Agência Ana Couto revela bastidores do rebranding do Flamengo e nova estratégia de marca

Os bastidores do rebranding do Flamengo foram apresentados pela agência Ana Couto, responsável pelo desenvolvimento da estratégia de marca, naming e universo visual e verbal que passaram a orientar o novo posicionamento do clube. Em uma aula aberta promovida pelo escritório, profissionais envolvidos no projeto detalharam conceitos, etapas e decisões que culminaram na reorganização do portfólio rubro-negro. O Flamengo havia apresentado oficialmente a nova estratégia em agosto, com a plataforma de sportainment, o Hub Digital, a URU.HUB e o conceito “Flamengo Sem Intervalo“.
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O material apresentado pela agência Ana Couto ajuda a compreender que a mudança não foi pensada apenas como uma atualização estética. O trabalho partiu de uma questão mais ampla: como organizar uma das marcas esportivas mais conhecidas do país para ampliar sua presença no cotidiano do torcedor e, ao mesmo tempo, criar uma estrutura capaz de sustentar novos produtos, serviços, experiências e oportunidades comerciais.
A agência descreve o projeto como uma transformação do Flamengo de um clube concentrado na experiência esportiva para uma plataforma integrada de esporte e entretenimento. Para isso, o trabalho passou pela reorganização de diferentes marcas e propriedades que, ao longo dos anos, haviam adquirido identidades próprias.
18 marcas analisadas no projeto
Segundo o material apresentado pela agência, o processo envolveu cinco sprints com um comitê, sessões de trabalho com equipes do Flamengo, 18 marcas trabalhadas e duas plataformas criativas.
Um dos principais desafios foi estabelecer uma arquitetura que deixasse mais claro o papel de cada marca dentro do ecossistema. A própria agência explica que a reorganização procurou equilibrar a força da marca principal com a autonomia das submarcas.
A nova estrutura foi organizada em grandes frentes de atuação, relacionadas a esporte, entretenimento e legado e formação. O objetivo é fazer com que diferentes propriedades tenham uma função definida dentro de uma estratégia comum, em vez de funcionarem como iniciativas isoladas.
O trabalho também estabeleceu um chamado “código genético“, criado para orientar decisões de marca. A lógica conecta aquilo que o Flamengo é, faz e fala, estabelecendo critérios para comportamento, comunicação e expressão visual.
História como matéria-prima
Um dos pontos centrais do projeto foi atualizar a identidade sem abandonar os elementos que fazem parte da história do clube. Cores, listras, símbolos, hinos, cantos, ídolos, títulos, bandeiras e o urubu foram tratados como patrimônio a ser organizado e utilizado de maneira mais ampla.
O urubu recebeu uma remodelagem e passou a ter um papel ainda mais definido dentro do sistema visual. De acordo com a Ana Couto, a atualização procura ampliar sua presença tanto na comunicação quanto nos produtos licenciados. A lógica não é repetir os mesmos símbolos em todas as peças. O projeto estabelece diferentes possibilidades de combinação entre os elementos, permitindo que uma campanha, produto ou experiência tenha uma identidade própria sem perder a conexão com o Flamengo.
Os escudos e o monograma, por sua vez, foram preservados como componentes centrais. A arquitetura também passou a definir quais propriedades devem utilizar os diferentes símbolos associados ao futebol e ao remo.
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“Flamengo sem intervalo”
Outro conceito apresentado nos bastidores é o “Flamengo Sem Intervalo“, que ganhou forma pública na campanha lançada pelo clube. A proposta é representar a presença do Flamengo para além dos 90 minutos de uma partida.
A estratégia considera diferentes momentos da vida do torcedor, como trabalho, casa, rua, escola e lazer. Produtos licenciados, conteúdo, moda, museu, serviços e experiências entram nessa lógica como formas diferentes de viver a relação com o clube.
O conceito acompanha a própria transformação do modelo de negócios. Em vez de tratar cada contato com a torcida como uma ação independente, a estratégia procura conectá-los dentro de uma jornada contínua.
O novo Hub Digital faz parte dessa transformação. Na primeira fase, o portal flamengo.com.br passou a concentrar conteúdo e e-commerce, com a intenção de integrar progressivamente outras plataformas.
Uru.Hub e a busca por novas receitas
A reorganização também alcançou o conteúdo. A URU.HUB foi criada como uma estrutura voltada à produção, distribuição e monetização de conteúdo proprietário, ampliando a atuação do Flamengo como produtor para além de seus próprios canais. Essa mudança ajuda a explicar por que o rebranding está diretamente ligado ao modelo de negócios. A proposta não é apenas definir como o clube deve aparecer visualmente, mas organizar propriedades que podem gerar relacionamento e receita.
O material da Ana Couto trata justamente da marca como instrumento para acelerar o valor do Flamengo. Conteúdo, patrocínios, licenciamento, produtos, lojas, e-commerce, hospitalidade, experiências de jogo e relacionamento passam a ser vistos como partes de um mesmo ecossistema.
A internacionalização também aparece nesse contexto. A estratégia não se limita à abertura de lojas ou à venda de produtos em outros países. A intenção é ampliar a presença global por meio da combinação entre esporte, conteúdo, entretenimento, produtos e experiências.
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O trabalho que chega ao torcedor
Embora boa parte do projeto aconteça nos bastidores, algumas mudanças já estão visíveis. A nova linguagem aparece nas redes sociais, nas campanhas, nos produtos e nas plataformas digitais do clube. A campanha “Flamengo Sem Intervalo” é uma das primeiras manifestações públicas dessa estratégia.
A própria agência resume o reposicionamento como uma tentativa de transformar o Flamengo em uma marca de sportainment, conectando esportes, plataformas e submarcas sob uma mesma visão. O projeto também criou uma nova marca para a área de mídia e conteúdo, a URU.HUB, além de reorganizar propriedades que anteriormente possuíam identidades independentes.
O ponto mais importante revelado pelos bastidores é que a mudança visual é apenas uma parte de uma transformação maior. O rebranding foi concebido para organizar a marca, facilitar a gestão do portfólio e criar uma base para novos negócios.
O resultado pretendido depende agora da aplicação dessa arquitetura no dia a dia. Quanto mais propriedades do Flamengo forem integradas sob uma mesma lógica, maior será a necessidade de manter coerência entre comunicação, produtos, experiências e relacionamento. A estratégia apresentada pela Ana Couto mostra, portanto, que a nova identidade não nasceu apenas para mudar a aparência do clube, mas para acompanhar uma tentativa de ampliar o Flamengo para além do jogo e transformar sua força cultural em uma plataforma permanente de negócios.
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