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Sormani cria tese contra o Flamengo e jornalista palmeirense silencia sobre contradição do próprio Palmeiras

Em debate sobre sintético, Sormani deixa palmeirense em silêncio: “Flamengo manda mais no Maracanã”

Imagem: Reprodução/Placar

O debate sobre fair play financeiro e conflito de interesses no futebol brasileiro voltou ao centro da discussão depois das declarações de Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do Flamengo, sobre a necessidade de regras mais claras para proteger a competitividade e a integridade institucional do esporte. O tema, que já é tratado com seriedade em grandes ligas internacionais, rapidamente foi transformado em disputa emocional de torcida por parte de setores da imprensa esportiva. E foi justamente nesse ambiente que Fábio Sormani conseguiu transformar uma discussão legítima em um exercício de incoerência pública.


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Ao comentar a fala de Bap sobre o possível conflito de interesses envolvendo Leila Pereira, a Crefisa, o ambiente multiclubes e a relação com o Vasco, Sormani decidiu responder não com análise jurídica ou esportiva, mas com um ataque ao Flamengo. Sua tese era simples: o Rubro-Negro não teria autoridade moral para discutir fair play porque é patrocinado pela Betano, mesma empresa que dá naming rights ao Campeonato Brasileiro e à Copa do Brasil. Para ele, isso configuraria um conflito ainda mais grave do que o próprio debate levantado pelo presidente rubro-negro .

A fala já seria frágil por si só, mas o problema ficou ainda maior quando se observa o detalhe que ninguém da mesa quis lembrar. O Palmeiras é patrocinado pela Sportingbet, a mesma empresa que patrocina oficialmente a Libertadores da América. Se a lógica de Sormani fosse aplicada com o mesmo rigor, a pergunta deveria ser inevitável: por que isso só vira escândalo quando envolve o Flamengo?

A resposta apareceu no silêncio.

O que Bap realmente colocou em discussão

Antes de qualquer simplificação, é preciso entender o ponto original.

Bap não estava reclamando de rivalidade esportiva nem tentando criar uma guerra pessoal com Leila Pereira. O centro da fala estava no risco institucional que surge quando estruturas empresariais ligadas ao ambiente de um clube se conectam diretamente com outros agentes competitivos dentro do mesmo ecossistema esportivo.

Esse debate não é invenção brasileira nem paranoia de dirigente.

Na Europa, o controle sobre conflitos de interesse envolvendo grupos econômicos, múltiplos clubes e influência competitiva é tratado como tema central de governança. A UEFA possui regras específicas sobre isso. A FIFA acompanha o tema com atenção. A própria legislação esportiva brasileira passou a tratar o assunto com mais profundidade.

Portanto, reduzir a fala de Bap a “ciúme do Palmeiras” ou “provocação política” é uma forma conveniente de fugir da discussão real. O tema é sério porque afeta credibilidade.

A tese de Sormani e o argumento que desaba sozinho

Foi nesse cenário que Sormani resolveu construir sua resposta.

Segundo ele, o Flamengo estaria em situação ainda mais delicada porque recebe patrocínio da Betano enquanto a empresa também dá nome ao Brasileirão e à Copa do Brasil. Na leitura do comentarista, isso criaria uma relação suspeita, como se a marca tivesse interesse direto em favorecer o clube rubro-negro por razões comerciais .

O problema é que essa lógica não resiste ao primeiro teste de coerência.

Se o simples fato de um patrocinador estar ligado a um clube e a uma competição já configura favorecimento estrutural, então o mesmo raciocínio deveria ser aplicado ao Palmeiras, patrocinado pela Sportingbet, enquanto a mesma aparece como patrocinadora oficial da Libertadores, principal torneio continental disputado pelo próprio clube paulista.

A contradição é evidente. Se vale para um, precisa valer para o outro. Caso contrário, não há princípio. Há apenas conveniência. E é exatamente aí que a crítica se fortalece.

O silêncio da jornalista palmeirense disse mais que a fala

Talvez o momento mais revelador de todo o episódio não tenha sido a fala de Sormani, mas a ausência de correção ao lado.

