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Flamengo lança plataforma de Sportainment, URU.HUB e novo modelo de negócios

Flamengo lança plataforma de Sportainment, URU.HUB e novo modelo de negócios

O Flamengo apresentou nesta sexta-feira (7) uma nova estratégia de marca e negócios que pretende ampliar sua atuação para além das partidas e transformar a relação com a torcida em um ecossistema permanente de conteúdo, entretenimento, produtos, serviços e experiências. Desenvolvido ao longo de um ano, o projeto reposiciona o clube como uma plataforma de sportainment, reorganiza seu portfólio em três grandes unidades e começa a chegar ao público por meio do novo Hub Digital, da URU.HUB e da campanha “Flamengo Sem Intervalo”.


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A mudança parte de uma premissa simples, mas ambiciosa: o relacionamento com o rubro-negro não começa quando a bola rola nem termina depois do apito final. O Flamengo pretende transformar a presença cotidiana de sua marca em uma estrutura integrada de negócios, utilizando conteúdo, tecnologia, dados e CRM para conhecer melhor o comportamento de uma torcida que reúne aproximadamente 45 milhões de pessoas.

Nosso desafio foi estruturar essa grandeza em um modelo integrado de marca e negócios, colocando o torcedor no centro de todas as decisões e preparando o clube para novas oportunidades de crescimento”, explicou Flávia da Justa, diretora de Comunicação e Conteúdo. A declaração sintetiza a principal diferença conceitual do projeto: em vez de tratar comunicação, produtos, experiências e serviços como departamentos ou iniciativas independentes, a proposta é fazer com que essas áreas façam parte da mesma jornada.

Do clube esportivo à plataforma de sportainment

O conceito de sportainment combina esporte e entretenimento e procura ampliar comercialmente aquilo que uma instituição esportiva consegue oferecer ao seu público. No caso do Flamengo, a pretensão é manter a marca presente 24 horas por dia, sete dias por semana, sem depender exclusivamente de jogos, campeonatos ou do calendário das equipes profissionais.

Isso não significa abandonar a atividade esportiva como centro da identidade rubro-negra. Ao contrário: futebol e demais modalidades continuam sendo o principal motor da relação emocional com a torcida. A mudança está na tentativa de transformar essa conexão em ponto de partida para outras experiências capazes de gerar relacionamento, consumo e novas receitas.

A nova organização foi dividida em três grandes frentes: Esportes, Entretenimento e Legado & Formação. Dentro desse desenho, diferentes marcas e projetos passam a ocupar posições definidas, buscando reduzir uma fragmentação que dificultava ao torcedor identificar como cada produto se relacionava com o Flamengo.

Ana Couto, CEO da agência responsável pelo trabalho de estratégia, explicou que a arquitetura foi montada a partir de uma lógica semelhante à de unidades de negócio. Segundo ela, cada elemento do portfólio ganhou uma função específica, mantendo a força institucional do Flamengo sem eliminar a autonomia necessária às submarcas.

A alteração é mais profunda do que uma troca de logotipos ou uma campanha publicitária. O objetivo anunciado envolve modelo comercial, distribuição de conteúdo, relacionamento digital e utilização de dados. A eficiência dessa estrutura, portanto, dependerá menos da apresentação conceitual e mais da capacidade de transformar integração em serviços que realmente simplifiquem a vida do torcedor.

Hub Digital concentra conteúdo, comércio e serviços

Uma das primeiras entregas é o novo Hub Digital. Em sua fase inicial, o flamengo.com.br passa a concentrar conteúdo e comércio eletrônico dentro de um mesmo ambiente, enquanto outras plataformas do clube deverão ser progressivamente integradas ao sistema.

A ideia é reduzir a quantidade de caminhos percorridos pelo público para acessar diferentes produtos. Em vez de uma experiência fragmentada entre notícias, lojas, programas de relacionamento e outros serviços, o Flamengo pretende construir uma porta de entrada capaz de acompanhar o usuário por diferentes pontos de contato.

