O Flamengo apresentou, nesta quarta (16), uma nova parceria comercial que muda a lógica tradicional de um patrocínio esportivo. O clube colocou a marca Torcedor Premiado, produto da CRMBonus, no meião do uniforme do futebol masculino e passou a participar da receita gerada pelas assinaturas do programa. A novidade estreou no duelo contra o Independiente Del Valle, pela Libertadores, e tem como principal característica transformar o engajamento da torcida em uma fonte potencial de receita recorrente para o Rubro-Negro. O acordo pode superar R$ 100 milhões, mas esse valor não é fixo: depende diretamente da adesão dos torcedores ao serviço.
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A estrutura aproxima três interesses diferentes. O torcedor paga uma assinatura e recebe benefícios; a CRMBonus amplia a base de usuários de sua plataforma; e o Flamengo fica com parte da receita obtida pelo programa. É um formato diferente de simplesmente vender uma propriedade do uniforme por determinado valor anual, porque o resultado financeiro está relacionado ao tamanho da base que aderir à iniciativa.
Como funciona o Torcedor Premiado
O programa custa R$ 15 por mês, enquanto o primeiro ciclo promocional sai por R$ 1,99. O assinante recebe 100 Vale Bonus pela adesão ou renovação e mais 100 créditos a cada gol marcado pelo Flamengo nas competições contempladas pela iniciativa. Há ainda uma garantia mínima de 500 Vale Bonus por ciclo, considerando a assinatura e a mecânica vinculada aos gols. A partir do quinto gol no período, cada novo tento acrescenta outros 100 créditos.
Os Vale Bonus podem ser utilizados em descontos e benefícios oferecidos por lojas, restaurantes e outras marcas integrantes da plataforma. Além disso, os participantes recebem números da sorte para concorrer às promoções do programa. A premiação anunciada inclui um iPhone 17 por dia, R$ 125 mil em prêmios por semana e um carro zero-quilômetro por mês, o que representa mais de R$ 1 milhão em prêmios mensais. A participação é restrita a maiores de 18 anos e segue regulamentos próprios.
A mecânica cria uma associação direta entre o desempenho do time e a experiência do assinante. Quanto mais gols o Flamengo marcar dentro das competições previstas, maior será a quantidade de créditos distribuídos. O torcedor, portanto, não recebe apenas um benefício relacionado à marca que patrocina o uniforme: o próprio resultado esportivo passa a fazer parte da lógica comercial da parceria.
Onde está o dinheiro do Flamengo
O ponto mais importante do acordo está justamente na receita. Parte do valor pago pelos assinantes será destinada ao clube, e o potencial aumenta conforme cresce a quantidade de participantes. O Flamengo não divulgou publicamente um valor fixo anual para a parceria. Reportagens sobre o negócio apontam potencial superior a R$ 100 milhões, mas essa cifra está vinculada à adesão e à estrutura econômica do programa.
É uma diferença relevante em relação a um patrocínio convencional. Num contrato tradicional, o clube negocia uma propriedade comercial e estabelece previamente um valor. Neste caso, existe uma parcela variável que depende do comportamento da própria torcida.
Essa característica explica por que o número de assinantes será determinante para avaliar o resultado do negócio. Não basta a marca estar estampada no meião. O modelo precisa transformar a audiência do Flamengo em consumidores do produto para alcançar seu potencial financeiro.
Marcos Senna, diretor comercial do clube, resumiu a lógica ao afirmar que “a cada gol do Flamengo, todos ganham ainda mais”. Alexandre Zolko, fundador e CEO da CRMBonus, também destacou a intenção de criar uma relação em que o torcedor receba benefícios, o clube tenha uma nova fonte recorrente e a empresa amplie o alcance de sua plataforma.
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A CRMBonus por trás da parceria
A empresa não chega ao Flamengo como uma operação pequena. A CRMBonus atua no mercado de tecnologia com soluções de CRM, fidelização e relacionamento com consumidores. Segundo o próprio Flamengo, a companhia atende mais de 3 mil marcas na América Latina e possui mais de 450 especialistas. A empresa informa ter gerado mais de R$ 7,5 bilhões em receita incremental para seus clientes.
A trajetória recente ajuda a dimensionar o negócio. Em 2024, a CRMBonus recebeu um aporte de R$ 400 milhões em uma rodada que avaliou a companhia em R$ 2,2 bilhões. No ano seguinte, o iFood anunciou a aquisição de 20% da empresa. A operação foi posteriormente aprovada pelo Cade, consolidando a participação minoritária da companhia de delivery.
O próprio iFood descreveu a CRMBonus como uma empresa voltada à aquisição, ao engajamento e à retenção de clientes. A participação societária também amplia as possibilidades de integração entre ferramentas de fidelização, restaurantes e consumidores.
Esse histórico ajuda a entender por que a parceria com o Flamengo tem uma lógica que vai além da exposição da marca. O clube oferece acesso a uma das maiores bases de torcedores do país, enquanto a empresa apresenta uma estrutura tecnológica preparada para transformar relacionamento em consumo.
Um novo tipo de propriedade comercial
O acordo também se encaixa em um movimento mais amplo do Flamengo de explorar propriedades comerciais além dos espaços tradicionais do uniforme. O meião, embora tenha visibilidade menor do que camisa e calção, passa a funcionar como porta de entrada para um produto que depende da participação ativa da torcida.
A operação também terá ativações nos canais digitais oficiais do clube. Na estreia, Alexandre Zolko participou do pré-jogo da FlamengoTV para explicar o funcionamento do Torcedor Premiado e apresentar a estratégia da parceria.
A escolha da plataforma digital faz sentido dentro desse modelo. Para o patrocinador, não basta ser visto; é necessário transformar atenção em cadastro, assinatura e utilização dos benefícios. Para o Flamengo, o interesse está em converter parte dessa relação em receita.
Isso também coloca um desafio para o clube. Como o retorno econômico depende da adesão, a divulgação do produto, a comunicação com a torcida e a capacidade de manter os assinantes ativos passam a ter importância comercial semelhante à exposição da marca no uniforme.
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O que o Flamengo ganha com o modelo
A principal novidade está na possibilidade de criar uma receita recorrente diretamente relacionada ao tamanho da torcida engajada no produto. Quanto maior a base de assinantes, maior tende a ser a participação financeira do clube, dentro das condições estabelecidas no contrato.
Não significa, porém, que o Flamengo tenha assegurado R$ 100 milhões com a assinatura. O número representa um potencial de receita associado ao desempenho da operação. A diferença é fundamental para compreender o acordo sem transformar uma estimativa em valor garantido.
O modelo também pode servir como experiência para novas negociações. Se a iniciativa conseguir transformar uma propriedade relativamente pequena do uniforme em uma operação comercial de grande escala, outros ativos do clube poderão ser estruturados com mecanismos semelhantes, combinando exposição, participação da torcida e remuneração variável.
No fim, o Torcedor Premiado coloca o Flamengo diante de uma lógica comercial diferente: o patrocinador não compra apenas espaço para aparecer, e o clube não entrega somente visibilidade. A parceria tenta criar um ecossistema no qual o torcedor é parte ativa da operação. O resultado financeiro ainda dependerá da adesão da Nação, mas é justamente essa variável que torna o negócio diferente dos contratos tradicionais e explica a possibilidade de uma receita que pode ultrapassar R$ 100 milhões.
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