Betano já pagou o Flamengo em 2026: quanto o clube pode perder em 2027 e 2028 sem o patrocínio

Betano já pagou o Flamengo em 2026: quanto o clube pode perder em 2027 e 2028 sem o patrocínio
Foto: Divulgação / Flamengo

O Flamengo já recebeu, em 2026, todas as parcelas fixas previstas para este ano no contrato com a Betano. Com a mudança no mercado de apostas e a possibilidade de interrupção da parceria, o efeito financeiro mais significativo sobre o clube tende a aparecer no orçamento de 2027, quando estavam previstas três novas parcelas que, juntas, somariam R$ 256 milhões.


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O cronograma de pagamentos ajuda a entender por que a situação é diferente entre as duas temporadas. Em 2025, após a aprovação do acordo, o Flamengo recebeu R$ 85,500 milhões. Já em 2026, estavam previstas três transferências: R$ 128,750 milhões em janeiro, R$ 64,125 milhões em maio e outros R$ 64,125 milhões em setembro. Dessa forma, considerando apenas a parcela fixa, o clube recebeu R$ 257 milhões neste ano.

O que estava previsto para 2027

Para 2027, o calendário estabelecia novamente três pagamentos. O primeiro, de R$ 128 milhões, seria realizado em 10 de janeiro. Depois viriam R$ 64 milhões em maio e mais R$ 64 milhões em setembro. Somadas, as três parcelas chegariam a R$ 256 milhões.

O mesmo modelo estava previsto para 2028, com R$ 128 milhões em janeiro, R$ 64 milhões em maio e R$ 64 milhões em setembro. São valores relacionados à parte fixa do acordo e não incluem eventuais remunerações variáveis previstas no contrato.

É justamente essa diferença que ajuda a explicar a afirmação de Luiz Eduardo Baptista, o Bap, de que o impacto mais forte sobre as contas do Flamengo será sentido a partir de 2027. O clube não entra no próximo ano simplesmente deixando de receber uma parcela mensal. Existe uma programação financeira que previa mais de R$ 250 milhões em pagamentos fixos da patrocinadora ao longo da temporada.

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E as receitas variáveis?

Além dos valores estabelecidos no cronograma, o contrato possui mecanismos de remuneração variável. Entre eles estão metas relacionadas à venda de camisas com a marca da patrocinadora e à aquisição de clientes por meio das plataformas do clube.

Não é possível afirmar, a partir das informações disponíveis, quanto o Flamengo efetivamente recebeu em bônus durante 2026 ou se todas as metas previstas foram alcançadas. A interrupção das operações também interfere na possibilidade de cumprimento de determinados objetivos comerciais, o que torna necessário separar os valores fixos das parcelas adicionais.

Essa distinção é importante porque o valor total anunciado para o acordo pode ser superior à soma das parcelas fixas. Portanto, quando se fala em perda de receitas para 2027, não se deve considerar apenas o calendário de pagamentos, mas também propriedades comerciais e outros efeitos associados à parceria.

O impacto vai além do patrocínio máster

A discussão financeira não termina nos R$ 256 milhões previstos para 2027. Bap estima que o impacto total sobre as receitas do Flamengo possa chegar a R$ 400 milhões ou R$ 430 milhões por ano, considerando efeitos diretos e indiretos relacionados ao mercado de apostas.

O raciocínio apresentado pelo presidente é que determinados investimentos realizados pelo clube também produzem receitas e movimentam outras áreas. Se uma fonte importante de recursos desaparece, a consequência não está necessariamente restrita ao valor que deixou de entrar diretamente no caixa.

Esse cenário pode atingir diferentes modalidades e operações. Esportes olímpicos, futebol feminino e categorias de base estão entre as áreas citadas por Bap quando fala sobre a necessidade de ajustes. O futebol profissional masculino, por concentrar grande parte das receitas e despesas do clube, tende a permanecer como o centro da estrutura, mas a redistribuição de recursos pode afetar outras frentes.

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2027 ainda depende de decisões

O cenário, entretanto, não está completamente definido. A medida adotada pelo governo para o mercado de apostas ainda passa por um processo político e jurídico que pode alterar a forma como os contratos existentes serão tratados. Empresas do setor também podem recorrer à Justiça, enquanto o Congresso terá de analisar a medida provisória.

Por isso, ainda não é possível determinar exatamente quanto o Flamengo deixará de receber ou qual será a solução encontrada pela diretoria. Uma eventual substituição da patrocinadora máster pode recuperar parte da receita, mas dificilmente basta, por si só, para recompor todas as propriedades e receitas relacionadas ao acordo anterior.

O clube já trabalha com a necessidade de adaptar seu planejamento. O desafio será encontrar novas fontes de recursos sem comprometer uma estrutura que envolve futebol profissional, formação de atletas, modalidades olímpicas, futebol feminino e produção de conteúdo.

A diferença entre 2026 e 2027, portanto, está no calendário financeiro. Neste ano, considerando os valores fixos, o dinheiro previsto da Betano já foi pago ao Flamengo. Para a próxima temporada, estavam programados R$ 256 milhões em novas parcelas, além das possíveis receitas variáveis e dos efeitos indiretos relacionados ao patrocínio.

É por isso que a discussão sobre a Betano não pode ser resumida à retirada de uma marca da camisa. A questão envolve o planejamento orçamentário do Flamengo para uma temporada inteira. Até que o cenário jurídico e regulatório seja definido e o clube apresente sua nova composição de receitas, o tamanho exato do impacto de 2027 ainda permanece em aberto.

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