Flamengo busca R$ 8 milhões via lei de incentivo para concluir ministádio no CT do Ninho do Urubu

Flamengo busca R$ 8 milhões via lei de incentivo para concluir ministádio no CT do Ninho do Urubu
Imagem: Reprodução/Instagram

O Flamengo iniciou oficialmente a temporada com o elenco principal de volta ao Ninho do Urubu e, junto com a reapresentação, abriu uma janela importante para entender como o clube projeta o futuro do seu centro de treinamento. Enquanto a comissão técnica se preparava para falar sobre o planejamento físico e médico do ano, uma reportagem do Globo Esporte trouxe à tona um movimento estratégico que ajuda a explicar o próximo passo da estrutura rubro-negra: a tentativa de captar cerca de R$ 8 milhões por meio da Lei Estadual de Incentivo ao Esporte para concluir as obras do ministádio dentro do CT.


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O projeto foi encaminhado pelo clube ao governo do estado do Rio de Janeiro na primeira semana do ano, mais precisamente no dia 5 de janeiro, e tem como objetivo viabilizar a fase final de uma obra iniciada ainda em 2024. O ministádio, pensado prioritariamente para receber jogos das categorias de base, já conta com campos nas medidas oficiais da FIFA e alambrado concluído. Falta agora erguer a parte estrutural que transforma o espaço em uma arena funcional: vestiários, áreas técnicas, salas administrativas, torre de transmissão e estruturas de apoio.

De acordo com o detalhamento apresentado, o valor pleiteado via incentivo é de R$ 8.365.137,82. O orçamento prevê a construção de quatro vestiários para atletas, dois destinados à arbitragem, sala para coleta de material antidoping, espaço de reuniões, recepção, área administrativa, camarotes no segundo pavimento, cobertura da área técnica e a torre que servirá tanto para placar quanto para transmissão. A arquibancada, com capacidade estimada para cerca de duas mil pessoas, ficou fora deste projeto específico.

A previsão de conclusão das obras aponta para abril de 2028, um prazo que chama atenção pelo intervalo relativamente longo. Parte desse cronograma se explica pelo próprio modelo adotado. Ao recorrer à Lei de Incentivo, o Flamengo primeiro precisa ter o projeto aprovado pelo poder público para, só então, iniciar a captação junto a empresas privadas, que direcionam parte do imposto devido para a iniciativa esportiva. O clube já utilizou esse mecanismo em outras modalidades nos últimos anos, com projetos aprovados em diferentes frentes do esporte olímpico e categorias de base.

No documento enviado ao governo estadual, o Flamengo sustenta que o desenvolvimento de atletas de alto rendimento exige infraestrutura moderna, equipamentos adequados e locais de treinamento compatíveis com padrões internacionais. O texto destaca que o incentivo é essencial para garantir continuidade financeira e qualidade técnica, além de reforçar o papel social do projeto. Como contrapartida, o clube prevê investir cerca de R$ 2 milhões em ações de impacto social, conforme resolução da Secretaria de Esporte de 2019, voltadas para eventos e iniciativas em áreas menos favorecidas.

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Para ter acesso aos recursos, o Flamengo precisa cumprir uma série de exigências legais, como certidões negativas de débito, regularidade fiscal e prestação de contas detalhada de cada gasto envolvendo verba pública. O processo, por natureza, é rigoroso e fiscalizado, o que também influencia nos prazos.

O ministádio se encaixa em um planejamento maior de expansão do Ninho do Urubu. Atualmente, o centro de treinamento conta com dez campos distribuídos entre base e profissional. Os campos 1, 2 e 3 são utilizados preferencialmente pelo elenco principal, sendo o número 2 com gramado híbrido, nos mesmos moldes do Maracanã. Os campos 4, 5 e 6 ficam à disposição da base. Já os campos 7, 8 e 9 têm uso reduzido e são de grama sintética. O último a ficar pronto foi justamente o campo do ministádio.

O plano diretor do clube prevê, ao todo, 13 campos. Para isso, a diretoria adquiriu recentemente dois terrenos anexos ao Ninho, onde pretende construir mais três áreas de jogo, sendo duas com dimensões oficiais e uma menor, voltada a trabalhos específicos. Um terceiro terreno, ainda em negociação, aparece como área estratégica para ampliar os limites do complexo, mas a compra não foi concretizada até o momento.

A utilização do ministádio também levanta debates jurídicos. Como a obra será financiada com recursos incentivados e destinada, em sua finalidade principal, às categorias de base, o uso recorrente pelo time profissional poderia gerar questionamentos. Especialistas em direito apontam que partidas ou treinos eventuais não configuram problema, desde que não descaracterizem o objetivo aprovado no projeto nem prejudiquem as atividades previstas. O risco surge caso o uso excepcional se torne rotina e altere a finalidade original.

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Além do incentivo estadual pleiteado para o ministádio, o Flamengo ainda aguarda o repasse de uma cota de R$ 1 milhão anunciada pelo governo do estado para os clubes cariocas que disputaram a Copa do Mundo de Clubes. A verba, vinculada à promoção turística do Rio de Janeiro, foi divulgada meses atrás, mas ainda não entrou nos cofres rubro-negros.

O retorno do elenco ao CT, portanto, acontece em meio a esse contexto de planejamento estrutural de longo prazo. Enquanto a comissão técnica discute cargas físicas, cronogramas individualizados e recuperação de atletas como Saúl, que passou por cirurgia recentemente, a diretoria trabalha para consolidar um Ninho do Urubu mais robusto, capaz de atender base e profissional dentro de um mesmo ecossistema.

O ministádio, nesse cenário, não surge como obra isolada. Ele faz parte de uma visão que aposta na formação, na valorização de ativos e na criação de um ambiente que permita ao Flamengo manter competitividade esportiva e institucional nos próximos anos, mesmo que o caminho até 2028 ainda exija paciência, captação e rigor administrativo.

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