Série Velho Maraca – A alma do Maracanã

Série Velho Maraca – A alma do Maracanã

O Maracanã, para mim, sempre foi símbolo de algo grandioso e fantástico quando misturado à Nação Rubro-Negra. Não há nada maior e mais homogêneo do que o Flamengo, a torcida e o Maracanã.

Há coisas na vida que não se explicam, como o fato de justamente o Flamengo ser o clube que conquistou as suas principais glórias dentro do “Templo do futebol”. Separar tais fatos concretos e indissolúveis é como negar a própria sanidade.

A minha relação com o Maracanã começou em 1992. Sim, eu tenho uma relação com esse estádio que vai muito além de torcer. É simplesmente uma ligação emocional e afetiva com o Maracanã.

No dia 19 de julho de 1992, eu vivi a primeira expectativa de entrar no Maracanã. A final do Campeonato Brasileiro daquele ano reservou a mim uma estreia digna e à altura para se tornar inesquecível. O astro principal? Júnior! Como a primeira partida foi 3 a 0 para o Flamengo, a segunda seria uma mera formalidade para a confirmação do sonhado penta!

Cento e vinte e duas mil pessoas no Maracanã, que estava tomado de preto e vermelho. O frio na barriga, o nervosismo, tudo era parte do ritual que antecedia a minha estreia. Ao entrar, parecia que estava num verdadeiro caldeirão rubro-negro, e o que logo reparei foi que a maioria dos torcedores presentes era do Flamengo. A torcida do Botafogo havia jogado a toalha!

Uma cena me chocou ainda antes da partida. A arquibancada se rompeu, e mais de cem pessoas ficaram feridas, e quatro morreram. Na hora, não dava para ter noção do que acontecera, mas a imagem me impressionou, e confesso que só anos mais tarde é que soube realmente o que ocorreu.

Sobre o jogo, posso dizer que uma imagem ficou marcada para sempre na minha memória e que deu todo o sentido de ser flamenguista e de estar ali naquele momento. Júnior cobra falta aos quarenta e dois minutos do primeiro tempo com a perfeição que só jogadores como ele sabem ter. A explosão do Maracanã, a sua comemoração emblemática correndo como um menino peralta, sem direção pelo gramado, é de arrepiar até hoje. Se alguém tinha dúvida do título, a certeza era ali. Talvez outro estádio não estivesse à altura para tal momento tão emblemático como esse.

Após aquele instante, tudo o que ocorreu até o fim da partida ficou em segundo plano. Não precisa falar. A comemoração de mais um título dentro do nosso habitat favorito, com a torcida invadindo o campo para comemorar com os jogadores o “primeiro penta”, foi a cereja do bolo que se completava como uma letra se encaixa numa melodia de uma canção com o gol do Maestro. Inesquecível! Não sabia, mas estava sendo testemunha ocular de um momento histórico que ditaria, dali em diante, a minha vida e o sentido dela.

Deus me permitiu ver Júnior fazer história no Maracanã, e essa é, com certeza, uma das imagens mais marcantes como torcedora de arquibancada. Se eu pudesse voltar no tempo, seria para esse dia que voltaria.

Hoje, o Maracanã foi completamente reformado, e já tive a oportunidade de ver o “Novo Maracanã”. É um luxo, muito bonito, padrão europeu, mas é como se tivessem feito outro estádio ali dentro. Porém, há uma coisa que concessionária, empreiteira e governo nenhum tiram: a alma do “Velho Maraca”, construída ao longo do tempo por Zico, Pelé, Evaristo, Júnior, Garrincha, Jairzinho, Adílio, Rivellino, Renato Gaúcho, Pet, Romário, Gérson… entre tantos outros que contribuíram para que o “Velho Maraca” não morra jamais!

Acompanhe a Série “Velho Maraca”:

Anitta Buarque
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