Milly Lacombe x Bap: críticas, contradições e o debate sobre coerência no jornalismo esportivo

A comentarista Milly Lacombe voltou ao centro de um debate público nas últimas semanas ao adotar posições consideradas contraditórias em análises sobre episódios distintos de machismo no futebol. A discussão ganhou força em programas esportivos e nas redes sociais, quando sua avaliação sobre a punição aplicada ao jogador do Red Bull Bragantino passou a ser comparada ao tom adotado anteriormente em críticas ao presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap. O contraste entre os discursos levantou questionamentos sobre coerência, critérios editoriais e o papel da opinião no jornalismo esportivo.
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Punição, letramento e o caso recente
Durante comentário televisivo, Lacombe analisou o episódio envolvendo o zagueiro Gustavo Marques, punido por conduta considerada desrespeitosa contra uma árbitra. Na ocasião, a jornalista argumentou que sanções esportivas e financeiras, isoladamente, não seriam suficientes para promover mudança estrutural de comportamento. Defendeu medidas socioeducativas, como cursos de conscientização e ações práticas junto ao futebol feminino ou iniciativas ligadas à Lei Maria da Penha.
O posicionamento foi acompanhado pela também comentarista Alicia Klein e repercutiu por propor uma abordagem pedagógica, centrada no entendimento das raízes culturais do machismo no esporte. Para parte do público, tratou-se de uma análise equilibrada, que reconhece a gravidade do ato sem reduzir a resposta institucional à punição exemplar.
O histórico com bap e a reabertura da polêmica ⚖️
O tom mudou quando Lacombe voltou a comentar episódios envolvendo Bap e a jornalista Renata Mendonça. Em colunas e participações em programas, a comentarista classificou declarações do dirigente rubro-negro como uma das formas mais graves de violência simbólica já presenciadas por ela no meio esportivo, defendendo que o episódio deveria ter consequências institucionais mais duras.
A insistência no tema, mesmo em análises sobre outros assuntos, como a saída de Felipe Luís do comando técnico ou a possível chegada do treinador Leonardo Jardim, passou a ser interpretada por críticos como um deslocamento do foco jornalístico. Em vez de contextualizar a notícia principal, o texto acabaria retomando conflitos anteriores.
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Linha do tempo de controvérsias e comparações ⏳
O debate atual também resgata episódios internacionais. O caso de racismo contra Vinícius Júnior no estádio Mestalla, em 2023, e a defesa pública de torcedores envolvidos feita por Gabriel Paulista são lembrados como exemplos de situações que não receberam o mesmo nível de recorrência crítica em comentários posteriores. Para analistas independentes, isso alimenta a percepção de seletividade.
Outras figuras, como Daniel Alves, cujo caso judicial na Espanha teve ampla repercussão, também entram no comparativo sobre a permanência de determinados temas na agenda midiática. A discussão extrapola o campo esportivo e toca na maneira como jornalistas constroem narrativas de responsabilidade pública ao longo do tempo.
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CASO PREFIRA OUVIR:
Entre opinião, militância e credibilidade
A crítica central feita por opositores do posicionamento de Lacombe não é necessariamente sobre o conteúdo das causas que ela defende, como feminismo e combate ao racismo, mas sobre a consistência metodológica dessas análises. Argumenta-se que a diferença de tratamento entre agentes sociais distintos, seja por contexto econômico, poder institucional ou afinidade pessoal, pode comprometer a percepção de imparcialidade.
Há ainda quem veja no episódio um retrato mais amplo do jornalismo esportivo contemporâneo, cada vez mais híbrido entre informação, comentário e ativismo. Nesse cenário, a fronteira entre análise factual e posicionamento político tende a se tornar difusa, o que exige do público leitura crítica e dos profissionais maior transparência nos critérios adotados.
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