Essa reorganização possui também uma dimensão comercial importante. Ao centralizar a jornada e utilizar ferramentas de CRM, o clube aumenta sua capacidade de compreender hábitos, identificar interesses e construir ofertas direcionadas. Uma pessoa que acompanha diariamente notícias, compra uniformes, frequenta jogos ou consome determinados conteúdos deixa de ser tratada apenas como integrante de uma audiência genérica e passa a fazer parte de uma relação individualizada com a instituição.

É nesse ponto que o tamanho da torcida se transforma simultaneamente em vantagem e desafio. Ter milhões de rubro-negros espalhados pelo Brasil e pelo exterior representa um enorme potencial, mas alcance não significa automaticamente relacionamento ou receita. O novo modelo tenta diminuir justamente essa distância entre uma massa numerosa e a capacidade de oferecer produtos adequados a diferentes perfis.

URU.HUB amplia estratégia de mídia e conteúdo

Outra peça relevante é a URU.HUB, apresentada como plataforma responsável pela estratégia de mídia e conteúdo do Flamengo. A estrutura deverá atuar tanto na produção e distribuição de material proprietário quanto na monetização desse acervo e na criação para canais de terceiros.

Esse movimento amplia a forma como o clube pretende enxergar comunicação. Conteúdo deixa de funcionar exclusivamente como instrumento para divulgar futebol, entrevistas, bastidores ou informações institucionais e passa a ocupar também uma posição dentro do negócio. Na prática, o Flamengo procura aproveitar sua capacidade de geração de audiência para desenvolver novos produtos editoriais, formatos comerciais e possibilidades de parceria.

A iniciativa acompanha uma transformação observada há anos na indústria esportiva. Clubes possuem acesso direto a atletas, personagens, instalações, arquivos históricos e acontecimentos que tradicionalmente eram explorados quase exclusivamente por veículos externos. Ao estruturar uma operação própria, o Flamengo tenta ampliar o valor desses ativos sem depender somente da mídia convencional para distribuir suas histórias.

Existe, porém, um equilíbrio delicado. O conteúdo institucional não substitui o jornalismo independente, porque nasce de interesses, estratégias e objetivos do próprio clube. Comercialmente, entretanto, pode ser um ativo poderoso para aproximar patrocinadores, desenvolver formatos de entretenimento e criar novas fontes de receita.

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“Flamengo Sem Intervalo” apresenta o conceito ao torcedor

A face publicitária dessa transformação será a campanha “Flamengo Sem Intervalo”, concebida para representar a ideia de presença contínua. O projeto terá desdobramentos no ambiente digital, no rádio e em mídia exterior, enquanto o filme produzido pela agência anacouto será exibido principalmente nos canais oficiais.

O nome procura resumir aquilo que sustenta toda a estratégia: o Flamengo pretende ser consumido não somente durante 90 minutos, mas ao longo da rotina de quem mantém relação com o clube. Uma partida pode terminar à noite, enquanto no dia seguinte continuam funcionando conteúdos, produtos, memória histórica, programas de relacionamento, experiências e serviços.

A dimensão do projeto torna a execução tão relevante quanto a estratégia. Criar novas marcas e plataformas não garante, por si só, integração, assim como reunir diferentes serviços em um mesmo ambiente não significa necessariamente melhorar a experiência. Será preciso observar se a estrutura facilita o acesso, entrega produtos relevantes e consegue converter relacionamento digital em valor econômico sem transformar cada interação do torcedor em mera tentativa de venda.

O Flamengo entra nessa nova etapa tentando organizar comercialmente um ativo que já possui em escala gigantesca: atenção. A proposta de sportainment procura transformar essa presença cultural e esportiva em uma plataforma permanente, na qual futebol continua sendo o coração da relação, mas deixa de ser o único momento de contato. Se conseguir unir tecnologia, conteúdo, experiência e negócio de maneira coerente, o clube poderá ampliar receitas sem reduzir sua identidade a uma operação comercial; esse será o principal teste de uma estratégia que nasce com a intenção declarada de fazer do Flamengo uma marca sem intervalo.

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