Bap diz que Flamengo vai esperar definição da MP antes de trocar a Betano

Bap diz que Flamengo vai esperar definição da MP antes de trocar a Betano
Foto: Adriano Fontes/Flamengo

O Flamengo não pretende simplesmente substituir a Betano no espaço principal de sua camisa diante da Medida Provisória que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no Brasil. A posição apresentada pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, é de aguardar a definição do caso antes de avançar para outro patrocinador. Segundo ele, o clube mantém respeito pela empresa e pelas demais casas que haviam obtido autorização para atuar no país dentro do modelo regulado. “O Flamengo não considera nenhum outro patrocinador que não seja Betano até que essa situação esteja totalmente resolvida”, afirmou.


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A declaração ocorre poucos dias depois de o governo federal publicar a MP 1.394, em 25 de setembro. O texto passou a proibir as apostas de quota fixa e estabeleceu o encerramento das operações no país, com os sites e aplicativos deixando de funcionar a partir de 6 de outubro. A medida tem força de lei imediatamente, mas precisa ser analisada pelo Congresso Nacional para manter seus efeitos de forma definitiva.

É justamente essa possibilidade de mudança que ajuda a explicar a estratégia rubro-negra. Bap citou um horizonte de quatro, seis ou até oito meses para que a situação seja resolvida. Embora o prazo exato dependa da tramitação e de eventuais decisões judiciais ou alterações legislativas, a discussão pode avançar para 2027. A MP tem prazo inicial de 60 dias, prorrogável uma vez por igual período, e sua conversão definitiva depende da apreciação da Câmara e do Senado.

Uma parceria que não começou agora

A escolha de esperar ganha dimensão quando se observa o tamanho do acordo entre Flamengo e Betano. O Conselho Deliberativo aprovou a parceria em agosto de 2025, com vigência prevista até 31 de dezembro de 2028. A marca passou a ocupar espaço nos uniformes do futebol profissional e das equipes de esportes olímpicos, além de propriedades da FlamengoTV.

O contrato é apontado como um dos maiores acordos comerciais do futebol brasileiro. Para 2026, o valor anual chega a aproximadamente R$ 268 milhões. A cifra representa uma parcela relevante da estrutura financeira construída pelo Flamengo nos últimos anos e ajuda a entender por que a diretoria trata o caso de maneira diferente de uma simples substituição de patrocinador.

O próprio clube já dimensionou o impacto provocado pelo fim das bets. A estimativa divulgada pelo Flamengo é de aproximadamente R$ 400 milhões em receitas anuais afetadas, considerando não apenas a Betano, mas também outros negócios ligados ao ecossistema de apostas e publicidade. O contrato máster responde pela maior parte desse valor, com cerca de R$ 268 milhões por temporada.

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Betano em espera, mercado em movimento

A estratégia não significa que o Flamengo esteja parado. O clube pode conversar com potenciais parceiros nos bastidores para estar preparado caso a situação seja definitivamente resolvida. A diferença está no momento de oficializar uma eventual mudança: enquanto a questão permanecer aberta, a prioridade será preservar a relação com a atual patrocinadora.

Essa postura também aparece na apuração do UOL, segundo a qual Flamengo e Betano decidiram manter o contrato em “stand by” diante da incerteza provocada pela MP. A empresa, por sua vez, não demonstrou intenção de rescindir o acordo neste momento, embora tenha essa possibilidade prevista contratualmente diante de uma alteração legislativa.

O cenário é particularmente delicado porque a proibição atinge praticamente de imediato uma das principais fontes de exposição comercial dos clubes brasileiros. O Flamengo não está sozinho. Os patrocínios de bets movimentavam cerca de R$ 1 bilhão entre clubes, enquanto contratos publicitários, placas e estoques de uniformes também passaram a sofrer efeitos da mudança.

Isso explica outro ponto destacado por Bap: a possibilidade de surgirem propostas de empresas interessadas em ocupar rapidamente espaços deixados pelas casas de apostas. Com vários clubes obrigados a reorganizar seus contratos ao mesmo tempo, o mercado pode passar por uma mudança brusca de oferta e demanda.

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O que acontece agora

A cronologia ajuda a dimensionar a espera. Em 25 de setembro, a MP foi publicada e entrou em vigor. Até 5 de outubro, os usuários têm prazo para solicitar o saque dos valores mantidos nas plataformas. A partir de 6 de outubro, os sites e aplicativos atingidos pela medida deverão sair do ar. Paralelamente, o texto começa a percorrer o Congresso.

Enquanto isso, entidades do setor recorreram ao Supremo Tribunal Federal e clubes discutem os impactos financeiros provocados pela mudança. O encontro que o Ministério do Esporte havia marcado com dirigentes, previsto para 29 de setembro, acabou cancelado depois da baixa adesão e da articulação dos clubes para não participar.

Para o Flamengo, a decisão anunciada por Bap cria uma espécie de compasso de espera. A camisa pode até despertar interesse de outras marcas, mas a diretoria não pretende transformar imediatamente esse interesse em uma nova parceria. O clube prefere aguardar o desfecho de uma disputa que ainda envolve Executivo, Congresso, Judiciário, empresas de apostas e as próprias instituições esportivas.

É uma escolha diretamente relacionada ao peso financeiro da Betano e à duração da incerteza. Se a proibição permanecer, o Flamengo terá de reorganizar sua estratégia comercial e absorver uma perda expressiva de receitas. Se houver mudança no cenário, entretanto, manter a porta aberta para a atual patrocinadora permite ao clube reavaliar o contrato antes de tomar uma decisão definitiva. Até lá, a orientação de Bap é clara: mesmo que a espera atravesse os próximos meses, a prioridade é não substituir a Betano antes de saber qual será o destino da MP.

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