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José Boto assume que sugeriu demissão de Filipe Luís no Flamengo: “Fiz o diagnóstico e dei a solução”

José Boto assume que sugeriu demissão de Filipe Luís no Flamengo: “Fiz o diagnóstico e dei a solução”

Foto: Adriano Fontes/Flamengo

A apresentação do técnico português Leonardo Jardim no Flamengo, realizada no Ninho do Urubu, trouxe mais do que a formalização de um novo treinador. Trouxe também uma revelação que reposiciona o debate interno no clube. Durante sua fala inicial, o diretor de futebol José Boto afirmou de forma direta que partiu dele o diagnóstico que levou à demissão de Filipe Luís do comando da equipe.


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A declaração, feita antes mesmo da apresentação oficial do novo técnico, encerra uma disputa de versões que se arrastava desde a saída do ex-lateral. Nos bastidores, circulou a informação de que o dirigente português teria sido voto vencido na decisão. Agora, o próprio Boto desmonta essa narrativa ao explicar que sua função no clube inclui avaliar o futebol e sugerir caminhos à presidência.

Quando me convidaram para vir para o Flamengo, o presidente deu-me uma série de atribuições. Uma delas era fazer diagnósticos e encontrar soluções. Neste caso, eu fiz o diagnóstico, dei a solução. O presidente aceitou e, como decisor máximo, bateu o martelo”, afirmou.

A frase tem peso político. Ao assumir a responsabilidade pelo movimento, Boto deixa claro que não foi mero executor de uma ordem superior. Foi, segundo ele próprio, o articulador da mudança.

A versão oficial e o silêncio sobre as razões

Embora tenha confirmado o papel central na decisão, o dirigente evitou detalhar os motivos que levaram à saída do então treinador. Segundo ele, as razões são múltiplas e fazem parte de um contexto interno que não deve ser exposto publicamente.

Razões são sempre muitas, dependem do contexto. Acho que não compete a nós expô-las. Isso também é profissionalismo”, disse.

A escolha de não abrir o debate revela uma estratégia comum no futebol, mas também alimenta especulações. Nos bastidores da Gávea, diferentes fatores foram mencionados nas últimas semanas: rendimento irregular da equipe, ruídos na gestão do elenco e divergências internas que teriam se acumulado desde a temporada anterior.

O próprio Boto reconheceu que decisões desse tipo nem sempre parecem lógicas quando observadas de fora. Ainda assim, tentou preservar a imagem do antigo comandante.

Nada retira aquilo que o Filipe fez aqui e a brilhante carreira que vai ter como treinador.”

A chegada de Leonardo Jardim como “solução”

Na sequência da explicação, o diretor apresentou o nome que considera capaz de reorganizar o departamento de futebol. Para Boto, a contratação de Leonardo Jardim representa justamente a resposta ao diagnóstico feito internamente.

A solução está aqui. Um treinador muito experiente, com vivências em diferentes contextos e conquistas também em diferentes contextos.

Jardim chega ao Flamengo com carreira consolidada no futebol europeu, incluindo passagem marcante pelo Monaco, onde conquistou a Ligue 1 em 2017. O currículo internacional pesa em um momento em que o clube busca reorganizar sua estrutura esportiva após turbulência.

A aposta, porém, carrega riscos. Trocas de comando no meio do projeto sempre levantam dúvidas sobre continuidade e planejamento.

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A gestão Boto sob questionamento

Se a declaração do dirigente esclarece a autoria da decisão, ela também expõe o próprio Boto a uma cobrança ainda maior. Ao assumir a responsabilidade pela demissão de Filipe Luís, o diretor passa a dividir diretamente o peso dos resultados que virão com o novo treinador.

A pressão não é recente. Desde que chegou ao Flamengo, em dezembro de 2024, o português foi apresentado como peça-chave de um projeto que prometia modernizar a estrutura de análise e contratação do clube. Até aqui, no entanto, o impacto concreto dessa promessa tem sido alvo de críticas internas e externas.

Em momentos considerados decisivos, o presidente Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, precisou intervir diretamente em negociações que teoricamente estariam sob responsabilidade do diretor de futebol. Casos como a renovação contratual do próprio Filipe Luís e tratativas envolvendo Lucas Paquetá acabaram conduzidos pelo mandatário.

Esse tipo de intervenção levanta dúvidas sobre o grau real de autonomia do departamento comandado por Boto.

Entre expectativa e realidade

Outro ponto frequentemente citado nos bastidores envolve o setor de scouting, apresentado como uma das especialidades do dirigente português. Até o momento, torcedores e analistas não identificam uma marca clara desse trabalho no elenco rubro-negro.

Algumas tentativas de contratação também enfrentaram resistência. A aposta em determinados nomes gerou reação negativa da torcida e encontrou eco dentro da própria diretoria, o que acabou travando negociações.

O resultado é um cenário em que o dirigente acumula expectativa elevada e resultados ainda modestos.

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Um diagnóstico que agora precisa dar resultado

Ao afirmar que identificou o problema e indicou a solução, José Boto assumiu publicamente o centro da decisão mais delicada do futebol rubro-negro nos últimos meses. A chegada de Leonardo Jardim passa a ser, portanto, mais do que uma simples troca no banco de reservas.

Ela se transforma em um teste direto da leitura feita pelo diretor.

Se o time responder dentro de campo, a decisão poderá ser vista como um movimento de liderança. Caso contrário, a mesma frase que hoje reforça sua autoridade pode se tornar o principal argumento dos críticos.

No futebol, diagnósticos só se confirmam quando a bola rola.

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