O fim próximo da Libra: saída do Grêmio, proposta retirada e avanço da FFU expõem racha definitivo
A Liga do Futebol Brasileiro, a Libra, atravessa sua crise mais profunda. Sem direção eleita, com proposta financeira retirada por banco parceiro e diante da iminente saída do Grêmio, a entidade vê ruir o projeto de organização coletiva dos direitos de transmissão. Ao mesmo tempo, a FFU ganha adesões e se fortalece como alternativa baseada em antecipação de receitas, em um movimento que expõe divergências estruturais sobre o futuro do modelo associativo no país.
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A implosão não aconteceu de um dia para o outro. O desgaste vem de 2025, quando o Flamengo questionou na Justiça os critérios de divisão das cotas de TV. O clube alegou irregularidades na fórmula adotada e levou o caso à corte arbitral. A disputa jurídica abriu fissuras internas e comprometeu a coesão política da liga. Desde então, reuniões rarearam, divergências se acumularam e decisões estratégicas ficaram travadas.
A queda da proposta e o efeito dominó
O estopim mais recente foi a retirada da oferta do Banco Daycoval, que pretendia antecipar receitas mediante a aquisição de 5% dos direitos comerciais por 15 anos. A proposta era vista por parte dos dirigentes como solução imediata para clubes pressionados por caixa. Com o recuo da instituição financeira, a promessa de liquidez evaporou.
O Grêmio, que contava com cerca de R$ 70 milhões da operação, passou a discutir formalmente a migração para a FFU. O movimento foi impulsionado por dificuldades financeiras recentes e pela busca por recursos de curto prazo. A nova alternativa oferece adiantamento em troca de 10% das receitas por 50 anos. O prazo longo acende alertas entre especialistas em governança esportiva.
São Paulo e Santos também analisaram propostas semelhantes. O presidente santista, Marcelo Teixeira, confirmou conversas, mas defendeu uma liga única. Já o clube do Morumbi, sob nova gestão, mantém cautela. O cenário é fluido.
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Uma liga sem comando
A crise institucional agravou o quadro. O mandato de diretores ligados à Libra terminou sem que novas eleições fossem convocadas. A entidade opera hoje com executivos, mas sem liderança política formalizada. Dirigentes relatam falta de coordenação e ausência de respostas concretas sobre contratos e estratégias.
O acordo com a Grupo Globo, válido até 2029, também virou ponto sensível. A ascensão de novos clubes à Série A expôs lacunas no contrato, sem previsão clara de revisão de valores. A consequência pode ser a divisão de um montante menor entre mais participantes. Flamengo, Palmeiras, São Paulo e Santos tendem a receber menos do que projetavam inicialmente.
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FFU, SAF e o debate estrutural
Enquanto a Libra perde tração, a FFU avança com discurso pragmático. O bloco reúne investidores interessados na transformação de clubes em SAFs e atua em Brasília para defender regime tributário mais favorável a sociedades anônimas do futebol. A crítica recorrente é que a estratégia prioriza fluxo financeiro imediato em detrimento de planejamento de longo prazo.
Atlético Mineiro e Vitória já formalizaram adesão. Bahia e Red Bull Bragantino observam o cenário com estabilidade financeira maior. Flamengo e Palmeiras descartaram vender direitos futuros, mantendo-se fora da FFU.
O debate ultrapassa a disputa entre grupos. Está em jogo o modelo de organização do futebol brasileiro. De um lado, a tentativa de construção coletiva. De outro, a antecipação de receitas como resposta a crises de caixa. No meio, clubes pressionados por dívidas, contratos e torcedores impacientes.
A Libra não está oficialmente extinta. O contrato com a Globo mantém vínculos até 2029, o que dificulta rompimentos imediatos. Mas o ambiente é de fragmentação. Dirigentes já discutem abertamente a possibilidade de dissolução.
O futebol brasileiro vive mais uma encruzilhada institucional. A diferença é que, desta vez, a disputa não se decide em noventa minutos.
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