Flamengo aposta em transmissões próprias, desafia a Libra e fortalece posição para 2030
O Flamengo voltou a ocupar o centro de um debate estratégico que vai muito além das quatro linhas. A decisão de explorar de forma independente os direitos de transmissão no exterior, em meio às indefinições da Libra e às negociações futuras do Campeonato Brasileiro, escancara um movimento pensado a médio e longo prazo, com impactos diretos no modelo de negócios do clube. O tema ganhou força após a publicação de uma coluna de Rodrigo Mattos, que detalha bastidores, números e os próximos passos de um projeto que o Fla vem maturando.
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Enquanto a Libra segue em compasso de espera, com discussões internas e ausência de anúncios concretos, o calendário impõe seus próprios prazos. A partir de fevereiro e março, a Globo precisa iniciar o pagamento das parcelas referentes aos direitos de transmissão, e esse gatilho financeiro tende a acelerar definições. Até lá, o silêncio oficial convive com movimentos de bastidores que ajudam a explicar por que o Flamengo decidiu seguir um caminho próprio.
A decisão de romper com o pacote coletivo
Em 2025, o Flamengo passou a deter os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro para o exterior ao optar por não aderir ao acordo coletivo firmado por outros clubes. Naquele momento, a estratégia foi explorar os 19 jogos como mandante por meio de um serviço de pay-per-view direcionado à torcida fora do país. A venda do pacote garantiu arrecadação suficiente para bancar a operação, mas sem gerar lucro relevante dentro do patamar financeiro do clube.
Havia concorrência direta da Globoplay, que também detém direitos e transmite parte dos jogos no exterior. Diante desse cenário, a diretoria avaliou que o modelo precisava evoluir. Para 2026, a estratégia mudou: as transmissões dos 19 jogos como mandante na Série A serão abertas, via streaming, com a inclusão de dez partidas do Campeonato Carioca. Esses direitos foram obtidos neste ano e ampliam o alcance do projeto.
FlamengoTV como ativo estratégico
O centro dessa operação passa a ser a FlamengoTV. O canal oficial do clube ficará responsável pelas transmissões, em um modelo inspirado em iniciativas como CazéTV e GE, com monetização via patrocínios. A lógica é simples e ambiciosa: trocar a cobrança direta ao torcedor por um produto de alcance maior, capaz de atrair marcas interessadas em visibilidade internacional.
A importância da FlamengoTV já ficou evidente no acordo de patrocínio com a Betano fechado em 2025, considerado o maior da história entre TVs de clubes no Brasil. Parte desse valor, cerca de R$ 5 milhões anuais, está diretamente vinculada à estrutura e à capacidade de entrega do canal. Internamente, a avaliação é de que o veículo se tornou peça-chave para alavancar propriedades comerciais e integrar comunicação, marketing e transmissão.
Sob a gestão atual, a FlamengoTV passou por mudanças significativas de linha editorial e concepção de conteúdo. A condução do projeto, alinhada ao trabalho do marketing do clube, trouxe uma abordagem mais profissional e integrada, distante de modelos anteriores. O salto de qualidade também se reflete na ambição internacional.
Idioma, alcance e mercado latino-americano
As transmissões para o exterior terão narração da equipe da FlamengoTV: João Guilherme como voz principal em português e Gustavo Whertein em espanhol. Inicialmente, o foco será a língua espanhola, mirando diretamente o mercado latino-americano. Há planos para viabilizar transmissões também em inglês no futuro, ampliando ainda mais o alcance global.
A repercussão dessa decisão foi imediata. Perfis internacionais, jornalistas e torcedores de outros países destacaram o fato de poder assistir aos jogos do Flamengo com narração em espanhol, algo raro no futebol brasileiro. Para o clube, trata-se de uma porta de entrada para conquistar novos simpatizantes e consumidores fora do país.
Esse movimento dialoga com uma lógica clara de mercado. O torcedor internacional que passa a consumir o Flamengo por meio das transmissões tende, com o tempo, a se conectar à marca. Camisas, produtos licenciados, conteúdos digitais e ativações comerciais passam a fazer parte desse ciclo de relacionamento.
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Aprendizado com erros do passado
A decisão atual também carrega lições importantes. Em 2020, o Flamengo tentou transmitir partidas por meio da plataforma MyCujoo, cobrando um valor simbólico. A estrutura não suportou a demanda, houve instabilidade, falhas técnicas e, na final do Carioca, o clube precisou abrir o sinal no YouTube com imagens.
O episódio ficou marcado como um erro operacional, mas também como um aprendizado. Hoje, a diretoria trata a experiência como parte do processo de amadurecimento. Testar plataformas, medir capacidade técnica e entender gargalos virou prioridade antes de qualquer decisão mais ousada.
É exatamente isso que o Flamengo está fazendo agora. Ao transmitir jogos no exterior de forma aberta, o clube testa sua infraestrutura, avalia desempenho, coleta dados e constrói know-how. Tudo isso será decisivo no próximo ciclo de negociação dos direitos de transmissão, que começa a ser discutido antes de 2030.
A Libra, 2030 e o poder de barganha
A diretoria rubro-negra já deixou claro que não pretende negociar coletivamente dentro da Libra no próximo contrato da Série A. A ideia é manter a possibilidade de comercialização isolada, com liberdade para explorar diferentes formatos e plataformas.
Ter uma operação própria de transmissão estruturada fortalece essa posição. Na prática, o Flamengo passa a negociar com players do mercado não apenas com base em audiência potencial, mas com a opção real de transmitir seus jogos por conta própria. Isso altera a correlação de forças na mesa de negociação.
O clube avalia, inclusive, a venda fragmentada dos direitos no futuro: TV aberta, TV fechada, pay-per-view e direitos internacionais negociados separadamente, além das propriedades de marketing embutidas nesses pacotes. A multiplicidade de plataformas e formatos amplia as possibilidades de receita.
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Visibilidade, marca e planejamento
Por trás dessa estratégia está uma visão clara de planejamento. Testar agora para executar melhor depois. Evitar improvisos quando os contratos bilionários estiverem em jogo. O Flamengo entende que experiência acumulada vale dinheiro, especialmente em um mercado cada vez mais competitivo e pulverizado.
A presença internacional, o fortalecimento da marca e a construção de uma base sólida no streaming são vistos como investimentos. Não apenas financeiros, mas institucionais. O clube se posiciona como protagonista em um debate que envolve modelo de liga, direitos de transmissão e o futuro do futebol brasileiro como produto global.
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