Charanga do Flamengo vira patrimônio cultural do Rio: a história da torcida que mudou o futebol

Charanga do Flamengo vira patrimônio cultural do Rio: a história da torcida que mudou o futebol

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro aprovou, nesta quinta (05), um projeto de lei que reconhece a Charanga do Flamengo como patrimônio cultural e imaterial do estado. Criada em 1942, a tradicional torcida rubro-negra atravessou gerações, moldou comportamentos nas arquibancadas e ajudou a construir uma identidade própria do futebol carioca e brasileiro. A proposta segue agora para sanção do governador Cláudio Castro.


Ouça nossas análises e entrevistas sobre a eleição do Flamengo no seu agregador de podcast preferido: SpotifyDeezerAmazoniTunesYoutube MusicCastbox e Anchor.


O projeto, de autoria do deputado Rodrigo Amorim, foi votado em discussão única e aprovado sem resistência no plenário. A justificativa apresentada aponta a Charanga como um bem de valor social, histórico e cultural, cuja preservação ultrapassa o futebol e dialoga com a memória coletiva do Rio. “A torcida merece proteção pela sua importância social, obstando qualquer tentativa de destruição do seu valor cultural para o estado”, defendeu o parlamentar no texto oficial.

Uma história que começa antes do Maracanã

A Charanga do Flamengo surgiu em 11 de outubro de 1942, na partida entre Flamengo e Fluminense, nas Laranjeiras. Fundada por Jaime de Carvalho, com participação decisiva de Laura de Carvalho, sua esposa, a torcida introduziu elementos que hoje parecem naturais, mas que à época eram inéditos: instrumentos musicais, bandeiras organizadas, uniformização e presença coletiva planejada nas arquibancadas.

O próprio nome “Charanga” foi cunhado por Ary Barroso, então locutor da Rádio Tupi, nos anos 1940. Antes dela, não havia registros de grupos organizados que levassem música, estética e identidade visual de forma sistemática aos estádios brasileiros. O modelo criado por Jaime e Laura foi replicado não apenas no Rio, mas em todo o país e, posteriormente, no exterior.

Muito além da arquibancada

A influência da Charanga não se restringiu ao incentivo durante os jogos. A torcida foi decisiva para popularizar o uso da camisa de clube fora dos estádios, algo incomum nas décadas iniciais do futebol. O gesto de vestir o manto rubro-negro no cotidiano ajudou a consolidar a camisa como símbolo cultural, e não apenas esportivo.

Nos anos 1950, a Charanga já era referência nacional. Jaime de Carvalho chegou a ser reconhecido como uma espécie de “chefe” das torcidas brasileiras, respeitado inclusive por rivais históricos. Há registros de homenagens prestadas por torcedores de outros clubes, como Vasco e Palmeiras, algo impensável em contextos mais recentes de rivalidade exacerbada.

LIVE COMPLETA:

A tramitação até o reconhecimento oficial

O projeto de lei que declara a Charanga patrimônio cultural teve um caminho longo até a aprovação. Protocolado em junho de 2022, passou por arquivamento e posterior desarquivamento, avançando lentamente pelas comissões da Alerj. Em fevereiro de 2026, recebeu parecer favorável das comissões de Cultura e de Esporte, com relatorias de Carlos Minc e Felipe Poubel, respectivamente.

Com o pedido de urgência aprovado, a matéria foi levada ao plenário e votada em discussão única no dia 6, sendo aprovada e encaminhada ao Executivo estadual. A expectativa é de sanção sem vetos, consolidando o reconhecimento oficial da Charanga como patrimônio cultural e imaterial do Rio de Janeiro.

VEJA MAIS:

CASO PREFIRA OUVIR:

Patrimônio do Flamengo, do Rio e do futebol

O reconhecimento da Charanga acontece na esteira de outra homenagem recente: em 2025, o próprio Clube de Regatas do Flamengo foi declarado patrimônio histórico, cultural e imaterial do estado, durante as comemorações de seus 130 anos. A Charanga, nesse contexto, surge como uma extensão natural desse processo.

Mais do que uma torcida organizada, a Charanga simboliza um modo de viver o futebol. Música, festa, convivência entre rivais e ocupação coletiva do espaço público fazem parte de um legado que ajudou a transformar o Maracanã em palco de cultura popular. Ao reconhecê-la oficialmente, o Rio de Janeiro preserva não apenas uma torcida, mas uma parte essencial de sua própria história.

A Charanga de Jaime recebe Cunhado

Veja outros vídeos sobre as notícias do Flamengo:

+ Siga o Blog Ser Flamengo no Twitter, no Instagram, no Facebook e no Youtube.

 

Comentários

Descubra mais sobre Ser Flamengo

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Blog Ser Flamengo

Deixe uma resposta