Analisando o Manto da Nação: 10 finalistas e uma surpresa que chamou atenção na seleção

Analisando o Manto da Nação: 10 finalistas e uma surpresa que chamou atenção na seleção

O Flamengo entrou na segunda etapa do projeto Manto da Nação com os dez finalistas escolhidos e a votação popular aberta para definir qual desenho será transformado em camisa. Depois de uma primeira fase marcada pela participação de torcedores de diferentes partes do país, o clube passou a apresentar individualmente os projetos, seus conceitos e as referências utilizadas pelos criadores. O processo ganhou uma característica curiosa: embora exista diversidade de estilos, uma das referências aparece repetidamente nas propostas, o urubu, a ponto de produzir uma sensação de excesso temático em parte da seleção.


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A etapa decisiva está disponível no site oficial do projeto, onde o torcedor pode conhecer as apresentações e votar. Mais do que observar qual camisa é mais bonita, entretanto, a seleção permite uma análise sobre a maneira como os flamenguistas enxergam a própria identidade. Entre mapas do Rio, Baía de Guanabara, Libertadores, realeza, geoglifos de Nazca, penas e símbolos do mascote, os dez projetos procuram responder à mesma pergunta: o que torna uma camisa imediatamente reconhecível como Flamengo?

O urubu domina a seleção

A primeira impressão provocada pelos dez finalistas é a forte presença do mascote. O urubu aparece em praticamente todas as propostas, seja de forma literal, seja por meio de penas, silhuetas, estampas ou elementos gráficos associados à ave. A escolha faz sentido do ponto de vista histórico, já que o personagem ocupa lugar central na construção da identidade rubro-negra, mas a repetição acaba reduzindo parte da variedade que poderia existir entre os projetos.

O que chama atenção não é a presença do urubu em si, mas sua frequência. Em vez de funcionar como uma entre várias possibilidades de interpretação do Flamengo, ele se transforma quase numa linguagem comum à maioria dos trabalhos. Isso cria um efeito curioso: dez torcedores tiveram liberdade para imaginar o Manto da Nação, mas muitos chegaram ao mesmo símbolo.

Ainda assim, a repetição não significa ausência de criatividade. O que muda é a forma de utilização. Em alguns casos, o urubu é a própria protagonista; em outros, aparece como detalhe, textura ou assinatura conceitual.

Traços de uma Nação

O projeto de Stephany Dalzisa, de Betim, Minas Gerais, parte da geografia do Rio de Janeiro. Em “Traços de uma Nação”, as curvas de nível do relevo carioca são transportadas para a própria camisa. O litoral, os morros e os diferentes níveis do terreno deixam de ser apenas elementos cartográficos e passam a representar capítulos da história do Flamengo.

O urubu surge associado a essas linhas, sobrevoando fronteiras e carregando a ideia de uma instituição que nasceu no Rio, mas ultrapassou há muito tempo os limites da cidade. É uma proposta que tenta representar, no mesmo desenho, origem e expansão.

Noite Eterna de Lima

Alison Douglas, de Teresina, Piauí, escolheu uma das imagens mais fortes da história recente do clube: a conquista da Libertadores de 2019 em Lima.

Noite Eterna de Lima” utiliza o preto como base, com grafismos inspirados na Taça Libertadores, dourado relacionado à glória e vermelho associado à chama rubro-negra e aos dois gols que decidiram a final contra o River Plate. A composição procura transformar uma noite específica em memória permanente.

A proposta tem uma linguagem mais sofisticada e trabalha com uma atmosfera noturna coerente com o próprio nome. O conceito é direto: uma partida que durou pouco mais de 90 minutos, mas ganhou dimensão eterna para a torcida.

Urubu de Lima

Entre os projetos apresentados, o Urubu de Lima, de Marcelo, do Rio de Janeiro, chama atenção pela maneira como une geografia, história e imaginação. A proposta parte dos geoglifos da civilização Nazca e cria uma ligação simbólica entre um gigantesco urubu andino e o Flamengo.

O desenho usa referências territoriais associadas ao Peru e transforma a cidade de Lima em elemento central da narrativa. As duas estrelas representam as Libertadores conquistadas pelo clube na cidade, em 2019 e 2022.

O destaque não está apenas na camisa. A apresentação do conceito também recebeu atenção, com material visual desenvolvido para explicar a origem de cada elemento. É uma preocupação importante em concursos desse tipo: não apenas apresentar um desenho, mas mostrar por que ele existe.

Urubu Rei

Bruno Gondim, do Rio Grande do Norte, aposta novamente no mascote, mas por uma perspectiva mais nobre. “Urubu Rei” trabalha força, proteção e domínio e combina o off-white com preto e vermelho.

O grande diferencial está na textura. O tecido foi imaginado para lembrar as penas da ave, criando um efeito visual que vai além de uma simples estampa. O CRF também aparece com acabamento texturizado, reforçando a proposta premium.

É uma das camisas que mais chama atenção pelo material imaginado. Em vez de simplesmente desenhar o urubu, o projeto tenta fazer o torcedor sentir sua presença no próprio tecido.

