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Curta de Bruna Linzmeyer resgata Dona Carlota, pioneira do futebol feminino brasileiro

Curta de Bruna Linzmeyer resgata Dona Carlota, pioneira do futebol feminino brasileiro

Imagem: Reprodução / Mymama Entertainment

O curta-metragem A Casa de Dona Carlota coloca em evidência uma personagem pouco conhecida da história brasileira e sua atuação em defesa do futebol praticado por mulheres. Dirigido por Bruna Linzmeyer e Lili Fialho, o filme recupera a trajetória de Dona Carlota, figura ligada à reivindicação da profissionalização da modalidade e à articulação para criar uma liga, em um período no qual as mulheres enfrentavam restrições para jogar futebol. A produção também se conecta ao momento de preparação para a Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil, quando a modalidade terá uma oportunidade importante de ampliar sua visibilidade.


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O projeto marca a estreia de Bruna Linsmeyer na direção e no roteiro de um filme, ao lado de Lili Fialho, e foi anunciado no palco da Geração Glamour em 2025. A produção pretende recuperar a memória de uma mulher que, apesar de sua contribuição para o desenvolvimento do futebol feminino, permanece pouco conhecida até mesmo entre pessoas próximas do esporte. A iniciativa une cinema e história para questionar por que determinadas pioneiras foram deixadas à margem das narrativas mais difundidas sobre o futebol brasileiro.

Dona Carlota e a história apagada do futebol feminino

A relevância do curta está na tentativa de reconstruir uma parte da história que antecede a consolidação das grandes referências atuais da modalidade. Marta, Formiga e Tamires representam gerações de atletas que ampliaram o espaço do futebol feminino no Brasil, mas a trajetória dessas jogadoras foi precedida por mulheres que enfrentaram obstáculos sociais e institucionais para praticar o esporte.

Dona Carlota é apresentada como uma dessas pioneiras. Além de defender a profissionalização do futebol feminino, ela teria articulado a criação de uma liga, pautas que continuam relacionadas ao debate sobre estrutura, reconhecimento e oportunidades para as atletas. Ao recuperar sua história, o filme propõe olhar para o futebol feminino não apenas a partir das conquistas recentes, mas também das mulheres que ajudaram a abrir caminho quando a modalidade ainda era alvo de proibições e preconceito.

A diretora Bruna Linzmeyer chama atenção justamente para o desconhecimento em torno dessa personagem: como uma mulher que participou de iniciativas tão importantes pôde se tornar tão pouco conhecida, inclusive entre pessoas que acompanham o futebol? A pergunta resume um dos principais objetivos do projeto: ampliar o reconhecimento de figuras históricas cuja contribuição não recebeu a mesma atenção dedicada a atletas e dirigentes de períodos posteriores.

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A casa como espaço de resistência

A história retratada em A Casa de Dona Carlota se passa nos anos 1940, durante a ditadura do Estado Novo, e apresenta a residência da personagem como sede de um time de futebol feminino e um raro espaço de liberdade para as mulheres que o frequentavam. A sinopse oficial do Festival do Rio descreve Dona Carlota conduzindo uma equipe em direção a uma excursão internacional, enquanto sua casa desafia as normas morais e sociais da época.

Esse recorte amplia o alcance do curta: não se trata apenas de recuperar uma pioneira do esporte, mas de mostrar como o futebol também foi território de disputa por autonomia e participação social. Ao colocar a casa, o time e o projeto de uma viagem internacional no centro da narrativa, a produção aproxima a história esportiva da experiência cotidiana de mulheres que precisavam conquistar o direito de ocupar espaços públicos e praticar uma modalidade tradicionalmente associada aos homens.

Dirigido e roteirizado por Bruna Linzmeyer e Lili Fialho, o filme tem 15 minutos e integra a seleção de curtas da Première Brasil no Festival do Rio 2026. A produção é da Mymama Entertainment, com Mayra Faour Auad e Gabrielle Auad na produção.

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O curta chega em um momento decisivo para a modalidade

A recuperação dessa memória ganha relevância às vésperas da Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil entre 24 de junho e 25 de julho. O país receberá pela primeira vez o torneio, com partidas previstas em oito cidades. A competição representa uma oportunidade para ampliar o público, a cobertura jornalística e o interesse comercial pelo futebol feminino.

A preparação para o Mundial também já influencia o calendário do futebol brasileiro. A CBF anunciou que as competições nacionais terão uma pausa durante o torneio, em cumprimento às exigências da FIFA para o país-sede. No Campeonato Brasileiro masculino, a interrupção prevista será de 41 dias, segundo o calendário divulgado em outubro de 2026.

Para o Flamengo, o momento também pode representar uma oportunidade de fortalecer o futebol feminino. O clube tem interesse esportivo e institucional no crescimento da modalidade, enquanto iniciativas de visibilidade, parcerias e investimento ajudam a definir as condições para ampliar sua estrutura e atrair público. O desafio é fazer com que a atenção gerada pela Copa não se limite ao período do torneio, mas contribua para consolidar competições, equipes e atletas ao longo das temporadas.

Ao recuperar a história de Dona Carlota, A Casa de Dona Carlota ajuda a lembrar que o futebol feminino brasileiro não começou com as estrelas que hoje ocupam os grandes estádios. Antes delas, outras mulheres enfrentaram barreiras e buscaram organizar a modalidade em condições muito mais adversas. Resgatar essas trajetórias não é apenas um exercício de memória: é reconhecer que a presença feminina no futebol foi construída por gerações e que parte dessa história ainda precisa ser conhecida.

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