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Juca Kfouri força narrativa e chama de “invasão” e toma resposta de Mauro Cezar

Juca Kfouri força narrativa e chama de “invasão” e toma resposta de Mauro Cezar

O comentário foi feito em um programa de debate esportivo de alcance nacional, no encerramento de mais uma edição do Posse de Bola, do UOL. Ao tentar exaltar a torcida do Corinthians, Juca Kfouri recorreu a uma comparação histórica mal sustentada e classificou como “invasão” a presença da torcida do Corintiana na partida contra o Flamengo. A fala, imediatamente contestada no próprio estúdio, reacendeu uma discussão antiga: afinal, o que de fato caracteriza uma invasão de torcida no futebol brasileiro?


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A declaração surgiu quando Juca resgatou episódios do passado para reforçar a mística da torcida corintiana. Citou três jogos contra clubes cariocas e afirmou que o Corinthians teria “invadido” estádios, encerrando com a frase de efeito de que teria “um desgosto profundo se faltasse uma fiel torcida no mundo”. O problema não está na exaltação da própria torcida, algo comum no debate esportivo, mas na distorção do conceito e no apagamento do contexto que diferencia eventos históricos de partidas recentes disputadas em campo neutro.

O que foi dito e por que gerou reação

O estopim foi a tentativa de colocar no mesmo pacote jogos realizados em Brasília, com divisão equilibrada de público, e episódios emblemáticos como a semifinal do Brasileiro de 1976, no Maracanã. Na ocasião mais recente, Flamengo e Corinthians dividiram o estádio praticamente meio a meio, algo reconhecido inclusive por comentaristas presentes na mesa.

A reação não veio apenas da bancada. Torcedores presentes no estádio e relatos posteriores reforçaram que não houve superioridade numérica corintiana capaz de sustentar a narrativa de invasão. A própria noção de “invadir” pressupõe deslocamento em massa para o território do adversário, superando o público mandante em sua própria casa. Nada disso aconteceu em Brasília, cidade que não é sede de nenhum dos clubes envolvidos e onde o mando era da CBF.

1976 não cabe em qualquer comparação

Ao evocar 1976, Juca toca em um dos episódios mais debatidos da história das torcidas no Brasil. A semifinal entre Corinthians e Fluminense, no Maracanã, teve proporções gigantescas. O estádio comportava mais de 110 mil pessoas e, segundo a versão mais difundida, houve predominância corintiana nas arquibancadas. Mesmo esse episódio é alvo de contestações históricas, que envolvem divisão de ingressos, apoio de torcidas cariocas ao Corinthians e articulações que extrapolam a simples mobilização espontânea.

Ainda assim, trata-se de um contexto completamente diferente. O jogo era no Rio, com mando definido, em um estádio associado à cidade do adversário. Comparar isso a uma partida em Brasília, com ingressos vendidos nacionalmente e público dividido, é forçar uma equivalência que não se sustenta nem nos números, nem na geografia, nem na lógica do futebol.

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Campo neutro não é território invadido

Brasília, goste-se ou não, é uma praça recorrente para jogos de grande apelo nacional justamente por concentrar torcedores de vários clubes. O Flamengo, em especial, não precisa “invadir” a capital federal: sua torcida já está lá em grande número. O mesmo vale, em menor escala, para Corinthians, Palmeiras e outros clubes de massa.

Levar ônibus, organizar caravanas ou vender ingressos em outro estado não transforma automaticamente presença em invasão. Se esse critério fosse adotado, finais de Libertadores, decisões em Lima, Montevidéu ou Guayaquil precisariam ser rebatizadas como invasões sucessivas de torcidas brasileiras. O conceito perde o sentido quando passa a ser usado como slogan, não como descrição factual.

A narrativa que insiste em sobreviver

O episódio não é isolado. Ele dialoga com outra linha narrativa frequentemente repetida: a de que a torcida do Corinthians não vaia. Nos últimos anos, vídeos, depoimentos de jogadores e registros de arquibancada desmontaram essa ideia, mostrando vaias durante partidas, substituições contestadas e pressão explícita em momentos ruins. Ainda assim, a imagem da fidelidade incondicional segue sendo reproduzida como dogma.

O problema não é reconhecer méritos, que são muitos e evidentes. O problema é transformar admiração em exceção mítica, ignorando fatos recentes e relativizando conceitos básicos para preservar uma história que já não se sustenta sozinha.

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Quando o exagero compromete o debate

Ao tentar elevar a torcida corintiana a um patamar quase inalcançável, o comentário acaba empobrecendo o debate. Não houve invasão em Brasília. Houve mobilização, organização e presença expressiva, algo comum em jogos de clubes de massa. Forçar a comparação com 1976 ou com o Mundial de 2000 é misturar contextos distintos para manter viva uma narrativa que já não encontra respaldo na realidade.

Como resumiu Mauro Cezar no próprio programa, a barra foi forçada. E quando o exagero vira regra, o discurso deixa de informar e passa a apenas reafirmar crenças.

Juca e Casagrande sustentam que a torcida do Corinthians não vaia. A história mostra o contrário

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