Palmeiras é detonado após reclamar de jornalista e não do comportamento de Abel Ferreira

O Palmeiras foi alvo de críticas de jornalistas após demonstrar incômodo com a divulgação, pela imprensa, de que Abel Ferreira seria novamente denunciado ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). A repercussão ganhou força depois que o jornalista Rodrigo Mattos questionou publicamente a reação do clube e afirmou que a diretoria deveria se preocupar mais com o comportamento de seu treinador do que com o fato de uma informação jornalística ter sido publicada antes de um comunicado oficial.
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O motivo da irritação
A discussão começou a partir da repercussão de uma informação sobre a situação de Abel Ferreira no STJD. Segundo informações, integrantes do Palmeiras teriam demonstrado insatisfação porque o clube tomou conhecimento da denúncia por meio da imprensa.
Foi justamente esse ponto que provocou a reação de Rodrigo Mattos. Ao comentar o episódio, o jornalista resumiu sua crítica em uma pergunta: “Por que incomoda fazer jornalismo?” Na avaliação dele, não haveria motivo para o Palmeiras transformar a divulgação de uma informação em problema, especialmente se o conteúdo publicado dizia respeito a um procedimento envolvendo um funcionário do próprio clube.
A crítica foi acompanhada de uma provocação sobre o funcionamento do departamento jurídico palmeirense. Se a imprensa conseguiu antecipar a informação de que Abel seria denunciado, argumentou o jornalista, caberia ao clube questionar seus próprios mecanismos internos para acompanhar processos e decisões disciplinares, e não responsabilizar quem divulgou o fato.
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Abel Ferreira e a comissão técnica entram no debate
A discussão ganhou uma segunda camada quando os comentaristas passaram a relacionar a postura do treinador ao comportamento de integrantes da comissão técnica durante as partidas. A avaliação apresentada foi de que Abel, por ser o comandante da equipe, deveria assumir responsabilidade pelo ambiente criado na área técnica.
O argumento é que auxiliares acabam sendo advertidos ou expulsos em situações nas quais o treinador já recebeu cartão e, dessa forma, fica mais próximo de uma punição adicional. A leitura defendida é que esse tipo de comportamento poderia funcionar como uma espécie de revezamento, com diferentes integrantes da comissão recebendo punições ao longo da partida.
A crítica não se restringiu aos auxiliares. Abel é o responsável pela comissão que trabalha ao seu lado e, portanto, deveria responder também pelo padrão de comportamento adotado por sua equipe. A discussão, nesse ponto, deixa de ser apenas disciplinar e passa a envolver a responsabilidade de comando.
A imprensa como alvo
Outro aspecto é a relação entre Palmeiras e os veículos de comunicação. Régis Tadeu classificou como inadequada a postura de um clube que, diante de uma informação desfavorável, direciona sua insatisfação para os jornalistas em vez de discutir o fato que originou a notícia.
O debate também associou esse comportamento a uma percepção mais ampla sobre a maneira como algumas diretorias de futebol lidam com críticas. Quando o resultado dentro de campo ou o comportamento de um profissional gera questionamentos, seria mais simples transformar a imprensa em adversária do que enfrentar diretamente o problema.
A expressão “a imprensa virou a nova Geni” apareceu justamente nesse contexto, em referência à música de Chico Buarque. A comparação foi utilizada para descrever uma situação na qual diferentes problemas acabam sendo direcionados para o jornalismo, independentemente da origem da questão.
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Um debate que ultrapassou o Palmeiras
A repercussão também alcançou pessoas que normalmente não participam das discussões cotidianas sobre futebol. O motivo foi a percepção de que o episódio representa uma questão maior sobre a relação entre clubes e imprensa: até que ponto uma instituição pode se incomodar com a divulgação de uma informação antes de sua própria comunicação?
Há uma diferença importante entre contestar uma informação incorreta e questionar simplesmente o fato de ela ter sido publicada. Se houver erro factual, cabe ao clube apresentar sua versão, fornecer documentos ou esclarecer o que considera equivocado. A divulgação antecipada, por si só, não caracteriza uma falha jornalística.
No caso de Abel Ferreira, a questão disciplinar também reforça o debate sobre responsabilidade. O treinador é o principal responsável pela comissão técnica e, independentemente de quem receba uma advertência ou expulsão, existe uma cadeia de comando que não pode ser ignorada. A discussão sobre comportamento à beira do campo, portanto, não deveria ficar restrita aos auxiliares que acabam punidos durante as partidas.
O episódio expõe, mais uma vez, uma relação cada vez mais tensionada entre clubes de grande exposição e imprensa esportiva. Para os críticos do Palmeiras, a prioridade deveria ser compreender por que a informação chegou aos veículos de comunicação e avaliar o comportamento de seus profissionais, em vez de transformar o jornalista que publicou a notícia no centro da controvérsia. Para o jornalismo, permanece uma regra básica: quando existe um fato de interesse público, o trabalho é apurar, informar e, quando necessário, corrigir; não esperar que o clube esteja confortável com aquilo que será publicado.
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