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Leila Pereira, feminismo seletivo e o discurso que revela poder, dinheiro e contradições

Vices para o Flamengo detonam crise política no Palmeiras e expõem fragilidade da gestão Leila Pereira

A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, voltou ao centro do debate público após declarações dadas em resposta a críticas internas no clube. O episódio ganhou contornos mais amplos quando o jornalista Menon publicou um artigo afirmando que Leila reproduz discursos machistas e preconceituosos, mesmo sendo frequentemente alçada à condição de símbolo de empoderamento feminino no futebol brasileiro. A discussão não surge do nada, nem se limita a uma frase isolada: ela escancara contradições antigas, acumuladas ao longo de sua gestão e do modo como parte da imprensa escolhe enquadrá-la.


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O ponto de partida foi a reação de Leila às críticas do conselheiro José Corona Neto, que a acusou de incompetência administrativa após investimentos elevados em contratações que resultaram, segundo ele, em apenas um título paulista em dois anos. A presidente respondeu de forma agressiva, chamando o conselheiro de “fracassado” e afirmando ser “mais homem do que muito homem”. A fala, que para alguns soou como força e personalidade, revelou algo mais profundo quando analisada fora do calor do embate político interno.

Menon chama atenção para o significado social dessas palavras. Ao classificar um crítico como fracassado, Leila associa valor humano à acumulação de riqueza e poder econômico, um discurso clássico de distinção social que ultrapassa o futebol. No mesmo movimento, ao se definir como “mais homem”, ela recorre a atributos historicamente vinculados ao masculino para legitimar sua autoridade, como bravura, caráter e competência. Não se trata de semântica acidental, mas de uma visão de mundo que reforça hierarquias em vez de questioná-las.

Esse comportamento não é episódico. Em outras ocasiões, Leila acionou a pauta do feminismo de maneira seletiva, sempre em contextos que a beneficiavam diretamente. Quando Abel Ferreira destratou uma jornalista em entrevista coletiva, por exemplo, não houve posicionamento público firme da presidente em defesa da profissional. O silêncio contrastou com discursos posteriores nos quais a condição feminina foi usada como escudo retórico diante de críticas administrativas ou políticas. A coerência, nesse caso, ficou pelo caminho.

A trajetória de Leila no Palmeiras ajuda a compreender esse padrão. Ela não chegou ao poder por militância ou construção coletiva em torno da igualdade de gênero. Ascendeu a partir de um poder econômico gigantesco, sustentado pela Crefisa, patrocinadora que se tornou sinônimo da reconstrução financeira do clube. Houve competência na gestão, é verdade, mas também houve transgressões estatutárias para viabilizar sua entrada no Conselho Deliberativo e, posteriormente, na presidência. Pequenas exceções foram sendo normalizadas até abrirem espaço para movimentos mais ousados, como a tentativa de estender seu tempo no comando alviverde.

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Há ainda uma contradição estrutural difícil de ignorar. Apesar de ser apresentada como exemplo de liderança feminina, a cúpula administrativa do Palmeiras segue majoritariamente masculina. As principais diretorias estão nas mãos de homens, enquanto mulheres ocupam posições periféricas na hierarquia decisória. O feminismo, nesse cenário, aparece mais como discurso instrumental do que como prática concreta de transformação institucional.

O debate levantado por Menon não é sobre esquerda, direita ou militância ideológica. Trata-se de coerência. Defender igualdade implica rever privilégios, questionar estruturas e abrir espaço real para outras vozes. Utilizar a pauta apenas como argumento de autopromoção esvazia seu sentido e transforma uma luta histórica em ferramenta ocasional de poder.

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No futebol, como na política e na sociedade, palavras importam. Elas revelam mais do que intenções momentâneas; expõem valores, limites e escolhas. No caso de Leila Pereira, o discurso público mostra que sua relação com o feminismo é menos sobre emancipação coletiva e mais sobre afirmação individual. E isso, longe de fortalecer a causa, ajuda a mantê-la refém das mesmas lógicas que diz combater.

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Por Tulio Rodrigues (@PoetaTulio)

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