Enquanto o Flamengo se despede de Arthur Muhlenberg, um dos grandes cronistas responsáveis por ensinar gerações a sentir o clube para além do campo, outro movimento importante surge no universo rubro-negro: a preservação da memória. O pesquisador e escritor Emmanuel do Valle, conhecido pelo trabalho à frente do blog Flamengo Alternativo, lançou o livro “Dez vezes Flamengo – As histórias dos primeiros títulos cariocas rubro-negros”, obra que mergulha nas conquistas do clube entre 1914 e 1944 e revisita a construção da identidade flamenga na era pré-Maracanã.
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Com mais de 200 páginas, o livro propõe um retorno ao período em que o futebol ainda consolidava seu espaço como paixão nacional e o Flamengo já se estabelecia como força decisiva no Rio de Janeiro. Não se trata apenas de uma cronologia de títulos, mas de um resgate minucioso de bastidores, personagens, campanhas, contextos sociais e episódios muitas vezes esquecidos pela narrativa mais popular do futebol.
A publicação chega como uma contribuição relevante para a historiografia rubro-negra e reforça um aspecto que muitas vezes se perde no imediatismo do futebol contemporâneo: entender de onde veio a grandeza do clube.
Um mergulho profundo no Flamengo antes do Maracanã
A proposta central da obra está no próprio recorte temporal. Emmanuel do Valle concentra sua pesquisa nos dez primeiros títulos estaduais do Flamengo, do Campeonato Carioca de 1914 até a conquista de 1944, período que inclui o primeiro tricampeonato rubro-negro e a transição entre o futebol amador e o profissional.
É um Flamengo anterior ao gigantismo moderno, mas já marcado por elementos que ajudariam a construir sua identidade definitiva: a popularização da torcida, o surgimento de grandes ídolos, a consolidação institucional e a relação intensa com a cidade do Rio de Janeiro.
O livro não se limita a destacar os craques ou os resultados mais conhecidos. Ele busca justamente aquilo que escapa do senso comum: detalhes de jogos, contexto político, histórias paralelas, personagens secundários que ajudaram a moldar o clube e elementos que geralmente não aparecem nas narrativas tradicionais.
Esse olhar mais profundo é uma marca já conhecida de Emmanuel no trabalho desenvolvido no Flamengo Alternativo.
Flamengo Alternativo e a credibilidade da pesquisa histórica
Para quem acompanha a produção de conteúdo sobre história do clube, o nome de Emmanuel do Valle já é referência consolidada. O blog Flamengo Alternativo se tornou, ao longo dos anos, uma das principais fontes independentes de pesquisa histórica sobre o Flamengo, com textos detalhados, documentos raros e abordagens que fogem do lugar-comum.
Não é raro que jornalistas, pesquisadores e produtores de conteúdo utilizem seus levantamentos como base para matérias e análises. O diferencial está justamente no cuidado com a apuração e na capacidade de encontrar nuances que normalmente passam despercebidas.
Mais do que revisitar partidas, Emmanuel trabalha o Flamengo como fenômeno cultural e social.
Por isso, a expectativa em torno do livro nasce menos da novidade editorial e mais da confiança já estabelecida no método.
Se a profundidade da obra seguir o padrão do que ele publica há anos, trata-se de um material que tende a se tornar referência obrigatória para quem estuda a história rubro-negra.
O valor da memória em tempos de imediatismo
Em um cenário onde o debate esportivo costuma ser dominado pelo próximo jogo, pela próxima crise ou pela próxima contratação, livros como esse cumprem uma função quase de resistência.
Eles lembram que um clube não se sustenta apenas em resultados recentes. A força simbólica do Flamengo nasce também da sua continuidade histórica.
Entender 1914 ajuda a compreender 1981. Conhecer 1944 ajuda a interpretar 2019.
A grandeza não surge do nada.
Ela é construída em camadas.
Ao recuperar a era pré-Maracanã, Emmanuel ajuda o torcedor a perceber que o Flamengo vencedor não começou com Zico, nem com Jorge Jesus, nem com Gabigol. Existe uma linhagem anterior, fundamental e muitas vezes negligenciada.
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Prefácio de Maurício Neves e o reconhecimento entre pesquisadores
Outro elemento que reforça o peso da publicação é o prefácio assinado por Maurício Neves de Jesus, conhecido no universo rubro-negro como autor de diversas obras sobre a história do clube.
A participação de Maurício funciona como chancela simbólica de uma geração de pesquisadores que há décadas se dedicam à preservação da memória do Flamengo.
Esse diálogo entre autores também fortalece a percepção de continuidade: não se trata de uma obra isolada, mas de uma tradição de investigação histórica que segue viva e sendo renovada.
Livro independente e distribuição direta
O lançamento também chama atenção pelo formato independente. A obra está inicialmente disponível na Livraria Folha Seca, tradicional ponto de encontro de leitores e pesquisadores de futebol no centro do Rio de Janeiro.
Além disso, o próprio autor realiza vendas diretas com envio pelos Correios, o que amplia o alcance para torcedores de fora do estado.
Essa estrutura independente revela as dificuldades naturais do mercado editorial especializado, mas também reforça a autenticidade do projeto. É um livro feito por quem pesquisa, vive e entende o Flamengo sem filtros comerciais excessivos.
Há, nisso, um valor importante.
SOBRE O LIVRO:
Estou contatando outras livrarias para colocar o livro à venda. Por enquanto, como disse, ele está disponível na Folha Seca, no Centro do Rio.
Mas quem quiser se adiantar, pode comprar direto comigo. Envio pelo correio. Comenta aqui, que entro em contato pela DM. https://t.co/PVp0NeFovC
— Flamengo Alternativo (@FlaAlternativo) April 21, 2026
Mais do que um livro, um tributo à Nação
A própria apresentação da obra resume bem sua proposta ao afirmar que se trata de “mais do que um livro, é memória viva”. A frase não soa como exagero. Quando um clube como o Flamengo revisita suas primeiras conquistas, ele não está apenas olhando para trás. Está reafirmando sua identidade.
Cada título antigo ajuda a explicar o presente. Cada personagem esquecido ajuda a sustentar a narrativa da grandeza. Em tempos de discussões rápidas e memória curta, “Dez vezes Flamengo” surge como convite à profundidade. E talvez esse seja seu maior mérito. Não apenas contar a história. Mas ensinar o torcedor a valorizá-la.
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