Flamengo no Couto Pereira? No Sul? Que não seja entendido que, pelo fato da vitória desta noite, o temor tenha sido encerrado. Para alguns, sim, é temor; para outros, é apenas uma verdade absoluta: o Flamengo sempre sofre jogando nos campos do Sul do país.
A última vez que o Flamengo havia vencido o Coritiba no Couto Pereira foi em 1998, por 3 a 1. Também, desde 2005, sequer marcava gols por lá. E, como todo tabu, tinha de ser quebrado. Se fossem os dois de uma só vez, melhor!
O Flamengo foi ao Couto no mesmo 4-4-2, com a seguinte formação: Paulo Victor; Léo Moura, Wallace, Chicão, João Paulo; Amaral, Elias, Carlos Eduardo, André Santos; Paulinho e Hernane. Felipe, suspenso, e Samir, machucado, foram os desfalques mais visíveis. Porém, a injeção de raça que Jayme vem colocando na equipe surpreende e faz o torcedor esquecer qualquer ausência.
O Coritiba era o mandante, mas quem tomou a iniciativa — mesmo que com certo atraso e timidez — foi o Flamengo. Os dois times começaram o jogo bastante cautelosos, tocando, girando e invertendo jogadas, quase sem coragem para chegar à área adversária.
Prova disso, pelo menos do lado do Coritiba, é que a única finalização com perigo em todo o primeiro tempo foi com Robinho, que João Paulo salvou em cima da linha.
Já o Flamengo encontrou no lado direito da defesa do Coritiba uma brecha para atacar e criar possibilidades. Elias, Paulinho e Hernane revezavam as jogadas. Quase sempre simples, mas com falhas na conclusão. Carlos Eduardo não antecipou um passe e viu a zaga cortar; Hernane praticamente cruzou uma bola curta e forte na cabeça de André Santos, que reclamou da possibilidade de passe por baixo.
E foi do próprio André Santos que veio o primeiro gol do Flamengo. Aos 46 minutos, João Paulo encontrou o lateral/meia na área, que dominou e, sem girar o corpo, bateu no canto oposto de Vanderlei e abriu o placar. O Flamengo saía do primeiro tempo com superioridade no placar e também no jogo. O Coritiba dependia cada vez mais de um Alex pouco inspirado.
No retorno para o segundo tempo, o jogo mal havia recomeçado e o Coritiba tomou uma ducha de água fria. Logo aos 4 minutos, após bate-rebate na área, a bola sobrou para Chicão, que levantou para Wallace cabecear e ampliar para 2 a 0. Marcos Paulo ainda tentou cortar, mas sem sucesso.
Com o jogo resolvido, ao menos em teoria, e com o Coritiba sem ameaçar de forma consistente, Jayme sacou André Santos e Carlos Eduardo e colocou Cáceres e Luiz Antônio. Retranca inteligente!
A partir daí, o Coritiba veio com tudo, mesmo sem organização, no chamado “abafa”. Enquanto isso, o Flamengo se defendia e saía em contra-ataques rápidos e organizados.
Paulo Victor foi exigido até o fim; Germano (meu xará) foi expulso por entrada em Hernane; e Luiz Antônio e Hernane desperdiçaram chances claras de fazer o terceiro gol e ampliar o saldo rubro-negro.
Olé, confusão envolvendo Bill, do Coritiba, com a própria torcida, e o Flamengo, com Jayme, quebrando um tabu de 15 anos sem vencer no Couto Pereira. Méritos do time pelo resultado. Duas vitórias seguidas, com seis gols marcados e apenas um sofrido. E nada melhor do que o rival no fim de semana para buscar a terceira vitória consecutiva e chegar aos 36 pontos. São Judas Tadeu abençoou, São Jayme de Almeida “mitou” e o Coxa Branca caiu. Vasquinho, te esperamos felizes (e você sabe o porquê)!
—

