No Posse de Bola, Lavieri evita comentar polêmica da matéria sobre assinatura de Landim e caso Libra

No Posse de Bola, Lavieri evita comentar polêmica da matéria sobre assinatura de Landim e caso Libra
Imagem: Reprodução / UOL

O acordo entre Flamengo e Libra deveria ter encerrado uma das discussões mais ruidosas dos bastidores do futebol brasileiro nos últimos meses: a disputa sobre os critérios de divisão dos 30% da audiência nos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. O clube rubro-negro garantiu aproximadamente R$ 150 milhões adicionais até 2029, a fórmula foi redefinida e o próprio desfecho confirmou que havia, de fato, um problema na ausência de critérios completos no contrato original.


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Mas o encerramento jurídico e financeiro não foi suficiente para encerrar o debate público. Isso porque, no programa Posse de Bola, do UOL, o jornalista Danilo Lavieri voltou a comentar o tema da Libra sem enfrentar diretamente a principal polêmica envolvendo sua própria cobertura: a matéria em que sustentou que Rodolfo Landim havia assinado integralmente os critérios de divisão e que o Flamengo, já sob a gestão de Bap, tentava apenas mudar uma regra previamente aceita.

Ao falar sobre o futuro da Libra, a renegociação com a Globo e a dificuldade de união entre os clubes, Lavieri passou ao largo do ponto central que marcou a repercussão de sua reportagem. Não abordou a controvérsia sobre a assinatura, não revisitou o conteúdo publicado e tampouco tratou da principal pergunta que permanece desde o acordo: se tudo estava resolvido e plenamente aceito desde setembro de 2024, por que foi necessário um acordo posterior e uma redefinição formal dos critérios?

O silêncio, nesse caso, acabou falando tanto quanto uma resposta.

A frase que virou manchete e depois cobrança pública

Durante toda a disputa entre Flamengo e Libra, uma frase foi repetida como se fosse uma sentença definitiva: “Landim assinou”.

Ela se tornou o eixo principal de boa parte da cobertura e serviu como base para a tese de que o clube não poderia contestar posteriormente a divisão dos 30% da audiência. Se assinou, concordou. Se concordou, a nova gestão estaria tentando apenas rever um pacto já consolidado.

Essa foi a espinha dorsal da matéria de Danilo Lavieri. O problema é que a frase, embora verdadeira em parte, era insuficiente como explicação completa.

Landim assinou o estatuto da Libra em setembro de 2024, quando a estrutura geral da divisão 40-30-30 foi aprovada. No entanto, dentro dos 30% relativos à audiência, faltava justamente o ponto mais importante: o peso de cada plataforma dentro da conta final. Não havia definição consolidada sobre quanto valeria TV aberta, TV fechada, pay-per-view e demais formatos dentro da distribuição definitiva.

Ou seja, existia o princípio da divisão, mas não a sua aplicação prática completa. Isso significa que a assinatura não encerrava a discussão. Ela apenas marcava o início formal de uma negociação que ainda precisava ser concluída.

A Globo perguntou como deveria pagar

Talvez a prova mais simples e objetiva de que o critério não estava pronto tenha vindo da própria TV Globo.

Em abril de 2025, a emissora notificou a Libra para saber como deveria realizar o pagamento da primeira parcela referente aos 30% da audiência. A dúvida não era conceitual, era operacional.

Se a Globo precisava perguntar como pagar, é porque a fórmula ainda não estava consolidada. Se estivesse completamente resolvida desde a assinatura de 2024, não haveria qualquer necessidade dessa consulta. Esse detalhe desmonta a narrativa simplificada.

A própria estrutura estatutária exigia unanimidade para complementar o Anexo 1, justamente o trecho responsável pela definição final do rateio por plataforma. Como essa unanimidade não existia, a resposta formal também não existia. Não se tratava, portanto, de o Flamengo querer mudar uma regra pronta, mas de impedir que uma regra incompleta fosse tratada como definitiva.

No Posse de Bola, o tema principal ficou de fora

Quando o assunto voltou ao Posse de Bola, a expectativa natural era de que essa questão fosse enfrentada diretamente. Mas não foi.

