Sete anos da tragédia do Ninho do Urubu: ato no Maracanã relembra vítimas e cobra responsabilização
Neste domingo, 8 de fevereiro, a tragédia do Ninho do Urubu completa sete anos. Antes mesmo de a bola rolar no Maracanã, a data volta a ocupar o centro da cena rubro-negra por iniciativa do coletivo Flamengo da Gente, que organiza um adesivaço e um ato de memória no entorno do estádio. A mobilização acontece na partida deste sábado (7), a partir das 18h30, e segue durante o jogo, com concentração no setor Norte, como forma de homenagem aos dez jovens mortos no incêndio de 2019.
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Criado originalmente como um grupo político dentro do clube e hoje reorganizado como coletivo, o Flamengo da Gente se consolidou nos últimos anos como um dos principais guardiões da memória do episódio mais traumático da história recente do Rubro-Negro. A proposta do ato é simples e direta: distribuir adesivos, ocupar o espaço do estádio e reafirmar que a lembrança dos garotos não é um gesto protocolar, mas um compromisso permanente. As hashtags “não esquecemos” e “nossos 10” sintetizam o espírito da ação.
Sete anos depois, a ferida segue aberta
O incêndio no centro de treinamento do Ninho do Urubu ocorreu na madrugada de 8 de fevereiro de 2019 e matou dez adolescentes das categorias de base do Flamengo. Sete anos depois, o caso ainda carrega um dado incômodo: ninguém foi responsabilizado de forma efetiva. Não houve condenações criminais, punições exemplares nem a sensação pública de que o episódio foi tratado à altura da gravidade que exige.
Esse vazio institucional é um dos motores das homenagens que se repetem ano após ano. Para integrantes do coletivo, relembrar não significa reviver o luto, mas impedir que a tragédia seja diluída pelo tempo.
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Homenagem não é provocação
Dentro e fora do estádio, o debate reaparece sempre que a data se aproxima. Há quem defenda o silêncio, há quem critique manifestações durante jogos. Para o Flamengo da Gente e para familiares das vítimas, o gesto não tem caráter de confronto. Trata-se de uma homenagem pública, legítima, que reconhece vidas interrompidas e aponta para responsabilidades que seguem sem resposta.
O canto aos dez minutos de jogo, as faixas, os adesivos e os encontros no Maracanã passaram a funcionar como um ritual coletivo. Não para alimentar ressentimentos, mas para reafirmar que o futebol não existe apartado da vida real, tampouco das estruturas que o sustentam.
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O papel do Flamengo e do futebol brasileiro
A tragédia do Ninho escancarou práticas que por muito tempo foram naturalizadas no futebol brasileiro: instalações precárias, improvisos estruturais, ausência de fiscalização rigorosa e a ideia de que jovens atletas podem esperar. Sete anos depois, o episódio permanece como um marco negativo e um alerta que não se restringe ao Flamengo.
Ao ocupar o Maracanã com memória, o coletivo amplia o debate para além do clube. A mensagem é clara: lembrar é também uma forma de evitar que novas tragédias aconteçam, seja no Rio de Janeiro ou em qualquer outro centro de formação do país.
No domingo, quando a data se completar, a ausência dos dez meninos seguirá presente. E enquanto não houver respostas à altura, a memória continuará sendo uma forma de resistência.
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