Na mesa estava a jornalista palmeirense Isabela Labate, plenamente consciente do ambiente do clube, da estrutura da competição e da própria relação comercial da Sportingbet com a Libertadores. Ainda assim, em nenhum momento houve a intervenção mais simples possível: lembrar que a lógica usada contra o Flamengo também atingiria diretamente o Palmeiras. Nenhuma observação. Nenhum contraponto. Nenhuma correção.

Esse silêncio não pode ser tratado como distração casual. Ele se transforma em posicionamento editorial quando a omissão preserva a tese e impede que o público perceba a incoerência central do argumento. É o chamado silêncio estratégico. Não se mente diretamente, mas escolhe-se cuidadosamente o que não será dito. E muitas vezes isso é ainda mais eficiente.

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Quando o Flamengo incomoda, a régua muda

O problema não está apenas nesse episódio isolado. Ele revela um padrão.

Quando o Palmeiras levanta debates sobre fair play, arbitragem, governança ou estrutura de liga, parte da imprensa costuma tratar isso como liderança institucional e modernização do futebol brasileiro. Quando o Flamengo faz o mesmo movimento, especialmente nas gestões mais recentes, a reação costuma vir carregada de julgamento moral: arrogância, soberba, mania de grandeza.

A régua muda conforme a camisa. Leila Pereira pode pressionar arbitragem e defender interesses políticos dentro da Libra. Isso é visto como firmeza de gestão. Quando o Flamengo questiona contratos, critérios de divisão e conflitos estruturais, a resposta vira acusação de prepotência. Não é análise técnica. É seleção de simpatia.

O passado seletivo da indignação

Outro ponto levantado durante o debate foi o antigo patrocínio da Petrobras ao Flamengo, usado como tentativa de reforçar a tese de privilégios históricos. Mais uma vez, a análise ignora contexto.

A parceria da Lubrax com o clube começou em 1984, muito antes das figuras atuais da política rubro-negra. Além disso, quando a Caixa Econômica passou a patrocinar diversos clubes brasileiros, o Corinthians recebeu cifras superiores às do próprio Flamengo sem que isso provocasse o mesmo moralismo televisivo.

O estádio corintiano, sua engenharia financeira e a relação com recursos públicos continuam sendo um dos maiores exemplos de discussão estrutural no futebol brasileiro, mas raramente aparecem com a mesma intensidade retórica. A pergunta continua simples: a indignação vale para todos ou depende da camisa? Se depende da camisa, já não é indignação. É conveniência disfarçada.

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O problema não é errar, é falar sem estudar

Sormani não apresentou apenas uma opinião controversa. Houve erros factuais, confusão sobre relações empresariais, simplificação de conceitos jurídicos e uma evidente substituição de estudo por convicção performática .

Errar faz parte do jornalismo. O problema aparece quando alguém fala com absoluta certeza sobre temas complexos sem o mínimo aprofundamento necessário. Fair play financeiro, conflito de interesses e governança esportiva não são assuntos que se resolvem com frase de efeito. Exigem leitura, contexto e responsabilidade. Quando isso é substituído por improviso televisivo, o debate deixa de informar e passa apenas a reforçar preconceitos previamente escolhidos.

O silêncio também produz narrativa

No fim, talvez o episódio diga menos sobre Sormani e mais sobre o ambiente que permite esse tipo de construção.

Uma tese fraca pode surgir em qualquer debate. O problema real aparece quando ninguém ao redor interrompe, exige consistência ou lembra o dado que desmontaria toda a narrativa. Quando o Flamengo entra no centro da conversa, a suspeita costuma chegar antes da apuração. Quando o Palmeiras aparece no mesmo espelho, o reflexo desaparece.

Foi exatamente isso que aconteceu. A Betano virou problema porque estava associada ao Flamengo. A Sportingbet deixou de existir quando o assunto passou pela Libertadores e pelo Palmeiras. E esse silêncio foi mais eloquente do que qualquer argumento.

O jornalismo esportivo não se deteriora apenas pelas falas erradas. Ele se desgasta também pelas omissões convenientes, pelos contrapontos que não são feitos e pelas verdades que alguns preferem deixar fora do enquadramento. No fim, não foi apenas Sormani falando demais. Foi um estúdio inteiro escolhendo cuidadosamente o que não deveria ser dito. E isso, muitas vezes, explica muito mais do que qualquer discurso inflamado.

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