Flamengo fecha categorias de base do judô

Flamengo fecha categorias de base do judô
Foto: Divulgação/Flamengo

A decisão partiu da diretoria do Flamengo, foi confirmada nos últimos dias e atinge diretamente a base de uma das modalidades mais tradicionais do clube. As equipes sub-13 e sub-15 do judô foram encerradas, o que significa a saída do rubro-negro das competições de alto rendimento nessas categorias. A informação foi divulgada inicialmente pelo Lance! e confirmada por perfis especializados no acompanhamento do clube, ampliando um debate que já vinha em curso desde outros cortes recentes nos esportes olímpicos.


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O fechamento das categorias de base do judô não surge isolado. Nos meses anteriores, o Flamengo já havia encerrado o vôlei masculino sub-21 e sub-19, o remo paralímpico e a canoagem. Em todos esses casos, a justificativa informal apresentada nos bastidores girou em torno de dificuldades logísticas, ausência de estrutura adequada para desenvolvimento e falta de viabilidade de formação a médio e longo prazo. A narrativa, no entanto, começa a perder coerência quando o corte avança justamente sobre a base, espaço onde, em tese, o desenvolvimento deveria ser prioridade.

O judô ocupa um lugar simbólico dentro do Flamengo e do esporte brasileiro. Foi nessa modalidade que o clube revelou e acolheu Rafaela Silva, campeã olímpica no Rio-2016 e um dos maiores nomes da história do judô nacional. O contrato da atleta com o clube termina neste mês e, até o momento, não houve renovação. Em entrevistas recentes, Rafaela demonstrou expectativa por uma definição, o que torna o contexto ainda mais sensível. Encerrar as categorias sub-13 e sub-15 enquanto o futuro da principal referência adulta permanece indefinido amplia a sensação de descontinuidade no projeto.

Há uma linha de argumentação que precisa ser enfrentada com honestidade. Não se trata, ao menos à primeira vista, de dinheiro. O orçamento de equipes sub-13 e sub-15 do judô é irrisório dentro da realidade financeira de um clube que movimenta centenas de milhões por temporada no futebol. A economia gerada não altera capacidade de investimento em contratações, nem impacta decisões estratégicas no elenco profissional. Reduzir o debate à lógica do “corte para investir no futebol” soa simplista e pouco convincente.

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O que emerge é uma escolha administrativa que ainda carece de explicação pública. Quando o Flamengo encerrou a equipe adulta do futebol feminino, o discurso oficial foi o foco na formação, na base, na construção de um projeto sustentável. Quando canoagem e remo paralímpico foram descontinuados, falou-se em inviabilidade de desenvolvimento técnico. Agora, ao fechar categorias iniciais do judô, a narrativa entra em contradição direta com os argumentos anteriores.

Essa sequência de decisões cria um ruído que poderia ser minimizado com comunicação clara. O clube tem um diretor para os esportes olímpicos, cargo hoje ocupado por Marcos Vinícius, e é razoável que uma mudança estrutural dessa magnitude venha acompanhada de esclarecimentos. Não se trata de convencer torcedores ou blindar a gestão de críticas, mas de apresentar critérios objetivos, metas e visão de longo prazo. Sem isso, cada novo encerramento passa a ser interpretado como improviso ou desmonte.

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O Flamengo construiu ao longo de décadas a imagem de maior clube poliesportivo do país. Essa identidade não nasceu apenas das medalhas, mas da constância, da presença em diferentes modalidades e do vínculo criado com atletas formados dentro da Gávea. Cortes sucessivos, especialmente na base, colocam em xeque essa tradição e levantam dúvidas sobre o modelo que está sendo desenhado.

Até aqui, não há resposta oficial detalhada. Questionamentos foram feitos, mas não houve retorno da diretoria. Se houver posicionamento, ele precisa ir além de notas genéricas. O debate não é emocional, tampouco ideológico. É administrativo, esportivo e institucional. O Flamengo tem o direito de redefinir prioridades, mas também o dever de explicar por que caminhos que antes eram tratados como formadores de identidade agora são encerrados em silêncio.

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