Lavieri preferiu falar sobre a necessidade de nova negociação com a Globo, sobre a entrada do Remo na Série A, sobre os conflitos internos entre os clubes e sobre a dificuldade histórica de construção de uma liga única. Tudo isso é relevante, mas não respondia ao ponto central da controvérsia

O silêncio sobre a própria matéria chamou mais atenção do que a análise sobre o futuro da Libra.

A ausência de uma revisão pública não é um detalhe secundário. Ela se torna parte da própria história. Quando o jornalista comenta o desfecho do caso sem enfrentar a principal tese que sustentou anteriormente, a sensação que fica é a de que se tenta atravessar a tempestade esperando que o assunto morra sozinho.

Mas não morreu.

Mauro Cezar foi direto onde faltou objetividade

Na mesma discussão, Mauro Cezar Pereira fez exatamente o movimento que parte do público esperava. Foi direto ao ponto.

Segundo ele, o próprio acordo confirma que não havia um acerto definitivo sobre a distribuição daquele dinheiro. Se a Libra estivesse completamente certa desde o início, não haveria judicialização, liminar nem necessidade de negociação final. Bastaria aplicar o que já estaria previamente definido.

A frase é simples e resume toda a contradição. Se houve acordo, é porque havia disputa legítima. Se houve redefinição, é porque não estava fechado. Se o Flamengo garantiu mais R$ 150 milhões e houve formalização posterior dos pesos de cada plataforma, a tese de que tudo já estava assinado e resolvido perde sustentação

O desfecho do caso não foi uma concessão política. Foi a confirmação prática de que o problema apontado pelo Flamengo existia.

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O documento pela metade e a crítica recorrente

Uma das maiores críticas feitas à cobertura de Lavieri foi a percepção de que a assinatura foi destacada com muito mais força do que o restante do documento. A parte mais explorada era justamente a prova visual da assinatura de Landim. Já o trecho que indicava que a definição por plataforma ainda precisava de complementação não recebeu o mesmo peso narrativo.

A crítica recorrente passou a ser a de que foi apresentado um “documento pela metade”: suficiente para sustentar a manchete, mas insuficiente para explicar a complexidade real do caso. O problema não está em mostrar a assinatura. Ela era, de fato, relevante.

O problema está em transformá-la em conclusão absoluta sem a mesma ênfase sobre a parte que explicava por que o debate ainda existia. Quando a apuração escolhe apenas a metade que fortalece a tese inicial, o jornalismo deixa de esclarecer e passa a induzir percepção.

O custo de não corrigir

Talvez o maior desgaste não tenha vindo da matéria em si, mas da ausência de revisão posterior. Errar faz parte do jornalismo. Nenhum profissional sério constrói carreira sem revisões, ajustes ou mudanças de interpretação diante de novos fatos. O problema começa quando o erro deixa de ser corrigido e passa a ser protegido.

Reconhecer que havia mais complexidade não seria um sinal de fraqueza profissional. Seria um gesto de honestidade intelectual. Ao evitar enfrentar o tema diretamente, Lavieri prolonga o desgaste. A cobrança permanece nas redes, os comentários se repetem e a matéria passa a acompanhar o jornalista como uma marca permanente. O debate deixa de ser apenas sobre Libra e passa a ser sobre credibilidade.

No jornalismo, o arquivo é implacável. A matéria publicada continua existindo. E quando o desfecho aponta em outra direção, a ausência de correção também vira registro histórico.

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O episódio expõe um problema maior do que um nome ou uma reportagem específica.

Ele mostra como o jornalismo esportivo muitas vezes prefere a frase forte à explicação completa. “Landim assinou” funciona melhor como manchete do que um debate sobre anexo contratual, unanimidade estatutária e critérios por plataforma.

A simplificação vende mais rápido. Mas a realidade costuma ser mais trabalhosa. No fim, o Flamengo não provou que queria mudar uma regra pronta. Provou que a regra ainda não estava pronta. Essa diferença deveria ter mudado a cobertura.

Quando isso não acontece, a discussão deixa de ser sobre erro pontual e passa a ser sobre método. No Posse de Bola, a ausência de enfrentamento da própria polêmica reforçou exatamente essa sensação: não faltou apenas resposta. Faltou encarar o principal tema.

E, em alguns casos, o silêncio pesa mais do que qualquer declaração.

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