É Urubu

Antonio Rodrigues, do Rio de Janeiro, também recupera a história da transformação do urubu em símbolo de orgulho. O projeto “É Urubu” parte de uma provocação que acabou incorporada pela própria torcida e procura transformá-la novamente em elemento visual.

A proposta traz várias representações da ave em movimento, com uma composição que tenta narrar esse processo de apropriação simbólica. O valor principal está no conceito histórico: aquilo que um dia foi utilizado contra o Flamengo passou a ser carregado com orgulho por milhões.

Respeita o Rei

Daniel Barbosa, de Fortaleza, escolheu uma abordagem mais geométrica. Em “Respeita o Rei”, o urubu não aparece de forma literal, mas é construído por sobreposição de formas que geram uma silhueta abstrata.

A solução permite que o símbolo seja descoberto aos poucos. O torcedor que olha rapidamente enxerga um padrão; quem observa melhor percebe a ave escondida na estrutura gráfica.

A apresentação também se destaca por detalhar visualmente o processo de construção do desenho, mostrando as formas que dão origem ao resultado final.

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Uma Força da Natureza

Luiz Gomes, do Rio de Janeiro, procura afastar um pouco o protagonismo do urubu ao colocar o remo e a Baía de Guanabara no centro do conceito. O projeto “Uma Força da Natureza” utiliza um degradê que vai do preto ao vermelho e grafismos inspirados no movimento das águas.

Aqui, o Flamengo é representado pela própria origem náutica. O CRF aparece centralizado, enquanto o urubu surge como referência complementar. O conceito é particularmente interessante porque recupera uma parte da história do clube que muitas vezes fica em segundo plano diante da dimensão alcançada pelo futebol. O desafio visual, segundo a avaliação apresentada, está justamente no degradê, recurso difícil de executar em uniformes esportivos sem comprometer o resultado.

Pluma

Vitor Ferrara, de Volta Redonda, leva a presença do urubu para o tecido. Em “Pluma”, as penas envolvem a camisa como uma segunda pele e procuram criar uma identificação mais física entre torcedor e mascote.

O preto e o dourado reforçam uma leitura mais sofisticada, enquanto o vermelho aparece como elemento complementar. A proposta parte da ideia de que vestir o Manto seria quase uma transformação: o torcedor deixa de apenas carregar o símbolo e passa a se tornar parte dele.

Mais uma vez, a criatividade está na maneira de incorporar o urubu à estrutura da camisa, e não apenas na colocação de uma figura sobre o tecido.

Manto Real

Marcos Junior, de Vitória, Espírito Santo, trabalha com a ideia de realeza. “Manto Real” parte da própria palavra utilizada pela torcida para se referir à camisa e constrói uma identidade visual inspirada em brocados e tecidos nobres.

As penas do urubu aparecem novamente, agora associadas ao dourado de 1895, ano de fundação do Flamengo. A proposta tenta juntar origem, mascote e status, criando uma peça que pretende representar literalmente uma “veste de rei”.

O projeto também se destacou pela apresentação conceitual. O material explicativo possui dezenas de páginas e detalha cada escolha visual, reforçando que a proposta não foi pensada apenas como desenho, mas como um projeto de identidade.

Prestígio Urbano

Fechando a lista, Adam Costa, de Imperatriz, Maranhão, apresenta “Prestígio Urbano”. A proposta combina ruas, mar, curvas, dourado e elementos ligados à cidade do Rio de Janeiro.

O conceito parte da ideia de uma Nação que nasce nas ruas e conquista o mundo. O urubu aparece novamente, acompanhado por outras referências visuais relacionadas ao Flamengo e à cidade.

É um projeto que busca uma leitura mais ampla da identidade rubro-negra, tentando não restringir o clube ao futebol, mas conectá-lo ao ambiente urbano que ajudou a formar sua cultura.

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Mais do que escolher uma camisa

O Manto da Nação oferece uma oportunidade interessante para observar como a própria torcida constrói sua imagem do Flamengo. Os dez finalistas não são simplesmente desenhos concorrendo entre si. Cada projeto representa uma interpretação sobre memória, território, conquistas e símbolos.

A forte repetição do urubu é, ao mesmo tempo, uma limitação e um retrato. Ela mostra o quanto o mascote está consolidado no imaginário rubro-negro. Por outro lado, sugere que ainda existe espaço para explorar outras dimensões da identidade do clube em futuros projetos.

Entre os dez finalistas, as referências a Lima, ao remo, à Baía de Guanabara, ao Rio de Janeiro e à fundação de 1895 mostram que há muito mais elementos disponíveis para contar a história do Flamengo.

Agora, a escolha deixa de ser dos criadores e passa para a torcida. O projeto chegará ao seu objetivo quando um desses conceitos sair da tela e virar um Manto de verdade. Até lá, o que permanece é justamente a parte mais interessante do processo: perceber como dez pessoas podem olhar para o mesmo clube e encontrar caminhos diferentes para representá-lo.

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