Filipe Luís faz novo pronunciamento sobre racismo contra Vini Júnior e admite falha na comunicação
Na entrevista coletiva após a vitória contra o Madureira, no Maracanã, pelo Campeonato Carioca, Filipe Luís voltou ao microfone para tratar de um assunto que já havia atravessado três manifestações públicas em poucos dias: o caso de racismo denunciado por Vinícius Júnior na Europa. O treinador abriu a fala antes mesmo das perguntas, admitiu que poderia não ter sido claro, reforçou apoio ao atacante e defendeu punições duras. A nova declaração veio após repercussão negativa de respostas anteriores, uma nota oficial e pressão interna e externa.
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O contexto ajuda a entender o desgaste. Dias antes, ao ser questionado sobre o tratamento recebido pelo clube na Argentina, o técnico utilizou a expressão “caso isolado”. A frase soou como relativização. A reação foi imediata. Parte da torcida, jornalistas e ex-atletas criticaram o tom. O clube publicou nota. O próprio comandante precisou voltar ao tema.
A quarta versão
Na coletiva mais recente, o treinador afirmou que jamais teve intenção de minimizar o racismo. Disse estar ao lado de Vinícius, classificou o ato como crime e afirmou que “fazer camiseta é fácil, difícil é punir”. Foi a fala mais contundente até aqui. Se tivesse sido a primeira, provavelmente o ruído teria sido menor.
Ao alegar que suas palavras foram “mal interpretadas”, ele entrou num terreno delicado. Comunicação pública não é exercício solitário. Quando a repercussão exige sucessivos esclarecimentos, o problema raramente está apenas na escuta. Está na formulação. O fato de precisar de quatro intervenções para ajustar o discurso revela falha de preparo, especialmente para alguém que ocupa posição de liderança no maior clubes do país.
O peso da função
Ser técnico do Flamengo não é cargo neutro. O alcance da fala extrapola a sala de imprensa. Influencia jovens, torcedores e atletas. Ainda mais quando o tema envolve racismo a um jogador formado no próprio clube, que mantém laços afetivos e institucionais com a Gávea.
Na nova declaração, o treinador relatou ter recebido ligação de Danilo, capitão da equipe, para conversar sobre o episódio. Disse também que falou com os atletas e deixou o tema aberto no vestiário. O gesto é positivo. Indica que houve reflexão interna. Mas a necessidade dessa mediação também aponta para algo maior: a urgência de letramento racial dentro do futebol.
Não se trata de obrigar ninguém a opinar sobre tudo. Trata-se de compreender que silêncio ou ambiguidade, em certos contextos, comunicam tanto quanto palavras duras.
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A dimensão simbólica
O caso de Vinícius não é isolado na carreira do atacante. Desde sua chegada à Europa, acumulam-se 20 denúncias de ataques racistas. Cada novo episódio amplia a responsabilidade de quem ocupa espaço de fala relevante. O treinador reconheceu estar triste com a repercussão e com o momento da coletiva anterior, realizada após derrota. O argumento emocional é compreensível. Ainda assim, a gravidade do tema exige precisão, independentemente do resultado em campo.
Houve também comparações com respostas de outros técnicos. Algumas foram vistas como mais equilibradas, ainda que genéricas. O contraste só reforçou a percepção de que faltou firmeza na primeira abordagem do comandante rubro-negro.
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O silêncio que incomoda
Outro ponto levantado no debate foi a baixa manifestação de jogadores brasileiros sobre o episódio. Em um esporte protagonizado majoritariamente por atletas negros, o apoio público ainda é tímido. Isso amplia a sensação de isolamento de quem denuncia.
No fim, a nova fala do treinador corrige parte do percurso. Condena o racismo de forma direta, cobra punição e reafirma apoio ao atacante. Mas deixa lição evidente: em temas estruturais, não há espaço para improviso. Liderança também se mede pela capacidade de compreender o tamanho das próprias palavras.
O que Filipe Luís NÃO disse na nota: contradições e lacunas no caso Vini Jr
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