PVC e Danilo Lavieri cobram ética de influenciadores, mas silenciam sobre erros do próprio jornalismo

PVC e Danilo Lavieri cobram ética de influenciadores, mas silenciam sobre erros do próprio jornalismo

A discussão sobre ética no jornalismo esportivo voltou ao centro do debate após a entrevista coletiva de Filipe Luís, concedida depois do clássico contra o Vasco. Ao comentar o processo de renovação com o Flamengo, o treinador expôs o incômodo com rótulos que leu e ouviu durante a negociação, especialmente o de “mercenário”. A fala, curta e direta, não citou nomes nem categorias profissionais. Ainda assim, foi suficiente para que parte da imprensa apontasse o dedo para os influenciadores digitais, movimento liderado, em tom de cobrança moral, por Paulo Vinícius Coelho, o PVC, e Danilo Lavieri.


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O episódio ganhou repercussão nacional a partir de programas e recortes em redes sociais, nos quais PVC e Lavieri passaram a defender a necessidade de um “código de ética” para quem produz conteúdo esportivo. A crítica, porém, veio acompanhada de uma dedução frágil: a de que Filipe Luís se referia especificamente a influenciadores. Não há, na declaração do técnico, qualquer indício que sustente essa conclusão. O problema começa justamente aí, no momento em que a interpretação vira acusação e a ética passa a ser cobrada de fora para dentro, sem o exercício mínimo da autocrítica.

O que Filipe Luís disse e o que foi projetado sobre sua fala

Na entrevista, Filipe Luís relatou a tristeza ao ser julgado antes do desfecho da negociação. Falou de pessoas, de ambiente, de pré-julgamento. Não citou imprensa, não mencionou redes sociais, tampouco separou torcedores, jornalistas ou criadores de conteúdo. Ainda assim, PVC e Lavieri trataram o episódio como um exemplo dos “excessos” de influenciadores, como se a fala tivesse endereço certo.

O salto lógico chama atenção porque revela mais sobre quem interpreta do que sobre quem falou. Em vez de apurar a origem das ofensas, optou-se por uma generalização conveniente, que transfere a responsabilidade para um grupo externo ao jornalismo tradicional. Influenciadores, nesse discurso, viram muleta para explicar erros, perguntas ruins em coletivas e a deterioração do debate público.

Ética seletiva e memória curta

O ponto central da crítica não está em defender excessos de ninguém. Influenciadores, sobretudo os que têm grande alcance, carregam responsabilidade. O problema é a cobrança seletiva. Quando jornalistas consagrados descem o nível, utilizam palavrões em emissoras de grande alcance ou publicam informações incorretas, o silêncio costuma ser a regra.

Danilo Lavieri, por exemplo, publicou matéria baseada em um documento incompleto sobre os critérios de divisão de receitas de TV, atribuindo unanimidade a um processo que não foi tratado daquela forma. O material permanece no ar, sem correção ou retratação pública. Não houve meia-culpa, nem explicação posterior. O erro não foi cometido por um influenciador amador, mas por um jornalista profissional, em veículo consolidado.

PVC, por sua vez, afirmou em texto e comentários que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro teria dado decisões favoráveis a Ednaldo Rodrigues, informação desmentida pelos fatos. Houve nota pública de repúdio de magistrados. Ainda assim, não se viu pedido de desculpas nem revisão clara do conteúdo. Ao contrário, o jornalista reagiu mal às críticas.

Errar faz parte do ofício. Permanecer no erro, ignorar correções e atacar quem aponta a falha é outra coisa. Ética não se mede pela ausência de erros, mas pela forma como se lida com eles.

Influenciadores, jornalistas e o mesmo espaço público

Outro ponto ignorado no debate é que muitos influenciadores presentes em coletivas estão credenciados como imprensa. Nesse contexto, não atuam fora do jornalismo, mas dentro dele, submetidos, ao menos em tese, ao mesmo código de ética profissional. Separar artificialmente “jornalistas sérios” e “influenciadores problemáticos” serve mais à autopreservação de um modelo em crise do que à qualificação do debate.

Além disso, jornalistas tradicionais também são influenciadores. PVC e Lavieri têm centenas de milhares, às vezes milhões, de seguidores. Produzem conteúdo em redes sociais, opinam, influenciam percepções. A diferença não está no meio, mas na responsabilidade assumida. Tratar influência como algo externo ao jornalismo é ignorar a transformação do próprio campo.

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Há ainda um dado básico de sociologia do futebol que parece esquecido: o torcedor é passional. O que antes era dito na arquibancada ou na mesa de bar hoje aparece em comentários, tweets e vídeos. Isso não absolve ofensas, mas ajuda a compreender o fenômeno. Jogar todo esse comportamento no colo de influenciadores, como se fossem os únicos produtores de discurso agressivo, é desonesto intelectualmente.

Quando Filipe Luís diz que leu e ouviu coisas que o machucaram, é perfeitamente plausível que esteja falando desse ruído difuso das redes, potencializado por um momento de tensão contratual. Deduzir que ele se referia a um grupo específico, sem prova, é mais um exemplo de como o jornalismo pode criar narrativas sem base factual.

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O debate sobre ética é necessário e urgente. Mas ele perde força quando parte de quem não revisa os próprios erros. Cobrar responsabilidade de influenciadores enquanto se mantém no ar matérias equivocadas, documentos manipulados ou informações desmentidas é, no mínimo, incoerente.

Influenciadores não são a causa de todos os males do jornalismo esportivo. Muitas vezes, são apenas o espelho de problemas antigos: vaidade, falta de apuração, dificuldade em admitir falhas e resistência à crítica. Usá-los como bode expiatório pode aliviar consciências, mas não resolve nada.

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