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Pênalti no fim de Flamengo x São Paulo? O lance, a transmissão da Globo e a polêmica exagerada

ênalti no fim de Flamengo x São Paulo? O lance, a transmissão da Globo e a polêmica exagerada

Fotos: Reprodução/TV Globo e Gilvan de Souza/Flamengo

A discussão em torno do possível pênalti no duelo entre Flamengo e São Paulo, no fim da partida, ultrapassou o campo e ganhou proporções que dizem mais sobre a dinâmica da mídia esportiva do que sobre o lance em si. O episódio aconteceu nos minutos finais do jogo, em um contexto de tensão natural, placar apertado e decisão concentrada no último ataque. O contato envolvendo Arrascaeta dividiu opiniões dentro e fora do campo e abriu espaço para um debate que rapidamente saiu da arbitragem e chegou à transmissão televisiva.


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Ainda durante a jogada, não houve convicção imediata nem entre jogadores nem entre analistas. A bola seguiu, Arrascaeta finalizou e o árbitro encerrou a partida após a checagem do VAR, que confirmou a decisão de campo. O lance, no entanto, passou a ser repetido à exaustão na transmissão da TV Globo, o que gerou incômodo em parte da imprensa e motivou críticas públicas, entre elas a de Tiago Leifert, que questionou o número de reprises exibidas.

É preciso situar o contexto. Tratava-se do último lance do jogo, já com acréscimos esgotados. Nessas circunstâncias, é natural que a emissora repita a imagem diversas vezes, não para criar uma narrativa artificial, mas porque aquele foi o ponto final da partida. Se o mesmo contato tivesse ocorrido aos 20 minutos do primeiro tempo, a repetição seria limitada e o jogo seguiria. O problema, portanto, não está na exibição do lance, mas na leitura que se faz dela.

A polêmica cresceu quando surgiu a tese de que a transmissão teria tentado “caçar” um pênalti inexistente, influenciando o debate público e até, em um salto argumentativo mais grave, a decisão do VAR. Essa hipótese não se sustenta. A Central do Apito opinou após o fim do jogo, quando a decisão já estava tomada. Não há qualquer evidência de que comentários em rede nacional interfiram diretamente na sala do VAR, que opera com protocolo, comunicação restrita e autonomia técnica.

Do ponto de vista da regra, o lance admite interpretação. Houve contato entre o defensor do São Paulo e Arrascaeta, mas o toque não foi determinante para impedir a finalização. O meia conseguiu concluir a jogada, sem desequilíbrio claro ou perda de controle. Especialistas em arbitragem apontaram esse fator como decisivo para a não marcação do pênalti. Outros discordaram, defendendo que o simples contato já caracterizaria infração. A divergência, nesse caso, é legítima.

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O que fragiliza o debate é a tentativa de usar reações dos jogadores como prova definitiva. A imagem de Samuel Lino caindo no gramado em desespero virou argumento central para sustentar que não houve pênalti, sob a justificativa de que ele seria o atleta mais bem posicionado. Essa leitura ignora que outros jogadores, como Bruno Henrique, Plata e Jorginho, também tinham ângulos distintos e visões igualmente válidas do lance. Reações instintivas não substituem análise técnica.

Há ainda uma contradição evidente na crítica direcionada à transmissão. Comentaristas são pagos justamente para opinar. Questionar se foi ou não pênalti faz parte do trabalho, assim como discordar dessa avaliação. O problema começa quando se tenta deslegitimar a opinião alheia sob o argumento de influência indevida, como se apenas determinadas vozes pudessem interpretar o jogo.

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No fim, o próprio Flamengo não saiu de campo com discurso unificado. Houve jogadores que reclamaram e outros que seguiram normalmente após o apito final. Isso, por si só, reforça a tese de que o lance não era claro o suficiente para uma marcação decisiva aos 58 minutos do segundo tempo. O VAR, acertando ou errando, optou pela manutenção da decisão original.

A repercussão exagerada revela mais sobre a necessidade constante de criar narrativas do que sobre o lance em si. O futebol virou pano de fundo para disputas de opinião, vaidades e suspeitas genéricas. O pênalti existiu como debate, não como fato consumado. E talvez esse seja o ponto mais honesto de toda a discussão.

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