Racismo contra Vini Jr na Champions expõe postura horrorosa do Benfica e pressiona UEFA por punições

Racismo contra Vini Jr na Champions expõe postura horrorosa do Benfica e pressiona UEFA por punições
Imagem: Reprodução/Ponte Preta

Vinícius Júnior marcou um golaço contra o Benfica, pela UEFA Champions League, comemorou com dança perto da bandeirinha e, minutos depois, deixou o campo acusando ofensa racista. O episódio ocorreu em Lisboa, ganhou repercussão imediata nas transmissões e terminou com protocolo antirracista acionado de forma burocrática, cartão amarelo para o brasileiro e uma nota oficial do clube português que optou por desqualificar a versão da vítima. O caso reacende uma discussão antiga: como as instituições reagem quando o alvo é um jogador negro que se recusa a se calar.


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O gol, a comemoração e a acusação

O lance que antecede a polêmica é futebol em estado puro. Vinícius decide a partida com um chute de fora da área e dança diante da bandeira de escanteio, gesto que remete às celebrações de Roger Milla na Copa de 1990. Não há provocação explícita, não há chute na bandeira, não há confronto físico. Há alegria. Logo depois, segundo o atacante, vieram as palavras racistas proferidas por um adversário.

Em campo, a reação foi imediata. Vinícius procurou o árbitro, apontou o responsável e exigiu providências. Recebeu advertência por “excesso” na comemoração, enquanto o protocolo foi aplicado sem interrupção significativa do jogo. O contraste entre a punição célere ao gesto festivo e a lentidão no combate ao preconceito expõe a inversão de prioridades.

Após a partida, o camisa 7 afirmou que racistas são covardes e que o sistema costuma proteger quem deveria ser punido. Não é a primeira vez. Desde 2022, o brasileiro enfrenta episódios reiterados na Espanha, sobretudo em partidas da La Liga, com denúncias públicas e investigações que raramente produzem sanções exemplares.

A defesa corporativa

A direção do Benfica divulgou comunicado sustentando que, pela distância, os jogadores do Real Madrid não poderiam ter ouvido o que alegam ter ouvido. Em seguida, reafirmou apoio “pleno” à versão do atleta acusado, Prestianni, que negou ter cometido racismo.

A escolha é reveladora. Em vez de anunciar apuração interna rigorosa e colaboração com as autoridades esportivas, o clube antecipou juízo e tratou o episódio como campanha de difamação. Ao fazê-lo, transferiu o peso da dúvida para quem denuncia. O gesto é ainda mais simbólico quando se recorda que o maior ídolo da história benfiquista é Eusébio, símbolo do talento negro em Portugal.

Há um detalhe que não passou despercebido: quando confrontado em campo por companheiros de Vinícius, o acusado manteve postura passiva, sem reação enfática de indignação. Não se trata de prova jurídica, mas de elemento contextual que alimenta a percepção pública.

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Mbappé rompe o padrão

Quem vocalizou a denúncia foi Kylian Mbappé. O francês chamou o adversário de racista, repetiu a acusação cara a cara e, na entrevista pós-jogo, explicou que certas palavras não podem ser normalizadas. A fala tem peso por duas razões: parte de uma das maiores estrelas do planeta e rompe com o silêncio frequente de colegas que preferem não se expor.

Mbappé foi claro ao dizer que não se trata de atacar Portugal ou o Benfica como instituição, mas de responsabilizar um indivíduo e cobrar postura firme das entidades. Lembrou que a Champions é vitrine mundial e que jogadores são referência para crianças. A cobrança recai também sobre a UEFA, que, embora tenha criado protocolos, ainda patina na aplicação de punições exemplares.

Ex-atletas europeus se manifestaram em apoio. No Brasil, a reação institucional foi tímida. O silêncio, nesses casos, funciona como combustível para a repetição do problema.

A inversão do debate

O técnico José Mourinho sugeriu que Vinícius deveria comemorar de maneira diferente, evocando ídolos do passado que celebravam com sobriedade. A linha de raciocínio desloca o foco: o debate deixa de ser a agressão e passa a ser o comportamento da vítima. A mensagem implícita é perigosa. Como se houvesse um manual de conduta capaz de evitar o racismo, quando o preconceito independe da coreografia.

A história recente mostra que a narrativa da provocação costuma anteceder a tentativa de relativização. Não importa se houve dança, sorriso ou silêncio. O ataque racial não nasce da celebração, mas da mentalidade de quem enxerga no outro a oportunidade de desumanizar.

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O padrão que se repete

Desde sua chegada ao futebol europeu, Vinícius tornou-se alvo recorrente. Em Valência, Madri e outras cidades, já ouviu cânticos e gestos semelhantes. A cada episódio, promete não se calar. Essa postura incomoda. Jogadores que denunciam rompem o pacto tácito da acomodação.

O caso em Lisboa amplia a discussão para além da Espanha. Mostra que o problema não é localizado e que a resposta institucional ainda oscila entre o marketing e a complacência. Enquanto clubes se apressarem em blindar seus ativos e dirigentes relativizarem ofensas, a mensagem será ambígua.

O futebol europeu gosta de se apresentar como referência civilizatória. A Champions vende espetáculo global, diversidade, inclusão. Quando a prática contradiz o discurso, a credibilidade também entra em campo.

POR QUE VINÍCIUS JÚNIOR SOFRE TANTO RACISMO NA ESPANHA?

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