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Um ano da matéria fake news de Danilo Lavieri sobre Landim e os critérios de audiência da Libra

Um ano da matéria fake news de Danilo Lavieri sobre Landim e os critérios de audiência da Libra

Completa um ano a publicação de Danilo Lavieri sobre a assinatura de Rodolfo Landim em um documento da Libra que provocou uma das principais disputas de narrativa envolvendo o Flamengo e os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. Publicada pelo UOL em 6 de outubro de 2025, a matéria afirmava que o então presidente rubro-negro havia concordado com “todos os critérios de audiência” definidos pela Libra e apresentava uma imagem da assinatura eletrônica. O problema apontado posteriormente estava justamente naquilo que não aparecia na imagem: a tabela do Anexo 1 que detalhava os critérios por plataforma não trazia os percentuais de divisão.


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A diferença pode parecer apenas documental, mas não é. Ela está no centro da disputa que levou o Flamengo a questionar judicialmente a distribuição dos 30% da receita de televisão vinculados à audiência. A Libra sustentava que o critério havia sido aprovado em 2024 e que a gestão Luiz Eduardo Baptista tentava alterar uma regra já estabelecida. O Flamengo, por sua vez, argumentava que havia uma lacuna justamente na definição dos percentuais aplicáveis às plataformas de transmissão e que, sem essa informação, não seria possível executar a fórmula prevista no estatuto.

O documento e o que estava em discussão

A Libra adotou para a distribuição das receitas um modelo de 40% dividido igualmente entre os clubes, 30% conforme desempenho no campeonato e outros 30% vinculados à audiência. Essa estrutura já fazia parte da arquitetura de distribuição dos direitos negociados pela entidade com a Globo. Em março de 2024, quando o acordo com a emissora foi anunciado, a divisão 40-30-30 já era apresentada publicamente.

Em 6 de setembro de 2024, houve uma reunião da Libra na qual foi aprovada uma premissa para o cálculo da audiência. Segundo a reportagem publicada por Lavieri, a definição considerava a audiência dos jogos de cada clube como mandante e visitante, dividida por dois, em relação ao total de indivíduos que assistiram aos jogos da Série A na respectiva plataforma. O texto também afirma que todos os clubes presentes concordaram com essa definição.

É nesse ponto que a discussão ganha outra dimensão. A existência de uma definição geral para o cálculo da audiência não significa necessariamente que todos os elementos necessários para executar o rateio estivessem preenchidos no documento. A própria reportagem do UOL reproduziu a posição do Flamengo de que o Anexo 1 excluía a ponderação por receitas de cada plataforma e não apresentava os dados necessários para estabelecer os percentuais de rateio.

Essa distinção é fundamental para entender a controvérsia. Uma coisa é afirmar que Landim assinou documentos da Libra relacionados à divisão das receitas. Outra é concluir, a partir dessa assinatura, que ele havia aprovado todos os percentuais necessários para efetivar a distribuição dos 30% destinados à audiência. Foi justamente essa segunda interpretação que passou a ser contestada.

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A mudança de gestão e o conflito

A assinatura de Landim ocorreu no fim de sua gestão. Em janeiro de 2025, Luiz Eduardo Baptista, o BAP, assumiu a presidência do Flamengo e passou a questionar o modelo que havia sido construído pela administração anterior. O clube sustentava que a fórmula poderia prejudicar financeiramente o Flamengo e defendia uma alteração na maneira como a audiência seria utilizada para distribuir os recursos.

A divergência chegou a uma reunião da Libra em 7 de maio de 2025. Segundo a própria reportagem de Lavieri, não houve acordo para modificar o critério. Ficou prevista a contratação de uma empresa para executar o contrato da Globo e elaborar cenários de pagamento de audiência a partir dos parâmetros existentes no estatuto. Em agosto, novas discussões também não resolveram o impasse.

O Flamengo então levou a disputa para a Justiça. Em setembro, conseguiu uma liminar que bloqueou R$ 77 milhões referentes a uma parcela dos direitos de transmissão. O movimento provocou reação de outros clubes da Libra, entre eles Palmeiras e São Paulo, que criticaram a iniciativa rubro-negra.

Foi nesse ambiente que a matéria de 6 de outubro ganhou peso. Publicada às 10h, a reportagem tinha como título “Com sim de Landim, Libra foi unânime em critério de TV; veja assinatura”. O texto sustentava que Landim havia concordado com os critérios de audiência e que a nova gestão tentava modificar o que havia sido acordado. Ao mesmo tempo, o próprio conteúdo registrava a manifestação do Flamengo contestando a suficiência do documento.

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A questão que permanece um ano depois

O debate não se resume, portanto, a saber se existe ou não uma assinatura de Landim. Ela existe e foi apresentada na reportagem. O ponto central é o alcance daquela assinatura e se o documento utilizado como prova continha todos os elementos necessários para afirmar que os percentuais de divisão por plataforma estavam efetivamente definidos.

Essa é uma diferença relevante porque o próprio Flamengo afirmou, em outubro de 2025, que o estatuto não trazia os percentuais de audiência dentro dos 30% destinados a essa fatia. Na versão apresentada pelo clube, a assembleia precisaria deliberar sobre a lacuna. A Libra, naturalmente, sustentava interpretação diferente e defendia que o critério já estava estabelecido.

Meses depois, o ge voltou a registrar a mesma controvérsia ao explicar a disputa entre Flamengo e Libra. A publicação apontou que a premissa do critério de audiência havia sido aprovada em setembro de 2024, mas também descreveu a alegação do Flamengo de que a fórmula precisava ser complementada.

A discussão acabou chegando a um desfecho em maio de 2026, quando Flamengo e Libra anunciaram um acordo para encerrar a divergência sobre a distribuição dos valores referentes à audiência. A fatia representa 30% da remuneração fixa estabelecida no contrato com a Globo, válido até 2029. O acordo foi apresentado como um ponto de equilíbrio entre a proposta da nova diretoria do Flamengo e a posição dos demais clubes.

Por isso, um ano depois da publicação de Lavieri, a melhor forma de olhar para o episódio não é simplesmente escolher entre “Landim assinou” ou “Landim não assinou”. Landim assinou documentos da Libra, isso não está em discussão. A controvérsia está em saber exatamente o que aquele documento permitia concluir sobre os critérios de audiência e, principalmente, se os percentuais necessários para executar o rateio estavam de fato definidos naquele momento.

A matéria permanece como um registro importante de uma disputa que atravessou duas gestões do Flamengo, chegou aos tribunais e terminou em um acordo entre o clube e a Libra. O episódio também mostra como documentos incompletos ou apresentados fora de seu contexto podem ganhar interpretações muito diferentes quando colocados no centro de uma disputa política e financeira. Nesse caso, a assinatura existia. O debate que veio depois foi sobre aquilo que estava, ou não estava, definido ao redor dela.

Danilo Lavieri critica o jornalismo esportivo que ele próprio ajudou a construir

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