lógica esportiva e administrativa do clube.

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A despedida de Isaquias, portanto, não encerra o assunto. Pelo contrário. Ela humaniza a discussão e expõe as camadas de uma decisão que envolve esporte, gestão, identidade e responsabilidade social. O Flamengo perde um atleta histórico, mas o debate sobre o caminho do clube no esporte olímpico segue aberto, à espera de mais informações, menos ruído e análises que respeitem a complexidade do tema.

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