Nesta segunda (23), a UEFA anunciou a suspensão provisória de Gianluca Prestianni por uma partida das competições continentais. O atacante do Benfica foi acusado por Vinícius Júnior de ter proferido ofensas racistas durante o duelo contra o Real Madrid, no Estádio da Luz, em Lisboa, pelos playoffs da UEFA Champions League. A medida cautelar o tira do jogo de volta, no Santiago Bernabéu, enquanto a investigação segue em curso.
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A decisão foi tomada após a designação de um inspetor de Ética e Disciplina, que apresentou relatório preliminar apontando possível violação do Artigo 14 do Regulamento Disciplinar, dispositivo que trata de condutas discriminatórias. A punição é preventiva, não definitiva. Ainda assim, sinaliza que a entidade entendeu haver indícios suficientes para agir antes da conclusão do processo.
O episódio em Lisboa
O caso teve início logo após Vinícius marcar um golaço que definiu a vitória espanhola por 1 a 0. Na comemoração, próxima a um setor organizado do clube português, houve reclamações de jogadores do Benfica e um princípio de confusão. O árbitro francês François Letexier advertiu o brasileiro com cartão amarelo. Na sequência, Vini denunciou ter sido alvo de ofensas racistas por parte de Prestianni.
Segundo relatos de companheiros, como Mbappé, o argentino teria repetido a palavra “mono” cinco vezes. Tchouaméni afirmou que o jogador indicou ter dito “maricón”. O próprio atleta negou racismo. A divergência sobre o termo utilizado não altera a gravidade do contexto: tanto racismo quanto homofobia são enquadrados como infrações severas pelo regulamento disciplinar europeu.
O protocolo antirracismo foi acionado. A partida ficou interrompida por cerca de dez minutos. Durante a paralisação, integrantes das duas comissões técnicas discutiram, e o técnico José Mourinho chegou a conversar com Vinícius. Quando o jogo recomeçou, o brasileiro passou a ser vaiado intensamente e teve objetos arremessados em sua direção.
Versões, negações e repercussão
Nos dias seguintes, surgiram informações de que Prestianni teria prestado depoimento à UEFA afirmando ter utilizado termo homofóbico, não racista. O empresário do jogador negou que houvesse qualquer contato formal com a entidade naquele momento. A sucessão de versões ampliou a tensão.
A suspensão provisória altera o cenário. Ainda que não represente julgamento final, demonstra que o órgão disciplinar considerou plausível a denúncia. O comunicado oficial é cauteloso ao afirmar que a medida não antecipa decisão definitiva. Mas, politicamente, o gesto pesa.
O Benfica anunciou que tentará recorrer, embora reconheça a dificuldade prática diante do prazo curto até a partida de volta. Em nota, reafirmou compromisso histórico com o combate ao racismo e citou a figura de Eusébio como símbolo dessa identidade.
O histórico de Vinícius
Este não é um caso isolado na trajetória europeia do atacante brasileiro. Desde que chegou à Espanha, acumulam-se denúncias de ataques racistas. A cada novo episódio, a discussão reaparece: punições brandas, arquivamentos ou sanções limitadas alimentam a sensação de impunidade.
A dimensão da repercussão atual parece maior. Talvez pelo palco da Champions, talvez pelo acúmulo de episódios anteriores. A pressão internacional cresce. Ex-jogadores e ídolos de diferentes clubes se manifestaram em apoio ao brasileiro, ampliando o debate sobre a responsabilidade institucional.
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O que está em jogo
A suspensão preventiva é o mínimo esperado diante de um relato formal e da aplicação do protocolo durante a partida. O regulamento prevê sanções que podem ultrapassar dez jogos em casos confirmados de discriminação. Resta saber se a UEFA irá até o fim ou se o caso se diluirá em atenuantes e disputas semânticas.
Mais do que a presença ou ausência de um atleta no Bernabéu, está em jogo a credibilidade do sistema disciplinar. Cada decisão constrói precedente. Cada recuo reforça a percepção de tolerância.
Vinícius Júnior voltou a campo, marcou um gol decisivo e saiu novamente como personagem central de um debate que insiste em persegui-lo. O futebol europeu, mais uma vez, precisa decidir se encara o problema de frente ou se permite que ele sobreviva nas entrelinhas.
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